
FDR
As origens da UDN: composição social e discurso político

Anderson Deo, Marina Olinda Calori de Lion
O artigo apresenta a atuação política das frações sociais que deram origem à União Democrática Nacional (UDN), no contexto histórico de sua criação. Para compreender o processo que deu origem a UDN, pretendemos analisar o período da República Velha (1889-1930). Fundamentalmente, o domínio político-econômico concentrado pelos grandes proprietários de terras e todo arcabouço político-institucional que garantia sua hegemonia. A hipótese aqui levantada indica que a UDN condensou uma proposta particular de liberalismo no Brasil, onde articulava politicamente um projeto liberal modernizante, mas com forte conteúdo social e econômico que garantiam a continuidade do domínio da burguesia agrária em desenvolvimento no país. Dessa forma, o projeto político-econômico da UDN expressaria um caráter dual do liberalismo, na medida em que articula o historicamente velho (agrarismo), com o historicamente novo (industrialismo).
Leia maisCaio Prado Júnior: uma biografia política

Sofia Manzano – Professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e membra do Comitê Central do PCB
Caio Prado Jr. foi um intelectual com extensa obra publicada, tanto por ele próprio – com seus livros e artigos – como por pesquisadores de sua vida intelectual, com a publicação de suas cartas, diários políticos, teses e ensaios. Também suscitou debates que obrigaram outros autores a lhes confrontar as ideias, sugestões e teses.
Leia maisCinco teses sobre a formação social brasileira

(notas de estudo guiadas pelo pessimismo da razão e uma conclusão animada pelo otimismo da prática)
Mauro Luis Iasi – Doutor em sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), professor associado da UFRJ e membro do Comitê Central do PCB
O artigo se fundamenta nos estudos realizados junto ao PPGSS da ESS da UFRJ, através do Nepem (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas) e apresenta cinco teses sobre a formação social brasileira diante do encerramento do ciclo histórico aberto pela crise da autocracia burguesa no final da década de 1970. Trata da manutenção das determinações da chamada via prussiana e suas consequências para a forma do Estado burguês no Brasil, para a dinâmica da luta de classes, a luta por direitos e o papel do Serviço Social nessa nova etapa que se abre.
Leia maisMarx e Engels como estudiosos das relações internacionais no século XIX

Muniz Gonçalves Ferreira – Professor de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), membro do Comitê Central do PCB e da diretoria da Fundação Dinarco Reis
Neste texto relatamos a produção intelectual de Karl Marx e Friedrich Engels dedicada aos temas da vida internacional por meio de sua correspondência jornalística. Discordamos daqueles que negam a existência de uma reflexão autônoma marxiano-engelsiana sobre a temática, que demonstram desconhecer, ou pelo menos desprezar, esta parte da obra dos dois autores alemães. É o caso claro de Kernig, Aron, Bobbio, Kubálková e Cruishank. Alinhamo-nos a autores como Salomon Bloom, Kostas Papaioannou e Miklós Molnár, que admitem e resgatam tal produção, debruçando-se sobre o volumoso acervo de artigos internacionais publicados pelos dois amigos nas páginas jornalísticas, sobretudo do periódico norte-americano New York Daily Tribune. Justamente nestas páginas Marx e Engels desempenham, ao longo de mais de uma década, a condição de analistas das relações internacionais.
Leia maisO profeta e Black Power: Trotsky sobre raça nos Estados Unidos

Christian Høgsbjerg – Professor da School of Humanities and Social Sciences, University of Brighton, Brighton, Reino Unido e autor de C.L.R. James in Imperial Britain.
Os críticos mais radicais de Leon Trotsky têm frequentemente feito a afirmação de que ele não entendeu a questão racial. Este artigo não pretende sugerir que Trotsky tenha dado qualquer tipo de “resposta revolucionária à questão do negro”, mas simplesmente tenta defendê-lo das acusações levantadas contra ele: oportunismo político e rude filisteísmo. Argumenta-se que, apesar das inevitáveis limitações e deficiências em alguns pontos, Trotsky demonstrou, de modo geral, uma simpatia instintiva e um desejo aguçado por uma compreensão mais profunda da luta de libertação negra no país, combinados com uma imaginação característica de um dos maiores revolucionários da tradição marxista clássica.
Leia maisA economia política do Brasil e seu mestre soberano

LEDA PAULANI
O historiador marxista Caio Prado Júnior faleceu neste dia em 1990. Sua obra nos ajuda a entender a articulação entre dependência externa e exploração interna e desvendar como a atual estrutura de classes brasileira herdou o passado colonial após a independência e a abolição – resultando de um lado uma minoria proprietária e de outro uma grande massa trabalhadora.
Leia maisUm jornalista combatente: Clóvis Moura, Flama e a política cultural do PCB (1951-1952)

Teresa MALATIAN. Professora Titular do Programa de Pós-graduação em História, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Estadual Paulista – UNESP, campus de Franca.
Clóvis Moura (1925-2003) tem sido estudado por suas obras mais conhecidas de História e Sociologia, algumas delas hoje com o estatuto de clássico, como Rebeliões da Senzala. No entanto, uma importante dimensão de sua atividade intelectual, a de jornalista, permanece obscura, apesar de relevante. Neste artigo, pretende-se abordar a revista Flama, por ele criada e dirigida na cidade de Araraquara (SP), no âmbito da política de Frente Cultural desenvolvida pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). De duração efêmera (1951-1952), a publicação merece destaque tanto por seu conteúdo alinhado com o partido como pela relevante rede de sociabilidades intelectuais e políticas construídas pelo seu criador e diretor. Um terceiro aspecto refere-se à repressão policial que motivou, acessada por meio dos prontuários do DEOPS-São Paulo.
Leia maisCurso de Introdução a Friedrich Engels

A Fundação Dinarco Reis oferece o Curso de Introdução a F. Engels, a ser ministrado durante o mês de janeiro/2025 por José Paulo Netto, em quatro sessões de trabalho (duração de 3 horas cada) às quartas, das 19:00 às 22:00, nos dias 08, 15, 22 e 29 de janeiro de 2025, na Plataforma Even3.
Leia maisUma crítica da ideologia do racismo

Rian Rodrigues – Doutorando no PPGSS-UFRJ. Professor de Educação Física do IFF. Coordenador do NEABI IFF Cambuci.
O racismo é para nós uma ideologia. O fato de a ideologia ter se tornado um dos conceitos mais polissêmicos que conhecemos, não impediu a consolidação de uma forte tradição teórica de tratar o racismo enquanto uma ideologia. A partir disso, iremos apresentar uma interpretação particular da ideologia, buscando o caminho traçado por Marx e Engels, para pensar sobre o racismo, o que chamaremos de ideologia do racismo. Se ideologia é expressão ideal de uma base material, o fundamento da ideologia do racismo só poderá ser encontrado em determinadas relações sociais de produção e reprodução da vida.
Leia mais