Por um Estado Palestino Popular Democrático

Somos Todos Palestinos (*)

O primeiro Congresso Sionista Mundial, realizado em 1897, decidiu criar um Estado judaico sobre a Palestina, país que após a primeira guerra mundial passou da condição de dominado pelo Império Otomano a de Protetorado Inglês. O movimento sionista, que até aqui não tinha a hegemonia sobre a massa de trabalhadores judeus, é adotado e incorporado pela burguesia judaica como o seu grande projeto ideológico e estrutural.

Esse novo caráter de classe do movimento sionista facilitou o passo para conformar uma aliança estratégica com uma nação imperialista, que garantisse politicamente o Projeto, à época a Inglaterra. De 1882 (logo, quinze anos antes do maldito congresso) até o ano de 1914, em torno de 2,5 milhões de judeus fugiram da Europa, mas menos de 40 mil foram para a Palestina, os judeus russos que fugiram dos pogroms.)

A conjuntura não poderia ser melhor: Os países imperialistas estavam em plena disputa e na corrida da expansão colonial. O sionismo estava a calhar para os planos imperialistas da Inglaterra no Oriente Médio. A Inglaterra necessitava garantir a manutenção do território conquistado aos otomanos e liquidar o movimento nacional árabe que resistia sob forte influência da Revolução Russa.

Leia mais

Do Manifesto de Agosto de 50 à Declaração de Março de 58: dois passos à frente e dois atrás

Por Carlos Arthur Newlands “Boné”

(com contribuições dos camaradas Golbery Lessa, Ivan Pinheiro e reprodução de parte de artigo escrito pelos camaradas Muniz Ferreira, Milton Pinheiro e Ricardo Costa)

Foto: V Congresso do PCB – 1960

Introdução

              No ano do centenário de fundação do PCB – Partido Comunista Brasileiro, o tema da Declaração de março de 58 assume especial relevância no debate das comemorações desta efeméride: basta lembrar que a declaração de Março foi o estopim do processo que culminou, no V Congresso do PCB, na explicitação de divergências profundas que geraram o “Manifesto do 100”, embrião da criação em 1962 do PC do B (que cria esta sigla nova, recuperando o nome original de 1922 de Partido Comunista do Brasil).

Leia mais

David Harvey X John Smith: ainda existe imperialismo?

Segundo Osório (2021, p. 79), “a inserção do marxismo nos debates internacionais, além de imprescindível, é incontornável para superar a aparência de sofisticação e penetrar até o cerne da realidade”. Porém, para se manter minimamente fiel ao método inaugurado por Marx e Engels, o marxismo jamais pode ser encarado como uma teoria acabada. Com efeito, como demonstra Fernandes (2021), o recrudescimento do imperialismo nas últimas décadas tem ensejado importantes debates no âmbito do marxismo. Sem nenhuma pretensão de abarcar toda a complexidade do debate em tela e correndo sério risco de incorrer em reducionismos, destaco três grandes posições que, no meu entendimento, são a alma desta rica discussão. A primeira é a que nega a atualidade do imperialismo. A segunda e a terceira são aquelas que, admitindo ou não questionando o imperialismo como um problema atual, localizam o eixo da exploração capitalista no Norte ou no Sul Global, respectivamente.    

Leia mais

O Socialismo Africano Revisitado

O Socialismo Africano revisitadoPor Kwame Nkrumah, via Marxists.org, traduzido por Gabriel Landi Fazzio

Nascido em 21 de setembro de 1909, Kwane Nkrumah foi o grande líder da independência de Ghana e um dos mais influentes pensadores do chamado ‘socialismo africano’. Influenciado pelas ideias de Marcus Garvey, do marxista C.L.R. James, do exilado russo Raya Dunayevskaya e do sino-americano Grace Lee Boggs, Nkrumah desenvolveu sua obra em constante relação com os desenvolvimentos da luta independentista na África.

O texto abaixo foi originalmente lido no Seminário Africano que ocorreu no Cairo, sob o convite de dois órgãos, o “At-Talia” e o “Problemas da Paz e Socialismo”.

Leia mais

Se a cidade fosse dos trabalhadores e das trabalhadoras por Marcelo Braz

altNesse ensaio Marcelo Braz, professor doutor da Escola de Serviço Social da UFRJ, didaticamente demonstra como a construção do espaço urbano nas grandes cidades também é essencialmente marcada pela luta de classes. Tendo o Rio de Janeiro como grande laboratório de remodelamento de uma cidade voltada para o grande capital, Braz expõe as contradições desse modelo segregador sem menosprezar as diversas resistências políticas e culturais da classe trabalhadora. Justamente às vésperas de eleições municipais vale a leitura para pensarmos uma alternativa popular e anticapitalista nas diversas lutas urbanas.

Leia mais

Redução da Maioridade Penal: Punir os pobres e acumular capital

Redução da Maioridade Penal: Punir os pobres e acumular capital.

por Thiago Sardinha Santos, professor de geografia, educador popular e militante da célula de professores do PCB – Partido Comunista Brasileiro – no RJ.

“A criminalização dos pobres intitulados como “inimigos” , quase sempre, são negros e moradores da favela, eles formam as “classes perigosas”. Diante disso, “nessa guerra”, a identificação do inimigo obedece a critérios  geográficos, sociais, raciais, que impõem as camadas miseráveis da população a triste generalização de pobreza, raça e crime.”

Leia mais

Karl Marx tinha razão

Chris Hedges

 

A fase final do capitalismo, escreveu Marx, seria marcada por desenvolvimentos que, para a maior parte de nós, são hoje familiares. Incapaz de se expandir e gerar lucros ao nível do passado, o sistema capitalista começaria a consumir as estruturas que o têm sustentado.

 

Chris Hedges juntou-se aos professores Richard Wolff e Gail Dines no  Left Forum na cidade de Nova Iorque para discutirem porquê Karl Marx é fundamental numa época em que o capitalismo global está em colapso. Junta-se o comentário feito por Hedges na abertura da discussão.

Leia mais

Syriza e Podemos: a social democracia ontem e hoje

por Patrício Freitas e Jones Manoel (militantes da UJC e PCB).

“Nos anos oitocentos um espectro rondava a Europa. As condições precárias da classe

trabalhadora confirmavam a tese de que as revoluções burguesas não poderiam ser

suficientes para acabar com a miséria e opressão sobre toda população. Com a

revolução industrial, mesmo com o grande avanço das forças produtivas, os homens e

mulheres que produziam as riquezas continuavam privados delas. Essa forma ainda

embrionária, fantasmagórica, que aterrorizava os senhores burgueses ganhou força e os

trabalhadores se organizaram por todo o mundo, revoltas e revoluções marcaram a

história do movimento operário, e o espectro se materializava pouco a pouco..”

Clique para ler o texto na íntegra:

Leia mais

Os perigos de uma tática: a auditoria da dívida pública por Sofia Manzano

“Muitas organizações de esquerda apresentam a auditoria da dívida pública como uma das principais lutas dos trabalhadores contra a burguesia. Essas organizações entendem que os pagamentos dos juros e as amortizações efetuadas pelo Estado são uma das formas mais perversas de a burguesia se apropriar do fundo público, principalmente em momentos de crise do processo de acumulação do capital, e, com isso, impõe ao Estado o fim, ou a redução, das políticas públicas voltadas à assistência da população.”

Sofia Manzano é economista e professora do Departamento de Ciências Sociais Aplicada da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), autora do livro Economia Política para Trabalhadores (São Paulo: ICP, 2013) e Membro do Comitê Central do PCB.

Leia mais

O Trotsky de Padura, Danton e a Revolução por Miguel Urbano Rodrigues

O Trotsky de Padura, Danton e a Revolução

por Miguel Urbano Rodrigues

O mais recente livro do escritor cubano Leonardo Padura tem sido largamente promovido, com numerosas edições em castelhano, português e outras línguas. O jornal Público consagrou três páginas ao livro e ao autor. O livro tem valor literário. Mas o que obviamente justifica este entusiasmo é que o autor abomina – é a palavra – o socialismo e o comunismo. Embora não o afirme explicitamente nos seus livros, põe os seus personagens a falar por si.

Leia mais