PCB: 100 anos de luta pelo socialismo no Brasil

por Edmilson Costa

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) foi fundado em março de 1922, uma data simbólica para o povo brasileiro porque em 1922 se comemorava o centenário da independência do Brasil, emergia a Semana da Arte Moderna e ocorria o primeiro levante tenentista, episódios marcantes na história do País. Mas acima de tudo a formação do PCB naquele ano foi resultado das lutas populares que surgiram a partir da revolução soviética de 1917, ano em que foi realizada a primeira greve geral no País, e que prosseguiram ao longo da década de 20. Essas lutas eram lideradas pelos anarquistas e também tinham influência do sindicalismo reformista, duas tendências históricas que dirigiam o movimento operário no Brasil. Vale lembrar ainda que nesse período o Brasil tinha uma economia agrário-exportadora, baseada principalmente nas exportações de café, com uma industrialização incipiente, baseada em pequenas fábricas e oficinas e, consequentemente, um proletariado ainda em formação.

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PEQUENO HISTÓRICO: O MOVIMENTO FEMINISTA*

TESE SOBRE AS MULHERES PARA O CONGRESSO DO PCB

*Contribuição ao XIV Congresso do Partido Comunista Brasileiro

MERCEDES LIMA

Mercedes Lima

PEQUENO HISTÓRICO: O MOVIMENTO FEMINISTA

MOVIMENTO FEMINISTA – ÚLTIMAS DÉCADAS

Podemos dividir o Movimento Feminista e o de Mulheres no Brasil e no mundo, em três grandes e bem definidos momentos após o sufragista do século XIX e primeiras décadas do XX, sempre lembrando que o movimento feminista brasileiro não acontece isolado, alheio ao contexto mundial. No nosso país as organizações de mulheres, sob influência e orientação do Partido Comunista Brasileiro, tiveram uma razoável capacidade de articulação e mobilização no campo popular ( luta pela moradia, saúde, transporte e creches), das artes e da cultura até a ditadura militar.

Ressurge o movimento, na década de sessenta, após um curto período de desmobilização, no contexto dos movimentos contestatórios de então, mostrando o caráter político da opressão, colocando a mulher no espaço público, defendendo sua libertação sexual, portanto, do próprio corpo, quando pela primeira vez o sexo não aparece ligado à maternidade. Com o uso do anticoncepcional pode-se ter a atividade sexual sem culpa e sem preocupação com a geração de filhos.

Ainda que de forma extremamente precária a mulher volta ao mercado de trabalho, de forma definitiva, já que tentativas anteriores fracassaram, como logo após a Revolução Industrial e mesmo após a primeira guerra mundial, em que pese ter sido grande, por exemplo, o contingente feminino brasileiro na produção social, nas duas primeiras décadas do século XX, especialmente na indústria têxtil. Para essa inserção, foram necessárias condições objetivas, tais, quais, a necessidade do capital de mais força de trabalho, a luta pelas creches, postos de saúde, e há quem diga que também por conta da existência dos chamados produtos de linha branca (geladeiras, máquinas de lavar, etc), que, ao menos para a camada média da população que então surgia, facilitava a vida doméstica, a vida atinente à reprodução.

O Movimento aponta a sociedade patriarcal, com seu caráter hierárquico, assentado na família, como reprodutora da ideologia dominante na sociedade. Entretanto, queimados os sutiãs nas fogueiras, as mulheres da camada média, predominantes nas lutas pelos direitos civis, especialmente as norte-americanas, voltam-se para suas vidas não atendendo às necessidades e aspirações da classe operária de libertação da exploração e opressão.

Leia o artigo completo no link: https://drive.google.com/drive/folders/1RCpBXBqrdG_FUFdu8WYE-IQxUMpBvrTE?usp=sharing

02 a 06 DE MARÇO DE 1919 – CONGRESSO DE FUNDAÇÃO DA INTERNACIONAL COMUNISTA


Congresso de fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores em Londres em 1864

A INTERNACIONAL COMUNISTA, fruto da vitória da Revolução Socialista de Outubro na Rússia (1917), respondeu à necessidade de coordenação e unidade do movimento operário revolucionário internacional. A IC foi uma contribuição importante no apoio e fortalecimento dos partidos comunistas em todo o mundo, mostrou solidariedade internacionalista desinteressada para com os povos oprimidos na luta concreta, como no caso da criação das “Brigadas Internacionais” ao lado do Exército Republicano da Espanha (1936-1938). A IC ofereceu apoio generalizado aos lutadores perseguidos em todo o mundo, levou a cabo uma atividade editorial e educativa, organizando escolas de quadro sobre a teoria revolucionária do marxismo-leninismo, além de operar redes para compartilhar informações políticas, que também incluía os jornalistas.


Os problemas e contradições na estratégia da IC que afetaram negativamente todos os partidos comunistas não negam sua contribuição ao Movimento Comunista Internacional. O legado da IC e o estudo de sua experiência são valiosos hoje para o reagrupamento do Movimento Comunista Internacional e para a elaboração de uma estratégia revolucionária unificada contra o poder capitalista.

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Por um Estado Palestino Popular Democrático

Somos Todos Palestinos (*)

O primeiro Congresso Sionista Mundial, realizado em 1897, decidiu criar um Estado judaico sobre a Palestina, país que após a primeira guerra mundial passou da condição de dominado pelo Império Otomano a de Protetorado Inglês. O movimento sionista, que até aqui não tinha a hegemonia sobre a massa de trabalhadores judeus, é adotado e incorporado pela burguesia judaica como o seu grande projeto ideológico e estrutural.

Esse novo caráter de classe do movimento sionista facilitou o passo para conformar uma aliança estratégica com uma nação imperialista, que garantisse politicamente o Projeto, à época a Inglaterra. De 1882 (logo, quinze anos antes do maldito congresso) até o ano de 1914, em torno de 2,5 milhões de judeus fugiram da Europa, mas menos de 40 mil foram para a Palestina, os judeus russos que fugiram dos pogroms.)

A conjuntura não poderia ser melhor: Os países imperialistas estavam em plena disputa e na corrida da expansão colonial. O sionismo estava a calhar para os planos imperialistas da Inglaterra no Oriente Médio. A Inglaterra necessitava garantir a manutenção do território conquistado aos otomanos e liquidar o movimento nacional árabe que resistia sob forte influência da Revolução Russa.

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Dalcídio Jurandir – Os Comunistas e a Religião

Dalcídio Jurandir

Texto originalmente publicado no jornal Tribuna Popular, nº 60.

29 de julho de 1945.

Transcrição por Andrey Santiago.


O povo vem compreendendo quem são os mais furiosos e maiores inimigos do Partido Comunista. As tenebrosas campanhas de ontem não podem ter hoje quase nenhuma repercussão porque foram muito desmoralizadas. Os “imundos papeis Cohen” não podem mais se repetir, grande é a consciência do povo ou melhor, grande é a consciência o mundo para que se veja nos comunistas os inimigos da paz, da liberdade da religião e da família.

Os povos sabem a história dos comunistas na sua luta desigual, obstinada e heroica para manter a paz, afim de evitar o horror desta guerra e sabem que essa luta agora será fundamental para eles, porque é fundamental para todos os homens e mulheres. Sabem que durante a guerra em toda a parte onde o fascismo estendeu as suas garras, foram os comunistas, os homens de vanguarda, de maior sacrifício, os mais resolutos, os mais conscientes do perigo fascista e os mais conscientes da necessidade de destruir o fascismo.

O sacrifício de milhões de comunistas no mundo inteiro na luta contra o fascismo e um fato que os povos não esquecem, um ensinamento para a paz e para a liberdade, um orgulho para a civilização. Foram os primeiros a enfrentar o monstro hitlerista, a aceitar a guerra para vencer o fascismo e conservar as conquistas elementares da democracia. E agora, depois da guerra, a vitória se consolidará com a conquista da paz. E os comunistas se apresentam dispostos a tudo fazer ao lado dos povos para manter a paz, aprofundá-la não só em nome do que a democracia já conquistou, mas do que ela terá ainda e muito a conquistar.

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Campanha colaborativa “Ana Montenegro: a luta revolucionária das mulheres”

LIVRO SER OU NÃO SER FEMINISTA E OUTRAS OBRAS ESCOLHIDAS

“ Um reencontro que exige justiça para a realidade da memória histórica das lutas daquelas mulheres.”

A primeira mulher a ser exilada no período da ditadura militar no Brasil devido às importantes tarefas que cumpria na agitação e propaganda e nas relações internacionais do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Ana Montenegro foi uma dessas militantes, como escreveu Brecht, imprescindíveis. Na Bahia, quando as bandeiras com seu nome balançam no ar em manifestações, sempre encontramos alguém para falar de suas histórias e seu vigor para a luta. Como muitos contam, mesmo quando idosa, ela pegava um ônibus e ia para o Subúrbio Ferroviário de Salvador ou para qualquer lugar que a convidasse, prestar assistência jurídica à classe trabalhadora mais pauperizada ou fazer falas públicas sobre as lutas comunistas.

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200 anos de Dostoievski – sobre a possibilidade de um novo mundo

Por Rômulo Caires

O escritor russo Fiodor Doistoievski completaria 200 anos no dia 11 de novembro e depois de tantos anos após suas últimas publicações, que inclui o monumental romance Os Irmãos Karamazov, sua influência e interesse não cessam de aumentar no Brasil. A cada dia que passa, ganhamos traduções melhores e mais completas da sua obra. Tradutores como Boris Schnaiderman e Paulo Bezerra tornaram-se notórios por verterem diretamente do russo o complexo texto do escritor e permitir que os leitores de língua portuguesa acessassem esta obra, que representa não só um vasto panorama da sociedade russa do século XIX como também um grande inventário das ideias circulantes no mundo ocidental. 

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Socialismo: Balanço e Perspectivas (sobre o fim da URSS)

Em 25 de Dezembro de 1991 Gorbachov renuncia à presidência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), depois de um golpe de estado chefiado por Boris Yeltsin, dando fim ao estado soviético.

Transcrevemos abaixo o documento “Socialismo: Balanço e Perspectivas”, aprovado no XIV Congresso Nacional do PCB:

Texto aprovado no XIV CONGRESSO NACIONAL DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB) – com algumas informações atualizadas

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Minervino de Oliveira: um negro comunista disputa a Presidência do Brasil

TraduAgindo

Texto de Petrônio Domingues, doutor em História pela Universidade de São Paulo e professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS)

Originalmente publicado em 2017, na Revista de Cultura e Política Lua Nova.


All Negroes are aware of the mass of lies on which the prejudice is built, of the propaganda which is designed to cover the naked economic exploitation.

C. L. R. James

No segundo semestre de 1929 a sucessão presidencial foi o assunto da agenda nacional que mais despertou a atenção da população brasileira. A imprensa produziu inúmeras matérias, reportagens e artigos para informar, debater e especular sobre as eleições presidenciais, marcadas para 30 de março de 1930. O presidente da República, o representante da oligarquia paulista Washington Luís, declinou do apoio ao seu sucessor “natural”, Antônio Carlos de Andrade, governador de Minas Gerais, preferindo indicar Júlio Prestes, governador de São Paulo. Washington Luís descumpriu a “política dos estados” – na qual as oligarquias dos principais estados, sobretudo de São Paulo e Minas Gerais, definiam o candidato presidencial a cada sucessão e se revezavam no poder da República -, o que parte da historiografia chamou de “política do café com leite”, já que São Paulo e Minas Gerais se tratavam dos maiores produtores de café e leite do país, respectivamente.1 Em julho de 1929, ele declarou que Júlio Prestes catalisaria o arco de alianças dos Partidos Republicanos, e não escondeu que o aparato político do domínio oligárquico de dezessete dos vinte estados do Brasil seria colocado a serviço de seu candidato. O preterido Antônio Carlos, jogando com a insatisfação das demais facções oligárquicas, articulou uma chapa de oposição, cujo cabeça escolhido foi Getúlio Vargas, governador do Rio Grande do Sul. Formou-se então a Aliança Liberal, aglutinando as “máquinas políticas” de três grandes oligarquias dissidentes (Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba), que recebeu ainda o apoio do Partido Democrático de São Paulo. O programa da Aliança Liberal não se diferenciava dos apresentados pelas oposições oligárquicas em disputas anteriores, a não ser por uma ênfase maior em reformas políticas e medidas de regulamentação do trabalho, almejadas pela classe operária há longa data.

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