Crítica da Geopolítica Contemporânea: elementos para uma perspectiva anti-imperialista

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Entender os conflitos internacionais nunca foi um desafio simples. Portanto, não é por acaso que os problemas geopolíticos suscitem grandes polêmicas no seio do movimento operário. O colonialismo, a questão nacional, a soberania, o imperialismo e as guerras, entre outros, estão entre os temas que dividiram o proletariado mundial em lados opostos e pautaram diversos processos revolucionários ao longo do século XX. Porém, se, no século XXI, a maior parte desses assuntos caíram no ostracismo teórico, isso se deve mais à difusão ampliada da ideologia liberal do que a mudanças reais que diminuíssem sua relevância para aqueles e aquelas que se propõem a construir alternativas à ordem do capital.

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Serguei Eisenstein – teoria e prática

Por NAUM KLEIMAN*

Publicado em A TERRA É REDONDA

Não é de um cinema-olho que precisamos, mas de um cinema-punho

Tenho certeza de que todos os admiradores de Eisenstein poderiam contribuir para o assunto que trato aqui. Se esta introdução tem um caráter “pontilhista” é porque meu objetivo é provocar reflexão. Há um novo impulso nos estudos sobre Eisenstein e não é apenas devido ao seu “centésimo aniversário”. Tem havido muitas mudanças no mundo, muitas mudanças no cinema, bem como na relação entre o cinema e outros veículos da mídia.

Paradoxalmente, nossa imagem de Eisenstein também está mudando o tempo todo. O aspecto positivo de todo este processo é o de que ele ainda não foi canonizado. Ainda podemos discuti-lo. Na verdade, ele não se permite canonizar. Chamo atenção para o final de um dos capítulos de seu livro inacabado de ensaios, Lyundi odnogo filma / Pessoas de um filme, escrito entre 1946 e 1947 e até agora traduzido apenas parcialmente em pouquíssimas línguas. Em francês, por exemplo, temos um fragmento desse livro incluído no volume Mémoires com tradução de Michèle Bokanovski.

No livro, ele descreve o grupo que trabalha em Ivan Grosznii / Ivan, o terrível. O trecho traduzido são anotações sobre o maquiador Goriounov, os contra-regras Lomov e sua mulher Lydia Lomova, os cenógrafos Iakov Raizman e Leonida Lomonova, o técnico de som Boris Volski e também um trecho da passagem sobre Esfir Tobak, que o está ajudando na montagem, o capítulo intitulado Strekoza i muravei / A formiga e o gafanhoto. Bem no final do capítulo, Eisenstein faz uma observação curiosa. Lembra-se de suas teorias, das afirmações que ressoam há anos, e por fim diz que nunca ocorreu a ninguém verificar se o autor destas afirmativas realmente as seguiu.

Infelizmente, às vezes tentamos ilustrar suas teorias a partir de exemplos de seus filmes, ou entender seus filmes como suas teorias postas em prática. Contudo, como agora começo a compreender, seu trabalho realizado é, por um lado, muito mais rico que sua teoria, enquanto, por outro lado, sua teoria é muito mais rica do que o corpo de seu trabalho. Eles não têm uma simples e direta correspondência; às vezes chegam a ser conflitantes. Algumas das ideias que expressam como hipóteses são demonstradas em seus trabalhos, outras não.

Não devemos perder de vista o fato de que ele trabalhou durante vinte e cinco anos e várias mudanças ocorreram ao longo desse tempo – não tivemos mudanças políticas e sociais apenas na União Soviética. A primeira coisa que devemos fazer é lançar mão da noção de que Eisenstein seguia essas mudanças políticas e sociais de perto, e de que reagia às pressões sobre seu trabalho. Claro que o tempo em que viveu e as pressões que sofreu foram significativos. Temos, inclusive, que fazer um esforço para entender o contexto no qual seu trabalho se desenvolveu, porque ainda não conhecemos o suficiente sobre esse período.

Entretanto, ao mesmo tempo, há vários processos imanentes, tanto em seu desenvolvimento como artista quanto como teórico, que devem ser compreendidos. Eisenstein frequentemente se referiu à enorme influência que seu professor do Instituto de Engenharia Civil, de Petrogrado, Professor Sukhotsky, exerceu sobre ele. Mas sabemos muito pouco sobre Sukhotsky, embora seja uma das figuras mais interessantes da cultura russa do começo do século XX. Sukhotsky foi um dos primeiros a perceber a importância das teorias de Eisenstein e um dos primeiros a entender o novo estudo do infinitesimal na física, e a explicar seu significado poético.

Eisenstein lembra que foi Sukhotsky que lhe ensinou a teoria dos limites a que os objetos aspiram. Se considerarmos isso, então podemos ver que várias dessas afirmativas teóricas representam limites a que seu trabalho aspira. Mas lembre-se que em suas Memórias ele está sempre se referindo ao King Gillette e à ideia de que você deve fazer uma meia volta para trás com a chave de fenda dos limites a que aspira quando se tratar da prática. É esta meia volta para trás que fornece toda a capacidade estilística e as variantes individuais. Deixe-me dar alguns exemplos.

Uma das coisas mais assustadoras que Eisenstein disse no texto K voprosu o materialisticheskom podkhode k forme / Sobre a questão de uma visão materialista da forma, publicado no Kinozhurnal ARK, de abril/maio de 1925, em suas discussões com Dziga Vertov foi: “Não é de um cinema-olho que precisamos, mas de um cinema-punho”. Essa declaração provocou uma série de especulações. Enquanto celebramos Eisenstein, o filósofo Yuri Davydov fez um discurso profundamente crítico ao cineasta, alegando de que foi um tipo de stalinista que queria pegar seu “cinema-punho” e enfiá-lo na cabeça das pessoas de qualquer jeito, diferentemente de Brecht que, ao contrário, estimulava o pensamento independente.

Esta imagem do “cinema-punho” Eisenstein certamente apanhou das Reminiscências de Lênin, de Gorky, do trecho em que ele relembra uma observação de Lênin sobre Beethoven: com Beethoven sentimos como se estivéssemos fazendo carinho na cabeça das pessoas quando na verdade estamos batendo com nossos punhos nela. Eisenstein conclui Sobre a questão de uma visão materialista da forma defendendo a ideia de um cinema punho para bater firme na cabeça e “plantar sobre a psique dos espectadores”.

Claro que podemos interpretar isso como uma tentativa de invadir o pensamento das pessoas, mas, se o examinarmos dentro do contexto do que ele estava escrevendo na época, compreenderemos melhor o que Eisenstein estava dizendo. Por exemplo, em suas anotações sobre o psicólogo russo Vladimir Bekhterev, infelizmente não publicadas ainda, ele observa que a arte tem que mudar o reflexo condicionado provocado pelo contexto social e, particularmente, o espectador tem que ser desviado do reflexo condicionado de servidão e terror.

A ideia de que as pessoas não têm apenas um instinto, mas um condicionamento psicológico ao medo e à servidão, e de que temos que livrá-los de ambos é muito importante, principalmente no contexto da União Soviética da metade da década de 1920. Se examinarmos o trabalho de Eisenstein, quer dizer, o rumo que toma, vemos as pessoas se livrando da reação automática de medo quando se deparam com a violência e o terror.

De Statchka / A greve até Ivan, o terrível, tanto o assunto quanto a estrutura dos filmes podem ser vistos como uma espécie de vacina contra a reação condicionada ao medo e ao pânico. Claro que isso levanta a questão do tão propalado sadismo de Eisenstein: seria ele realmente um sádico? Muito pelo contrário, talvez estivesse querendo nos dar uma espécie de vacina contra o sadismo. Falarei da personalidade dele mais tarde, contudo, já ficou bem claro que o tipo de brutalidade que aparece em seu trabalho não tem nada a ver com qualquer espécie de sadismo per se. Isso é exemplo de um ponto que temos que reavaliar em nossa visão pré-estabelecida. Deixe-me dar outro: as ideias de Eisenstein quanto à representação no cinema.

Eisenstein fez várias declarações criticando a escola de atores “acadêmica”, e sabe-se o quanto ele realizou usando “tipos” em lugar de “atores” no cinema, tanto em seus filmes quanto em seus ensinamentos teóricos. É sabido que todos os integrantes do Prolektult em A greve. Em Bronienosets Potemkin / O encouraçado Potemkim, uniram-se atores do sindicato de Odessa a alguns atores de Prolektult. Quase todos os personagens da sequência da escadaria de Odessa eram atores. Em Oktiabr / Outubro, muitos atores vieram do sindicato de Leningrado. Até a procissão com a cruz em Staroie i Novoie ou Gueenralnaia Linnia / O velho e o novo ou A linha geral, foi realizada com atores de Outubro, porque os filmes foram feitos ao mesmo tempo. Há muito mais “atores” do que “tipos”. Temos que entender, portanto, que ele trabalhou com atores como “tipos” assim como trabalhou com “tipos” como atores.

Deixe-me dar outro exemplo para ilustrar esta relação entre teoria e prática. O primeiro artigo que Eisenstein escreveu “Vosmoe iskusstvo. Ob ekspressionizme, Amerike i, konechno, o Chapline / A oitava arte. Sobre o expressionismo, América e, é claro, Chaplin, assinado por ele e por Sergei Yutkevich e publicado em novembro de 1922 na revista Ekho, é uma crítica ao expressionismo alemão. Ele voltará a criticar o expressionismo alemão mais tarde, embora o contexto desta nova crítica seja mais complexo. Mas vejamos o impacto do expressionismo em Ivan, o terrível já foi pesquisado, por exemplo, no trabalho de Mira Meilakh Izobrazitel’naya stilistika pozdnikh fil’mov Einzenshteina / Imagem e estilo nos últimos filmes de Eisenstein, publicado em 1971. A palavra vyrazitel’nost’ / expressividade foi uma das favoritas de Eisenstein. Descobrimos uma anotação, mais uma vez infelizmente ainda não publicada, mas que, com certeza, vale a pena resumir aqui. É a única nota que Eisenstein escreveu enquanto montava O encouraçado Potemkin.

O título providencial é Representando com objetos e representando através dos objetos; é um texto incompleto, mas ele faz uma observação muito interessante: enquanto no teatro você tem a representação com um objeto, no cinema você tem a representação através do objeto. Em Potemkin, ele dá o nome de bytovoi ekspressioniszm / expressionismo cotidiano ao método em que o aspecto externo do objeto fica inalterado, mas vários esquemas expressivos são levantados com a finalidade de colocar o objeto em contextos diferentes. Esse “expressionismo cotidiano” é, em parte, um contraste e, em parte, uma continuação do objeto. Não é comum em Eisenstein, mas faz com que compreendamos suas afirmativas com mais clareza.

A outra questão que pretendo levantar é o contexto em torno de Eisenstein, muito mais complexo do que jamais suspeitamos. Tomemos a teoria da influência: quem influenciou quem? Quando procuramos influências, buscamos semelhanças e traços. Entretanto, quero propor um modelo um pouco diferente. Há uma série de fotografias conhecidas de La Sarraz com Eisenstein como Don Quixote, sentado em um cavalo, segurando uma câmera e uma lança na mão. Ele se compara a Don Quixote. Acredito que podemos fazer uma analogia com Pushkin, que sempre se imaginou como um cavaleiro, vestido como uma armadura brilhante, participando de um torneio. Isso é importante: um cavaleiro preparado para aceitar um desafio e lutar em um torneio. Portanto, quando falamos na influência de Byron em Pushkin, devemos imaginar a questão como Pushkin se preparando para aceitar o desafio de Byron; Pushkin se preparando para “enfrentar-se” com Byron, e não simplesmente para aceitar passivamente a influência deste. O mesmo se pode dizer da relação de Pushkin com seu professor Zhukovsky ou com seu amigo Vyazemsky.

Eisenstein sentia como se estivesse eternamente engajado em um torneio; é claro, no ideal medieval em que um torneio não é uma guerra, mas uma disputa amistosa. Isso começou com seu “torneio” com Meyerhold, que o levou a batalhas como a que assolou a produção Gato de botas – espetáculo, que seria dirigido por Eisenstein, em 1922, para o teatro de Meyerhold, mas não chegou a ser encenado.

Uma das expressões favoritas de Eisenstein era me too, assim, em inglês, “eu também”. Um dos capítulos de suas Memórias tem como título Mi tu. Mi tu era o nome do cachorro de Maxim Litvinov, que foi Ministro de Relações Exteriores da União Soviética entre 1930 e 1939. Sua mulher, Ivy Walterovna, dava aulas em inglês aos alunos do curso de cinema de Eisenstein. Neste breve capítulo de suas memórias, Eisenstein diz que o intrigava o estranho nome do cachorro, que desconhecia a origem de tal nome e sua significação exata, e que se fixava na sonoridade de seu nome. E escreve: “Seria um Mitou francês, um Mitu chinês? A mim sempre me pareceu inglês. Me too”.

Eisenstein faz então um jogo de palavras, porque My em russo quer dizer nós, e observa que Me too, então poderia ser compreendido como “eu também” e como “nós também”, Nós too, para concluir: “A fórmula Me too é uma das fórmulas básicas de minha atividade. Mais precisamente, é um dos impulsos dinâmicos de meu trabalho, um dos impulsos mais profundos que me levaram, e me levam ainda, a realizar tantas e tantas coisas. Portanto, Me too Nós também”. Essa não era a única expressão predileta de Eisenstein; that’s wrong, “isso está errado”, era outra de suas expressões favoritas. Isso é dialética no sentido clássico da palavra, a possibilidade de lutar ao mesmo tempo em que vê o outro lado da questão.

Deste modo, quando vemos o contexto a que pertenciam seus professores e seus amigos, podemos perceber como essa questão de quem influenciou quem é mais ampla do que se pensa. É conhecido o fascínio de Eisenstein pelo Construtivismo e pelo Cubismo, é sabido como esses movimentos foram importantes para ele, o que podemos comprovar em seus desenhos. Mas ao mesmo tempo, devemos nos lembrar de que ele é também filho do Simbolismo, do simbolismo russo de Blok, Bely e Ivanov; os ecos desses simbolistas o seguiram por toda a vida. Por exemplo, deveria haver um epílogo para Alexander Nevsky / Cavaleiros de ferro. Infelizmente, a censura de Stalin eliminou a morte de Alexander Nevsky do filme; mas no final, a vitória dos tártaros em Kulikovo Polye, é tirado diretamente de um poema de Blok.

Ao longo da vida de Eisenstein, podemos encontrar os elementos conscientes e inconscientes da época que o formou e da qual surgiu. Isso também se aplica a Nikolai Evreinov, escritor, diretor e teórico de teatro, que em 1920 fez um filme sobre a Revolução de Outubro em Petrogrado. Devemos lembrar da influência de Evreinov quando falamos de Joyce e o “monólogo interior”, e da influência que isso teve em Eisenstein.

Mas ainda há contextos inusitados para Eisenstein: como, por exemplo, o cinema internacional. Até agora subestimamos a influências de sucessos como The Exploits of Elaine, filme norte americano feito em 1915 por Louis Gasnier e Douglas Mackenzie, com Pearl White. E a influência dos cinco filmes da série Fantômas de Louis Feuillade, feitos em 1913, e exibidos como sucesso por toda Europa, inclusive na Rússia; mas eles foram muito importantes. Em 1987 Alan Upchurch estava buscando uma capa para a primeira edição de seu Psychology of Composition, coletânea de ensaios que traduziu e organizou entre eles um texto de Eisenstein sobre o ensino de cinema na GIK, A Detective Work / Um trabalho de detetive quando se deparou com uma foto do segundo filme da série Fantômas, Juve contre Fantômas, na qual o mundo do crime espia por um buraco do barril e, imediatamente, lembrou-se da cena de A greve, em que os grevistas espiam através de um barril! Esses “torneios”, ou túneis que ligam as culturas de países diferentes, são importantíssimos para compreendermos Eisenstein.

Se lembrarmos da cena do Vale da Morte no final de Greed, de Enrich von Stroheim, 1925, vemos que o cenário de Sutter’s Gold / O ouro de Sutter, que Eisenstein escreveu em colaboração com Ivor Montagu e Grigori Alexandrov em 1930, começa a mesma maneira. Isso não é coincidência: é apenas a continuação e a releitura de um mesmo fenômeno partindo de outro país, de outro contexto. Ou, tomemos um caso famoso como o de Tchapayev, filme de Sergei e Georgy Vasiliev feito em 1934. Nos anos 30, toda a gente de cinema na União Soviética dizia que a cena do “ataque psicológico” de Tchapayev era superior à sequência da escadaria de Odessa. Então, Eisenstein escreveu a cena da batalha em Alexander Nevsky para demonstrar como um ataque psicológico poderia mesmo ser feito. Ele foi ainda mais longe para combater os estudantes que estavam se afastando dele. Há uma cena em Tchapayev em que são usadas batatas para mostrar onde um comandante devia estar e uma cena em Ivan o terrível em que, em resposta ao trágico Vladimir Staritsky, Ivan diz: “O czar sempre deve estar na frente!” Isso é uma resposta, não somente a Tchapayev, mas também aos seus próprios alunos sobre onde um líder deve estar. É um momento profundamente autobiográfico.

Tenho que deixar de lado muitas coisas, porém sinto que devo falar sobre o que podemos chamar de seus “antepassados”, ao invés de seus predecessores ou conselheiros diretos. Temos visões estereotipadas sobre as influências de Zola ou Leonardo da Vinci. Mas por que não damos atenção a Ben Jonson, a quem Eisenstein apontava como um de seus professores? As teorias do humor e a composição linear da dramaturgia de Jonson foram muito importantes para Eisenstein. Também ignoramos completamente a influência das peças medievais de mistério.

Em Moscou, conseguimos reconstituir o artigo de Eisenstein sobre Gogol e a linguagem cinematográfica, que é uma espécie de complemento de seus artigos sobre Pushkin. Eisenstein diz que Gogol é tão seu pai quanto Pushkin. O que ele não menciona no artigo, mas que está mais do que claro, é que uma das imagens de Bejin Lovii / O prado de Benjin, parece ser uma referência direta a uma cena de Taras Bulba de Gogol. Quando Stepok, que já está mortalmente ferido cai lá do alto ꟷ são três estágios, três tomadas separadas ꟷ temos uma referência direta a Gogol, porque há uma passagem em que Eisenstein discute o momento em que o pai atira no filho e este cai como um feixe de trigo cortado. Se pensarmos no conjunto de imagens bíblicas em O prado de Bejin, podemos perceber o quanto é importante a imagem do trigo caindo ao chão.

Outro fator relevante é a própria personalidade de Eisenstein, que precisamos discernir melhor. Existiam até a pouco apenas as muitas lendas dos anos 1930 sobre ele, mas agora novas lendas estão surgindo. É normal surgirem lendas sobre grandes artistas. Por exemplo, uma das imagens surgidas recentemente é a de um Eisenstein conformista, estudante aplicado, que somente ultrapassou o limite da ordem imposta a ele porque era um gênio. A evidência citada é a de sua decisão de encenar As Valquírias / Die Walküre em 1939 pouco depois do pacto Nazi-soviético.

No entanto, ele não concordou em produzir Die Walküre porque estava com medo. Para falar a verdade, sabemos agora muito mais sobre a produção devido às novas pesquisas sobre ela. Eu percebi como somos cuidadosos ao abordarmos um assunto que nos parece eticamente ambíguo! Mas quando botamos a mão na massa e abrimos os arquivos de Die Walküre, concluímos que ele dava um tratamento antifascista a um assunto que os fascistas acreditavam ser fascista em si. Foram compaixão e humanidade que brotaram da interpretação do cineasta. Sabemos que o tema da compaixão não era exatamente prioridade máxima no final dos anos 30.

Há muito preconceito que temos que partilhar ao abordarmos seu trabalho e há áreas que nem começamos a estudar. Sabemos muito pouco sobre o trabalho em teatro de Eisenstein e agradeço a contribuição de Robert Leach nesse campo, o ensaio Eisenstein’s Theatre Work no livro Eisenstein Rediscovered organizado por Ian Christie e Richard Taylor. Subitamente, a questão da ética de Eisenstein surgiu. O fato de que ética é uma palavra profundamente ambígua é importante para nosso trabalho. Temos que incluí-la ao lado das pesquisas puramente cinematográficas. Seu trabalho como professor também tem importância nessas pesquisas.

É fácil perceber que muito ainda está por se publicar sobre Eisenstein. E de Eisenstein. E isso é de nossa responsabilidade. É nossa responsabilidade e nosso erro que tão pouco do trabalho de Eisenstein tenha sido publicado até agora, e que isso seja feito tão vagarosamente. Talvez o mais importante a ser selecionado para publicação são seus diários e o texto final de A natureza não-indiferente e Métodos, este último um projeto apenas esboçado por Eisenstein e que está começando a tomar forma a partir da organização de seus escritos.

Eisenstein é sem dúvida, para todos nós que lidamos com cinema, mais do que uma influência, mais do que um estilo ou um modo de pensar cinema que um ou outro jovem realizador procura seguir. Ele é uma fonte de inspiração constante, tão viva que, como observou David Robinson em nosso encontro, chega a parecer absurdo estarmos comemorando seu centenário de nascimento e os cinqüenta anos de sua morte. Ele está mais presente que nunca no melhor que o cinema faz hoje. Chegou a hora de trabalharmos juntos. Talvez também tenha chegado a hora de um sonho se tornar realidade, de não termos apenas a Casa de Eisenstein em Moscou mas de todos juntos organizarmos uma Sociedade Internacional de Eisenstein.

Gostaria de concluir mencionando a pessoa que fez mais do que ninguém para promover uma compreensão de Eisenstein, Jay Leyda. Ele sonhou com esta Sociedade e foi o primeiro a contribuir com ela. Gostaria que se lembrassem dele.

*Naum Kleiman é historiador e crítico de cinema. Curador da Casa de Eisenstein, foi diretor do Museu de Cinema de Moscou.

Comunicação apresentada no seminário Eisenstein Heute / Eisenstein hoje organizado pela Akademie der Künste de Berlin, durante o Festival Internacional de Cinema de Berlim em 1996.

Tradução: Taís Leal para a revista Cinemais 12 (jul-ago 1987).

Os 100 anos do PCB: um enorme coração vermelho que continua pulsando

Os 100 anos do PCB: um enorme coração vermelho que continua pulsando

Por Mauro Iasi

BLOG DA BOITEMPO

Nesta longa luta os comunistas aprenderam com a história a renascer sempre. Perseguidos, presos, mortos, viraram ossos e pedras, raízes e rios, memória e reconhecimento, terra e semente, até que germinaram novamente, para desespero dos algozes que tentam impedir o futuro. Nossa vingança é renascer.

Sua infância foi como de todas as crianças naquela época. Trabalhava mais de dez horas em uma fábrica escura, respirando a fuligem que tomava todo o ar do velho galpão. Seus pais eram camponeses e vieram de outras partes do mundo, fugindo da guerra ou da fome, embrulharam seus pertences em grossos panos pretos e embarcaram em navios lotados de medo e esperança.

Não se via muito à frente na grossa neblina que a proa do navio cortava na noite. Por conta da cor da noite, da lembrança dos mortos, do vestido das mulheres de aço e flor, costurou-se uma bandeira negra e sob ela se lutava e cantavam cânticos antigos de outras lutas contra a exploração.

É possível mudar o mundo, fazer um mundo de todos, precisamos de ferramentas, de terra, de trigo e de nossos braços, sem governo e sem patrões, onde o amor habite o coração dos homens e não as alturas inatingíveis de um céu povoado por mortos. Nos ajudávamos, cuidávamos dos doentes e das viúvas, nos reuníamos nos parques para falar de nossos sonhos libertários e dos caminhos para construir futuros feitos de pão, vinho e liberdade. Fomos anarquistas.

Corria o ano de 1917. Clamávamos por salários dignos, jornadas de trabalho de oito horas, proibição do trabalho de crianças. A resposta dos poderosos era o sabre e as balas. Balas que assassinaram o sapateiro pobre e seu sangue nos uniu a todos. A cidade, por um tempo, foi nossa e escrevemos em uma grande faixa: “aquele que não trabalha, não come”. O negro de nossos casacos puídos e dos vestidos antiquados, misturou-se às costas lanhadas por chibatas, eles também transportados em navios de medo, também eles, negra e secular resistência. E gritamos: basta!

Corria o ano de 1917. Do outro lado do mundo também se ouvia os gritos da revolta, foice ceifando o passado para transformá-lo em pão, martelos forjando o aço elevando faíscas brilhantes que se transformavam em estrelas costuradas no corpo negro da noite. Nós os ouvíamos, como um eco distante de nós mesmos, como se ao atravessar oceanos desde a África ou da Europa fossemos deixando pelas águas revoltas uma linha invisível que nos unia, feita de lágrimas e sangue, de luta e esperança. Aqui se ouvia basta, lá se ouviu o grande estrondo de uma velha ordem ruindo, com seus reis e castelos, com seus místicos conselheiros e generais com uniformes cheios de galeões e medalhas. O mundo podia mudar. Não era apenas a substituição de mantos reais por cartolas e fraques, eram operários e camponeses, soldados e marinheiros, mulheres e homens, povos com línguas e feições distintas que se levantavam para construir seu próprio mundo livre dos exploradores.

Aqui e lá o sangue correu mais uma vez. Lá para receber o futuro e fertilizar o solo para o plantio, aqui para coagular sob velhas feridas e deixar em nossa carne novas cicatrizes. Aqui não foi o futuro que veio, mas um passado renitente e ardiloso, mais uma vez as prisões, mais uma vez o desterro. Muitos foram presos em navios. Parece que navios fazem parte de nossa sina, navegamos sempre acorrentados, sempre levados a outro mundo que não será nosso e não será novo.

Mas, o sol nascia no oriente. Podíamos sentir seu calor expulsando as trevas. O sangue fluía pelas linhas invisíveis que traçamos no mapa, como se o mundo fosse um só corpo, como se nossa voz proclamasse um só idioma em várias línguas, como se ao mesmo tempo em que estávamos ainda presos aqui, estávamos livres lá longe depois dos mares que nos trouxeram. Sorvemos o vinho tinto do nosso sangue distante, indagamos por seus caminhos e olhamos para nossos passos. Enquanto o escuro da noite ia se desfazendo diante de uma aurora radiante, tingindo nuvens, mares e montes com seu profundo escarlate, levantamos nossas bandeiras e elas eram vermelhas. Nelas não haviam brasões, dragões ou leões, nem flor de lis, nem cruzes, linhas britânicas, utopias francesas ou listras americanas, era apenas um enorme coração vermelho do tamanho do planeta. Bordamos nela dois instrumentos de trabalho com que ceifávamos e forjávamos, uma foice camponesa e um martelo operário. Nos tornamos comunistas.

Corria o ano de 1922. Sentíamos em nossas entranhas o novo germinando inquieto. Operários erguendo suas cabeças orgulhosos, jovens exercendo o sagrado crime da recusa, soldados marchando não mais em nome de seus generais, poetas reinventando as palavras, pintoras criando as formas e cores de outro mundo que não aquele que morria, músicas, a eterna rebeldia do som se recriando em novas melodias costuradas pelas velhas notas. Queríamos ser modernos, abaixo os arcaísmos oligárquicos, suas vestes e seus casarões, abaixo o burguês funesto.

Corria o ano de 1922. Trabalhadores se reúnem em Niterói e proclamam: somos parte deste sonho e desta luta, nós os acompanharemos pela trilha da emancipação, somos parte da humanidade e nosso compromisso é libertá-la da opressão e da miséria, somos parte do mundo que abrindo os olhos reconheceu seus grilhões e conseguiu ver as ferramentas para rompê-los, o sabemos em nossa carne e nosso sangue, mas aprenderemos em nossas consciências desvendando as determinações do mundo para além das aparências que as escondem; somos marxistas, somos comunistas. E assim se fizeram parte, se fizeram partido e nasceu o PCB, Seção Brasileira da Internacional Comunista.

Corriam os anos. O primeiro candidato operário à presidência da República, Minervino de Oliveira, operário marmorista negro e comunista. O Bloco Operário e Camponês, sindicatos e associações, campanhas e lutas, perseguições e ódio, clandestinidade, prisões e mortes acolhidas pelo imenso coração vermelho de nossa bandeira.

Em um ano como este, um tenente se rebela e percorre o que ainda não era um país. Revela-se a miséria e a fome que as cortinas oligárquicas escondiam. Cavalga sem nunca ser derrotado empunhando nossa esperança até que encontrou nossa bandeira. Luiz Carlos Prestes agora é um comunista, para nunca mais deixar de sê-lo, agora a esperança é comunista e percorrerá aquilo que quer ser e será um país.

Corriam os anos. Corriam as décadas. Lutas, resistência, clandestinidade, heróis e mártires, ditaduras e democracias. Um enorme coração vermelho pulsa como uma esperança que acolhe os que sofrem e lutam e como é um coração acolhe poetas e pintores, artistas e intelectuais. As veias espalhadas pelo corpo do mundo nos fazem uma só classe.

Os comunistas olham o mundo que querem mudar. Os comunistas procuram entender o mundo que precisa ser mudado. Os comunistas lutam para mudar o mundo. “Os comunistas guardam sonhos”. Nesta longa luta os comunistas aprenderam com a história a renascer sempre. Perseguidos, presos, mortos, os comunistas viraram ossos e pedras, raízes e rios, memória e reconhecimento, terra e semente, até que germinaram novamente, para desespero dos algozes que tentam impedir o futuro. Nossa vingança é renascer.

E correu um século, com todos seus minutos e horas, seus dias e meses, seus anos e décadas. Nós comunistas estávamos em cada segundo deste século. Cem anos e nós estamos aqui. Nossos carrascos estão sepultados sob tumbas majestosas, seus nomes ostentam cidades sujas e avenidas frias enquanto suas almas apodrecem na ignomínia. Os comunistas renascem em seu grande coração vermelho e suas ferramentas de trabalho. Nosso corpo conhece o frio da noite, mas também a certeza da aurora, nossos olhos viram as trevas da morte, mas também a alegria da vida, a dor de derrotas e o sabor das vitórias, carregamos em nossa bagagem nossas glórias e desacertos, crimes e desvios que não esquecemos para não repeti-los. Nosso corpo é o planeta e nossa alma a humanidade.

Começou um novo século. Os comunistas se reúnem e olham o mundo. Perguntam-se: ainda há exploração? Aqueles que trabalham são privados da riqueza que produzem por uma classe de parasitas? O mundo e a humanidade estão em perigo diante da exploração do capital e seus senhores? Então inúmeras veias espalhadas pelo corpo do planeta bombeiam sangue em um velho coração e levantamos nossa estandarte vermelho com uma foice e um martelo, nos preparamos para mais 100 anos e repetimos com nosso amado arquiteto comunista: “enquanto houver miséria e opressão, ser comunista é a nossa decisão”.

Viva os 100 anos do PCB!

Fundadores do Partido Comunista Brasileiro (PCB), em março de 1922. De pé, da esquerda para a direita: Manuel Cendon, Joaquim Barbosa, AstroJildo Pereira, João da Costa Pimenta, Luís Peres e José Elias da Silva; sentados, da esquerda para a direita: Hermogênio Silva, Abílio de Nequete e Cristiano Cordeiro.

Quando e por que nascemos, por Mauro Iasi
Não sei quantos anos temos.
Sei que festejamos hoje 100 anos
porque nascemos em 1922.
Mas, talvez tenha sido antes,
talvez tenhamos nascido em 1917
quando os trabalhadores russos
iniciaram a construção do futuro,
ou foi em 1919 quando na Internacional
sonhamos sonhos planetários.
Talvez tenha sido antes ainda.
Em 1871, na Paris Revolucionária da Comuna
ou em 1848, quando os trabalhadores
levantaram-se para falar com sua própria voz.
Não sei, mas talvez tenha sido antes.
Quando dois alemães se encontraram
e viram o mundo através de nossos olhos
nos mostrando o caminho da emancipação.
Mas talvez não.
Talvez tenha sido há muito mais tempo:
quando um trabalhador
olhou para suas mãos
e percebeu que não eram mais suas mãos.
Quando olhou para seus pés e viu
que a terra não era mais a sua terra.
Não sei, mas acredito que foi ali que nascemos.
Talvez por isso é que nascemos.
Talvez por isso vivemos tanto tempo.
Talvez por isso resistimos.
Talvez por isso estejamos aqui hoje
para dizer aos trabalhadores:
— Olha, esta são suas mãos,
são seus os produtos do trabalho.
— Olha, esta é tua terra,
são nossos seus frutos.
— Coragem, levanta a cabeça e veja:
olha este sol que se insinua
por trás das nuvens que o escondia.
Não há noite tão longa que derrote o dia.
Veja como tinge de vermelho o universo.
— Levanta tua mão, camarada, assim…
agora fecha o punho, isso…
Lembra como era aquela canção?
Coragem, vocês nunca estarão sozinhos
Porque aqui estamos camaradas.
Por isso nascemos.
Por isso lutamos tanto.
Por isso sobrevivemos.
É por vocês camaradas
que fomos, que somos, que seremos
sempre
Comunistas!

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Confira o último Café Bolchevique, coluna mensal de Mauro Iasi na TV Boitempo, em que ele comenta os 100 anos do PCB e a atualidade da luta comunista:

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Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002) e colabora com os livros Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil e György Lukács e a emancipação humana (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas. Na TV Boitempo, apresenta o Café Bolchevique, um encontro mensal para discutir conceitos-chave da tradição marxista a partir de reflexões sobre a conjuntura.

PCB: 100 anos de luta pelo socialismo no Brasil

por Edmilson Costa

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) foi fundado em março de 1922, uma data simbólica para o povo brasileiro porque em 1922 se comemorava o centenário da independência do Brasil, emergia a Semana da Arte Moderna e ocorria o primeiro levante tenentista, episódios marcantes na história do País. Mas acima de tudo a formação do PCB naquele ano foi resultado das lutas populares que surgiram a partir da revolução soviética de 1917, ano em que foi realizada a primeira greve geral no País, e que prosseguiram ao longo da década de 20. Essas lutas eram lideradas pelos anarquistas e também tinham influência do sindicalismo reformista, duas tendências históricas que dirigiam o movimento operário no Brasil. Vale lembrar ainda que nesse período o Brasil tinha uma economia agrário-exportadora, baseada principalmente nas exportações de café, com uma industrialização incipiente, baseada em pequenas fábricas e oficinas e, consequentemente, um proletariado ainda em formação.

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PEQUENO HISTÓRICO: O MOVIMENTO FEMINISTA*

TESE SOBRE AS MULHERES PARA O CONGRESSO DO PCB

*Contribuição ao XIV Congresso do Partido Comunista Brasileiro

MERCEDES LIMA

Mercedes Lima

PEQUENO HISTÓRICO: O MOVIMENTO FEMINISTA

MOVIMENTO FEMINISTA – ÚLTIMAS DÉCADAS

Podemos dividir o Movimento Feminista e o de Mulheres no Brasil e no mundo, em três grandes e bem definidos momentos após o sufragista do século XIX e primeiras décadas do XX, sempre lembrando que o movimento feminista brasileiro não acontece isolado, alheio ao contexto mundial. No nosso país as organizações de mulheres, sob influência e orientação do Partido Comunista Brasileiro, tiveram uma razoável capacidade de articulação e mobilização no campo popular ( luta pela moradia, saúde, transporte e creches), das artes e da cultura até a ditadura militar.

Ressurge o movimento, na década de sessenta, após um curto período de desmobilização, no contexto dos movimentos contestatórios de então, mostrando o caráter político da opressão, colocando a mulher no espaço público, defendendo sua libertação sexual, portanto, do próprio corpo, quando pela primeira vez o sexo não aparece ligado à maternidade. Com o uso do anticoncepcional pode-se ter a atividade sexual sem culpa e sem preocupação com a geração de filhos.

Ainda que de forma extremamente precária a mulher volta ao mercado de trabalho, de forma definitiva, já que tentativas anteriores fracassaram, como logo após a Revolução Industrial e mesmo após a primeira guerra mundial, em que pese ter sido grande, por exemplo, o contingente feminino brasileiro na produção social, nas duas primeiras décadas do século XX, especialmente na indústria têxtil. Para essa inserção, foram necessárias condições objetivas, tais, quais, a necessidade do capital de mais força de trabalho, a luta pelas creches, postos de saúde, e há quem diga que também por conta da existência dos chamados produtos de linha branca (geladeiras, máquinas de lavar, etc), que, ao menos para a camada média da população que então surgia, facilitava a vida doméstica, a vida atinente à reprodução.

O Movimento aponta a sociedade patriarcal, com seu caráter hierárquico, assentado na família, como reprodutora da ideologia dominante na sociedade. Entretanto, queimados os sutiãs nas fogueiras, as mulheres da camada média, predominantes nas lutas pelos direitos civis, especialmente as norte-americanas, voltam-se para suas vidas não atendendo às necessidades e aspirações da classe operária de libertação da exploração e opressão.

Leia o artigo completo no link: https://drive.google.com/drive/folders/1RCpBXBqrdG_FUFdu8WYE-IQxUMpBvrTE?usp=sharing

02 a 06 DE MARÇO DE 1919 – CONGRESSO DE FUNDAÇÃO DA INTERNACIONAL COMUNISTA


Congresso de fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores em Londres em 1864

A INTERNACIONAL COMUNISTA, fruto da vitória da Revolução Socialista de Outubro na Rússia (1917), respondeu à necessidade de coordenação e unidade do movimento operário revolucionário internacional. A IC foi uma contribuição importante no apoio e fortalecimento dos partidos comunistas em todo o mundo, mostrou solidariedade internacionalista desinteressada para com os povos oprimidos na luta concreta, como no caso da criação das “Brigadas Internacionais” ao lado do Exército Republicano da Espanha (1936-1938). A IC ofereceu apoio generalizado aos lutadores perseguidos em todo o mundo, levou a cabo uma atividade editorial e educativa, organizando escolas de quadro sobre a teoria revolucionária do marxismo-leninismo, além de operar redes para compartilhar informações políticas, que também incluía os jornalistas.


Os problemas e contradições na estratégia da IC que afetaram negativamente todos os partidos comunistas não negam sua contribuição ao Movimento Comunista Internacional. O legado da IC e o estudo de sua experiência são valiosos hoje para o reagrupamento do Movimento Comunista Internacional e para a elaboração de uma estratégia revolucionária unificada contra o poder capitalista.

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Por um Estado Palestino Popular Democrático

Somos Todos Palestinos (*)

O primeiro Congresso Sionista Mundial, realizado em 1897, decidiu criar um Estado judaico sobre a Palestina, país que após a primeira guerra mundial passou da condição de dominado pelo Império Otomano a de Protetorado Inglês. O movimento sionista, que até aqui não tinha a hegemonia sobre a massa de trabalhadores judeus, é adotado e incorporado pela burguesia judaica como o seu grande projeto ideológico e estrutural.

Esse novo caráter de classe do movimento sionista facilitou o passo para conformar uma aliança estratégica com uma nação imperialista, que garantisse politicamente o Projeto, à época a Inglaterra. De 1882 (logo, quinze anos antes do maldito congresso) até o ano de 1914, em torno de 2,5 milhões de judeus fugiram da Europa, mas menos de 40 mil foram para a Palestina, os judeus russos que fugiram dos pogroms.)

A conjuntura não poderia ser melhor: Os países imperialistas estavam em plena disputa e na corrida da expansão colonial. O sionismo estava a calhar para os planos imperialistas da Inglaterra no Oriente Médio. A Inglaterra necessitava garantir a manutenção do território conquistado aos otomanos e liquidar o movimento nacional árabe que resistia sob forte influência da Revolução Russa.

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Participantes do Projeto “PADRIM” da FDR

Participantes do projeto “PADRIM”, adimplentes, com contribuição mensal igual, ou superior, a R$ 25,00 reais, além de contribuírem com a manutenção do trabalho da Fundação Dinarco Reis, tem direito a isenção de taxas de cursos e, ou mensalidades, promovidos pela nossa entidade!

Se você tem desejo de participar gratuitamente do nosso mais novo curso: “Crítica da Geopolítica Contemporânea: elementos para uma perspectiva anti-imperialista”, e se enquadra nas condições descritas acima, basta preencher o formulário abaixo para ser contemplado com a isenção da taxa única de inscrição no curso.

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A questão agrária e a hegemonia do capital no campo

Por Gabriel Colombo [1]

Publicado anteriormente em https://pcb.org.br/portal2/28353/a-questao-agraria-e-a-hegemonia-do-capital-no-campo/

O elemento central da questão agrária contemporânea é a hegemonia do capital no campo. É o desenvolvimento do capitalismo na produção agropecuária, florestal e mineral que impõe a dinâmica dos conflitos por terra, ambientais e nas relações sociais de trabalho. A compreensão deste problema exige o estudo da modernização da grande propriedade de terra, da diferenciação do campesinato, da renda da terra e das expropriações.

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KKE: a luta de classes no Cazaquistão

A luta de classes não pode ser aviltada. Ela foi e continuará sendo o motor do desenvolvimento social.

Artigo de Georgios Marinos, membro do Politburo do Partido Comunista da Grécia (KKE), sobre a situação no Cazaquistão

Tradução de Matheus Gusev

Militante da UJC

As grandes greves e manifestações massivas dos trabalhadores que abalaram o Cazaquistão no início do ano mostraram que, mesmo diante de uma contrarrevolução, de uma perseguição brutal, de leis draconianas sobre direitos políticos e sindicais, da proibição de 600 sindicatos, assim como os partidos e organizações comunistas, as contradições sociais permeiam todas as esferas da vida e podem escalar quando as condições certas são criadas, assumem formas agudas e se transformam em um conflito social entre a classe trabalhadora e a burguesia, confirmando que mudanças tão esperadas podem rapidamente ocorrer em pouco tempo. A luta de classes, sendo a força motora do desenvolvimento social, tem uma base objetiva e reflete o choque de interesses irreconciliáveis entre exploradores e explorados. Foi isso o que vimos no Cazaquistão, localizado em uma região de grande importância estratégica e desempenha um papel importante na economia global. Tem acesso ao Mar Cáspio, possui enormes reservas de hidrocarbonetos, incluindo reservas significativas de petróleo e gás, bem como urânio e ouro, etc., além de ser responsável por 70% do PIB dos países da Ásia Central.

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