Heitor Cesar Oliveira
O grande organizador teórico, político e ideológico do Movimento Comunista Internacional (MCI), que veio a se tornar hegemônico no século XX, foi Vladimir Lênin, dirigente da seção bolchevique da social democracia russa6. Lênin rompeu com o marxismo oficial de sua época e, em seu lugar, ergueu um novo corpo de ação revolucionária. Para tal, buscou a legitimidade nas próprias obras de Marx e Engels, que, segundo Lênin, foram deturpadas ou manipuladas numa “pescaria de citações” descontextualizadas, a fim de justificar o desvio oportunista e reformista do marxismo.
Uma das questões centrais que nutriram essa polêmica foi o papel do Estado no processo revolucionário como espaço e ator das mudanças. Lênin buscou, nas teses de Marx e Engels, elementos que justificam uma retomada da ação subjetiva no interior do movimento operário para a tomada do Estado, assim como a sua transformação de aparelho de domínio das burguesias num instrumento de dominação da classe operária.
Marcos Cassin
Anita Leocádia Prestes
Ricardo Costa (Rico) – Comitê Central do PCB
Em abril de 1960, o Comitê Central do PCB lançou as teses do V Congresso, abrindo as páginas do Jornal Novos Rumos para a Tribuna de Debates, que exporia as diferentes opiniões da militância partidária. O debate demonstrou, centralmente, a divergência que punha, de um lado, o núcleo dirigente hegemônico (formado em torno dos principais formuladores das teses antes expostas na Declaração de Março de 1958: Prestes, Giocondo Dias, Marighella, Jacob Gorender, Mário Alves, Armênio Guedes, etc) e, de outro, o grupo que recusou toda e qualquer crítica ao período de Stalin durante o processo de discussão instaurado no Partido após a divulgação do informe do XX Congresso do PCUS (Maurício Grabois, Pedro Pomar, João Amazonas e outros). Este grupo, minoritário no interior do PCB, seria derrotado no V Congresso e fundaria o PC do B dois anos depois. Também apareceram, durante as discussões em torno das teses, divergências aparentemente secundárias, por não representarem no fundo antagonismo aberto com a linha nacional-democrática, como os questionamentos de Caio Prado Júnior e de Elias Chaves Neto quanto às análises sobre a realidade brasileira e seus desdobramentos políticos.
Afonso Costa
José Paulo Netto
José Paulo Netto
As Revoluções do século XIX e a poesia do futuro1