O 18 BRUMÁRIO DE LUIS BONAPARTE, UMA LEITURA FUNDAMENTAL

Luiz Felipe Oiticicca

Fevereiro de 1848. Na segunda Revolução Francesa, a aliança entre correntes burguesas republicanas e o proletariado derruba Luis Filipe de Orléans e reintroduz a República. Três anos e meio depois, a 2 de dezembro de 1851, Luis Bonaparte – sobrinho de Napoleão e presidente em final de mandato – apoiado pela burguesia e pelos militares, dissolve a Assembleia Legislativa, manipula um plebiscito que ratifica o Golpe de Estado e afoga em sangue a insurreição popular, em Paris. No ano seguinte, outro plebiscito proclama-o Imperador da França, sob o nome de Napoleão III. Serão seis anos de poder absoluto e mais 13, à base de concessões políticas.

Leia mais

LUKÁCS E A ATUALIDADE DO MARXISMO

Ricardo Costa

Georg Lukács nasceu um Budapeste, Hungria, no dia 13 de abril de 1885. Oriundo de família burguesa, recusou-se a seguir a vida dos negócios para dedicar-se ao estudo das artes e da literatura, revelando grande talento para a crítica. Pela Universidade de Budapeste, torna-se doutor em Leis em 1906 e em Filosofia, em 1909. Desenvolve sólida formação humanista, ao conviver com intelectuais do quilate de Béla Bartók, Eugene Varga, Max Weber, Ernst Bloch, Mannheim e outros, sofrendo forte influência da sociologia e da filosofia neokantiana. Aprofundou suas leituras de Marx, Engels e Rosa Luxemburgo após a Revolução de Outubro de 1917. No ano seguinte, entusiasmado com as possibilidades do processo revolucionário mundial, ingressou no Partido Comunista da Hungria. Em março de 1919, eclode a revolução húngara e é proclamada a República Proletária dos Conselhos, a Comuna Húngara, sob a liderança de Béla Kun. Lukács é designado vice-comissário do Povo para a Cultura e a Educação Pública, realizando profunda reforma educacional, socialização das editoras e abertura dos museus e teatros aos trabalhadores. Em agosto, porém, as tropas fascistas de Horthy massacram a experiência socialista na Hungria (5.000 pessoas executadas, 75.000 presas e 100.000 forçadas ao exílio) e obrigam o PC a atuar na clandestinidade.

Leia mais

ANTONIO GRAMSCI E A CONSTRUÇÃO DA NOVA HEGEMONIA

Ricardo Costa

A contribuição teórica do pensador marxista italiano Antonio Gramsci destaca-se por sua concepção dialética da história, ao privilegiar o estudo dos conflitos no processo histórico, evidenciando o papel ativo do sujeito na construção das relações humanas e na promoção das mudanças sociais. Compreendendo a divisão da sociedade em dominantes e dominados como resultado de um processo histórico de lutas, não natural, portanto, rechaça toda tentativa de explicar a dominação como um fenômeno perene e previamente dado, fundado na pretensa existência de uma “vontade de poder” ou de “prestígio” inerente aos homens e às nações, uma explicação tautológica e a-histórica a querer constatar, de forma acrítica, a ideia de o poder ser algo enraizado na “natureza humana”, conforme defendiam os pensadores tradicionais da política, os chamados “teóricos das elites”. Para um estudo aprofundado das relações de poder, o revolucionário italiano entendia ser necessária uma crítica inscrita na análise da totalidade histórica. Resgatando-se o princípio marxiano de totalidade, a perceber a realidade como a síntese de múltiplas determinações, a esfera política não pode ser pesquisada isoladamente do conjunto das relações sociais.

Leia mais

DECLARAÇÃO SOBRE A POLÍTICA DO PCB (MARÇO DE 1958)

O processo de desenvolvimento económico do Brasil

Modificações importantes têm ocorrido, durante as últimas décadas, na estrutura econômica que o Brasil herdou do passado, definida pelas seguintes características: agricultura baseada no lati­fúndio e nas relações pré-capitalistas de trabalho, predomínio maciço da produção agropecuária no conjunto da produção, exportação de produtos agrícolas como eixo de toda a vida económica, dependência da economia nacional em relação ao estrangeiro, através do comércio exterior e da penetração do capital monopolista nos postos-chave da produção e da circulação.

Leia mais

A REVOLUÇÃO CUBANA

Zuleide Faria de Mello

I – DE MARTÍ A FIDEL

“A força do Partido Revolucionário Cubano emana do Espírito que o move, que brota em todas as partes, que não é obra de um só homem, nem sua ação resulta da cabeça de algum iluminado, militar ou civil, que sonhe com a imortalidade, que busque apoio complacente para suas veleidades ou a glória futura no meio dos seus concidadãos, mas que representa todos os cubanos livres que queiram reedificar o país e encontrar a melhor e menos cruenta forma de libertá-lo”.

(José Martí, Lançamento do Partido Revolucionário Cubano. Nova York, 17 de abril de 1892)

Leia mais

Dinarco Reis, o Tenente Vermelho

No dia 22/07/1904, nascia Dinarco Reis, no Rio de Janeiro, então capital do País, no bairro de Vila Isabel, na Praça que hoje é chamada de Barão de Drumont. Seu pai era afinador de pianos e sua mãe seguia a regra da mulher da época, cuidando dos afazeres domésticos. Cedo, o casal se separou. Por causa da pobreza em que sua mãe ficou, adoeceu e foi levado, ainda menino, para Belo Horizonte pelos tios, que o criaram. Era no início do século. Governava o Brasil, em 1904, Rodrigues Alves.

Se a infância apresentara obstáculos ao jovem carioca, a mocidade os agravou. Precocemente, teve que trabalhar: já aos 14 anos, sustentava-se como eletricista. Apesar das dificuldades, conseguiu fazer o curso primário.

Leia mais

FUNDAÇÃO DINARCO REIS:

Criada no ano 2000 para auxiliar o Partido Comunista Brasileiro (PCB) na realização de pesquisas científicas, estudos econômicos, políticos, sindicais e sociais, manter publicações e órgãos de comunicação e promover cursos, seminários e outros eventos correlatos, com a finalidade de difundir a doutrina e os postulados adotados pelo PCB, a Fundação Dinarco Reis está localizada no Rio de Janeiro e é presidida por Dinarco Reis Filho, também membro do Comitê Central do PCB.

Leia mais