O Estado e a Revolução: Lênin, a construção socialista e o papel do Estado

Heitor Cesar Oliveira

O grande organizador teórico, político e ideológico do Movimento Comunista Internacional (MCI), que veio a se tornar hegemônico no século XX, foi Vladimir Lênin, dirigente da seção bolchevique da social democracia russa6. Lênin rompeu com o marxismo oficial de sua época e, em seu lugar, ergueu um novo corpo de ação revolucionária. Para tal, buscou a legitimidade nas próprias obras de Marx e Engels, que, segundo Lênin, foram deturpadas ou manipuladas numa “pescaria de citações” descontextualizadas, a fim de justificar o desvio oportunista e reformista do marxismo.

Uma das questões centrais que nutriram essa polêmica foi o papel do Estado no processo revolucionário como espaço e ator das mudanças. Lênin buscou, nas teses de Marx e Engels, elementos que justificam uma retomada da ação subjetiva no interior do movimento operário para a tomada do Estado, assim como a sua transformação de aparelho de domínio das burguesias num instrumento de dominação da classe operária.

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O papel do Partido como agente de educação: uma concepção Marxista−Leninista

Marcos Cassin

A educação política revolucionária da classe operária é um dos elementos para a tomada de consciência de classe e de que seus interesses são opostos ao da burguesia, que sua emancipação só será possível com a destruição da sociedade capitalista e a construção do socialismo através da revolução. Mas como organizar a classe operária do ponto de vista político? Como superar as reivindicações restritas às condições de trabalho e melhores salários? Como o operariado deve agir taticamente para alcançar seus objetivos estratégicos?

As ideias de Marx, Engels como as de Lênin, são os pilares teóricos no qual se sustentam os Partido Comunistas, sendo o último quem melhor deixou sistematizado o problema do Partido Político da classe operária. Como se devem organizar, quais seus objetivos táticos e estratégicos como se deve conduzir nas alianças políticas e no seu papel conscientizador da classe operária e das massas, ou seja, seu papel educador.

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Boitempo lança “Do marxismo ao pós-marxismo?”

Título: Do marxismo ao pós-marxismo?

Título Original: From marxism to post-marxism?

Autor(a): Göran Therborn

Prefácio: orelha: Ruy Braga

Tradutor(a): Rodrigo Nobile

Páginas: 160

Ano de publicação: 2012

ISBN: 978-85-7559-166-6

Preço: R$ 39,00

Planejado como um mapa e uma bússola, Do marxismo ao pós-marxismo?, do sociólogo sueco Göran Therborn, é uma tentativa de entender as mudanças sociais e intelectuais entre os séculos XX e XXI. Não tem a pretensão de ser uma história das ideias, mas apresenta propósitos bem claros: situar os espaços de pensamento e as práticas da esquerda; analisar a trajetória do marxismo no século XX; antecipar seu legado para o pensamento radical no século XXI.

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Sobre a Declaração de Março de 1958

Anita Leocádia Prestes

A partir da aprovação da “Declaração de Março” de 1958 pela direção do PCB, os comunistas brasileiros adotam uma nova orientação política. O objetivo tático do partido passa a ser a conquista de um governo nacionalista e democrático através do processo eleitoral e da pressão de massas, excluída a via armada prevista anteriormente nos documentos do PCB. No artigo são apresentadas e apreciadas criticamente as vicissitudes do partido na luta pela realização de tais objetivos durante a segunda metade do governo de Juscelino Kubitschek e os sete meses de Jânio Quadros no poder.

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PCB: Dos anos de formação à Declaração de Março

Ricardo Costa (Rico) – Comitê Central do PCB

Na conjuntura dos anos 1950, a proposta de “união nacional” com a burguesia foi retomada para se consolidar, daí por diante, no PCB, como parte fundamental do projeto de revolução democrático-burguesa, associado ao processo de pleno desenvolvimento das forças produtivas no país e a consequente superação dos resquícios “semifeudais” e “semicoloniais”, processo este entendido como condição necessária à passagem para o socialismo. A Declaração de Março de 1958, conforme será visto a seguir, reforçaria a ideia central segundo a qual as contradições básicas existentes na sociedade brasileira, naquele momento específico da história, dar-se-iam entre o conjunto da nação, de um lado, e o imperialismo estadunidenses, de outro; entre as forças produtivas em desenvolvimento, de um lado, e as relações de produção semifeudais e semicoloniais predominantes no campo, de outro. Daí que a contradição entre capital e trabalho, sempre apontada pelos clássicos do marxismo como a contradição fundamental no capitalismo, não fosse vista como a mais premente naquela “etapa”, muito menos a sua solução radical.

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Texto introdutório à Tribuna de Debates do V Congresso do PCB

Em abril de 1960, o Comitê Central do PCB lançou as teses do V Congresso, abrindo as páginas do Jornal Novos Rumos para a Tribuna de Debates, que exporia as diferentes opiniões da militância partidária. O debate demonstrou, centralmente, a divergência que punha, de um lado, o núcleo dirigente hegemônico (formado em torno dos principais formuladores das teses antes expostas na Declaração de Março de 1958: Prestes, Giocondo Dias, Marighella, Jacob Gorender, Mário Alves, Armênio Guedes, etc) e, de outro, o grupo que recusou toda e qualquer crítica ao período de Stalin durante o processo de discussão instaurado no Partido após a divulgação do informe do XX Congresso do PCUS (Maurício Grabois, Pedro Pomar, João Amazonas e outros). Este grupo, minoritário no interior do PCB, seria derrotado no V Congresso e fundaria o PC do B dois anos depois. Também apareceram, durante as discussões em torno das teses, divergências aparentemente secundárias, por não representarem no fundo antagonismo aberto com a linha nacional-democrática, como os questionamentos de Caio Prado Júnior e de Elias Chaves Neto quanto às análises sobre a realidade brasileira e seus desdobramentos políticos.

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Que Fazer?: um marco na teoria revolucionária

Afonso Costa

O mundo nunca mais foi o mesmo. A publicação de “Que Fazer?” em março de 1902 “marca uma nova etapa que deixa tudo pra trás. De sua edição em diante, a Rússia não seria o cenário da transmutação pura e simples do marxismo em movimento revolucionário triunfante. Nascia o marxismo-leninismo como teoria revolucionária e como prática revolucionária organizada”, definiu Florestan Fernandes na sua apresentação desta grande obra de Lênin em uma coleção organizada pelo próprio historiador durante a ditadura militar no Brasil, intitulada “Pensamento Socialista”.

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Introdução ao método da teoria social

José Paulo Netto

A questão do método é um dos problemas centrais (e mais polêmicos) da teoria social – demonstra-o o esforço dos clássicos das ciências sociais: não foi por acaso que Durkheim (1975) se ateve à construção de um método para a sociologia e que Weber (1992, 2000), além de se ocupar da conceptualização das categorias sociológicas, escreveu largamente sobre metodologia. Por isto mesmo, toda aproximação séria a tais ciências implica um esforço de clarificação metodológica (FERNANDES, 1980). E não é casual que sempre que elas foram objeto de questionamento, o debate metodológico esteve em primeiro plano – assim ocorreu, por exemplo, quando se tornou visível, nos anos 1970, a crise da sociologia acadêmica (GOULDNER, 2000; MORIN, 2005; GIDDENS, 1978), e assim voltou a verificar-se quando, já aprofundada esta crise, as ciências sociais desenvolveram explicitamente a discussão sobre os “paradigmas” (SANTOS, 1989, 2000).

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