Lenin, cujo nome verdadeiro era Vladimir Illytch Ulianov, nasceu na cidade de Simbirsk (rebatizada em sua homenagem Ulianovsky, em 1924) no dia 22 de abril de 1870. Faleceu em 21 de janeiro de 1924, portanto, há exatos 100 anos.
Hermínio Linhares – Jornal Novos Rumos 13 a 19 de março de 1959, página 08. (vol. 003)
Transcrito por Guilherme Martins – Membro do Comitê Central do PCB e militante em GO
Em diversos países, o Partido Comunista se originou de cisões nos antigos partidos socialistas da II Internacional. No Brasil, nenhum dos partidos socialistas que existiram em 1892, 1895. 1902, 1911 e 1919 tiveram forças ponderáveis, nem contaram com líderes de grande influência, capazes de se impor às massas; não eram partidos ligados ao movimento operário e jamais foram dirigentes de movimentos de amplitude.
Na minha curta trajetória como militante, pude perceber que uma velha dúvida continua viva nos debates entre pessoas de esquerda, principalmente entre aquelas que se aproximaram das lutas sociais recentemente: é preciso necessariamente estar em um partido comunista para me considerar comunista e revolucionário(a)? Essa dúvida provoca uma outra cuja resposta é central para refletir sobre a primeira: nós precisaremos de um partido para organizar o processo revolucionário?
Há quem se coloque como marxista e responda negativamente às duas perguntas, acreditando que outros instrumentos de luta e organização terão um papel mais decisivo do que os partidos num processo revolucionário no Brasil. Acredito que sim, os partidos comunistas que existem hoje, cedo ou tarde, terão um papel central na luta de classes e, para melhor dirigir o processo revolucionário, é fundamental que os trabalhadores os procurem.
A questão do partido enquanto principal instrumento já foi debatida por respeitáveis revolucionários(as) no decorrer da história. É correto dizer que o debate sobre organização é um dilema universal da classe trabalhadora. É importante revisitar alguns clássicos, assim como atualizar essa discussão com base nos acontecimentos e situações contemporâneas.
Um dos motivos que me faz elaborar este escrito é o interesse em abrir o debate com os apartidaristas, com os não-leninistas e com outras correntes que subestimam a importância dos partidos comunistas; pois, quando eles se referem aos partidos, o fazem com desprezo, citam os partidos nominalmente e às vezes gozam de grande visibilidade na internet. Isso influencia no debate público. É necessário um contraponto.
Nas reflexões deste texto, busco demonstrar que defender a continuidade da luta revolucionária à margem dos partidos vai na contramão do posicionamento de Marx, Engels e alguns de seus seguidores mais destacados, sem deixar de considerar a contribuição e o papel organizador que as ações espontâneas cumprem no curso da luta de classes. Também analisarei alguns posicionamentos apartidaristas, seus limites e suas contradições.
O debate sobre a participação da classe operária nas eleições
Na Europa, a classe operária iniciou seu processo de participação nas eleições e no Parlamento desde, ao menos, 1848, com a Primavera dos Povos, ocasião em que alguns nomes célebres do movimento operário tiveram a oportunidade de exercer cargos no legislativo, como por exemplo, Pierre Joseph Proudhon. Entre 1884 e 1896, este processo aumentou significativamente com a fundação dos partidos social-democratas e trabalhistas, que em geral, defendiam a participação eleitoral e parlamentar dos trabalhadores tanto para propagandear o socialismo quanto para conseguir medidas imediatas de bem-estar para a classe operária. Entretanto, o assunto sempre foi objeto de polêmica, dividindo posições dentro do movimento operário entre aqueles que viam no Parlamento um campo estratégico da luta política e aqueles que condenavam veementemente a participação no Parlamento burguês (PZEWORSKI, 1984, P. 44).
Os seguintes trechos foram retirados do discurso de Clara Zetkin feito no Quarto Congresso da Internacional Comunista em novembro de 1922. À época, ela era a representante alemã no Comitê Executivo da Internacional, e Secretária Geral do Secretariado Internacional das Mulheres.
O Quarto Congresso aconteceu em um momento de recuo diante dos ataques da classe patronal, depois da derrota da onda revolucionária que varreu a Europa no fim da Primeira Guerra Mundial. A Frente Unida e o trabalho maciço eram agora as estratégias necessárias.
Apesar das circunstâncias históricas serem bem mais diferentes hoje, os argumentos levantados por Zetkin ainda são válidos porque a questão de como alcançar e organizar as mulheres da classe trabalhadora está mais uma vez na agenda.
Os quarenta anos, desde o início da década de 20 à década de 60, viram quase por completo a extinção das ideias socialistas revolucionárias. Na atmosfera criada pelo stalinismo, as ideias de combate ao fim da opressão das mulheres e a busca ativa à organização destas não tinham lugar. Somente com os ataques de 1968, a explosão do movimento estudantil, e as imensas possibilidades que se abriram às organizações revolucionárias, o movimento das mulheres começou a se desenvolver novamente. A maioria dos socialistas revolucionários evitou o debate. Eles se opuseram a se envolver no movimento das mulheres, as vendo como uma classe média ao invés de elaborar uma estratégia para envolvê-las e organizá-las entre as mulheres da classe trabalhadora. Agora as mulheres estão na linha de frente de ataque à crise econômica. E com milhares de mulheres enraivecidas com a perspectiva de desemprego, sendo negadas a salários e trabalhos iguais, se posicionando em grande número contra os cortes e fechamentos, os socialistas têm de encontrar uma forma de as trazerem às ideias revolucionárias. Inevitavelmente, algo é perdido ao encurtar um discurso bastante longo. No entanto o cerne do argumento está aqui. A ideia central que Clara Zetkin levantou é tão pertinente hoje quanto era em 1922.
Camaradas, antes de iniciar meu relatório das atividades do Secretariado Internacional das Mulheres e o desenvolvimento da atividade comunista entre as mulheres, permita-me alguns breves comentários. Eles se fazem necessários porque nosso trabalho ainda é incompreendido não apenas pelos nossos oponentes, mas também por nossos próprios camaradas. É resquício de uma antiga visão para uns e um preconceito deliberado para outros, porque não se simpatizam com a nossa causa e até, em partes, se opõem a ela.
O Secretariado Internacional das Mulheres é uma filial do Executivo da Internacional Comunista. Conduz sua atividade não somente em uma cooperação constante com o Executivo, mas sob sua liderança direta. O que, em regra, designamos como o Movimento das Mulheres Comunistas não é um movimento independente de mulheres. Ele existe como propaganda comunista sistemática entre estas. Isso tem um duplo propósito: Primeiro, incorporar dentro das seções nacionais da Internacional Comunista aquelas mulheres que já estão tomadas pelo ideal comunista, tornando-as cooperadoras conscientes na atividade dessas sessões. Segundo, despertar para o ideal comunista as mulheres indiferentes e atraí-las para as lutas do proletariado. As massas das mulheres trabalhadoras devem ser mobilizadas para essas lutas. Não há trabalho no Partido, não há luta de movimento em nenhum país em que nós, mulheres, não consideramos como nosso primeiro dever participar. Além disso, desejamos ocupar nosso lugar nos Partidos Comunistas e na Internacional em que o trabalho é mais árduo e as balas voam mais densas, sem desviar do trabalho mais servil e modesto do dia a dia.
Uma coisa se tornou evidente: necessitamos de órgãos especiais para levar adiante o trabalho Comunista de organização e educação entre as mulheres e torná-las parte da vida do Partido. Agitação Comunista entre as mulheres não é somente tarefa delas, é tarefa de todo o Partido Comunista de cada país, da Internacional Comunista. Para cumprir nosso propósito é necessário criar órgãos partidários, Secretarias das Mulheres, Departamento das Mulheres, ou como quer que possamos chamá-los, para continuar esse trabalho.
O Partido Comunista Brasileiro (PCB) foi fundado em março de 1922, uma data simbólica para o povo brasileiro porque em 1922 se comemorava o centenário da independência do Brasil, emergia a Semana da Arte Moderna e ocorria o primeiro levante tenentista, episódios marcantes na história do País. Mas acima de tudo a formação do PCB naquele ano foi resultado das lutas populares que surgiram a partir da revolução soviética de 1917, ano em que foi realizada a primeira greve geral no País, e que prosseguiram ao longo da década de 20. Essas lutas eram lideradas pelos anarquistas e também tinham influência do sindicalismo reformista, duas tendências históricas que dirigiam o movimento operário no Brasil. Vale lembrar ainda que nesse período o Brasil tinha uma economia agrário-exportadora, baseada principalmente nas exportações de café, com uma industrialização incipiente, baseada em pequenas fábricas e oficinas e, consequentemente, um proletariado ainda em formação.
*Contribuição ao XIV Congresso do Partido Comunista Brasileiro
MERCEDES LIMA
Mercedes Lima
PEQUENO HISTÓRICO: O MOVIMENTO FEMINISTA
MOVIMENTO FEMINISTA – ÚLTIMAS DÉCADAS
Podemos dividir o Movimento Feminista e o de Mulheres no Brasil e no mundo, em três grandes e bem definidos momentos após o sufragista do século XIX e primeiras décadas do XX, sempre lembrando que o movimento feminista brasileiro não acontece isolado, alheio ao contexto mundial. No nosso país as organizações de mulheres, sob influência e orientação do Partido Comunista Brasileiro, tiveram uma razoável capacidade de articulação e mobilização no campo popular ( luta pela moradia, saúde, transporte e creches), das artes e da cultura até a ditadura militar.
Ressurge o movimento, na década de sessenta, após um curto período de desmobilização, no contexto dos movimentos contestatórios de então, mostrando o caráter político da opressão, colocando a mulher no espaço público, defendendo sua libertação sexual, portanto, do próprio corpo, quando pela primeira vez o sexo não aparece ligado à maternidade. Com o uso do anticoncepcional pode-se ter a atividade sexual sem culpa e sem preocupação com a geração de filhos.
Ainda que de forma extremamente precária a mulher volta ao mercado de trabalho, de forma definitiva, já que tentativas anteriores fracassaram, como logo após a Revolução Industrial e mesmo após a primeira guerra mundial, em que pese ter sido grande, por exemplo, o contingente feminino brasileiro na produção social, nas duas primeiras décadas do século XX, especialmente na indústria têxtil. Para essa inserção, foram necessárias condições objetivas, tais, quais, a necessidade do capital de mais força de trabalho, a luta pelas creches, postos de saúde, e há quem diga que também por conta da existência dos chamados produtos de linha branca (geladeiras, máquinas de lavar, etc), que, ao menos para a camada média da população que então surgia, facilitava a vida doméstica, a vida atinente à reprodução.
O Movimento aponta a sociedade patriarcal, com seu caráter hierárquico, assentado na família, como reprodutora da ideologia dominante na sociedade. Entretanto, queimados os sutiãs nas fogueiras, as mulheres da camada média, predominantes nas lutas pelos direitos civis, especialmente as norte-americanas, voltam-se para suas vidas não atendendo às necessidades e aspirações da classe operária de libertação da exploração e opressão.
Leia o artigo completo no link: https://drive.google.com/drive/folders/1RCpBXBqrdG_FUFdu8WYE-IQxUMpBvrTE?usp=sharing
Congresso de fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores em Londres em 1864
A INTERNACIONAL COMUNISTA, fruto da vitória da Revolução Socialista de Outubro na Rússia (1917), respondeu à necessidade de coordenação e unidade do movimento operário revolucionário internacional. A IC foi uma contribuição importante no apoio e fortalecimento dos partidos comunistas em todo o mundo, mostrou solidariedade internacionalista desinteressada para com os povos oprimidos na luta concreta, como no caso da criação das “Brigadas Internacionais” ao lado do Exército Republicano da Espanha (1936-1938). A IC ofereceu apoio generalizado aos lutadores perseguidos em todo o mundo, levou a cabo uma atividade editorial e educativa, organizando escolas de quadro sobre a teoria revolucionária do marxismo-leninismo, além de operar redes para compartilhar informações políticas, que também incluía os jornalistas.
Os problemas e contradições na estratégia da IC que afetaram negativamente todos os partidos comunistas não negam sua contribuição ao Movimento Comunista Internacional. O legado da IC e o estudo de sua experiência são valiosos hoje para o reagrupamento do Movimento Comunista Internacional e para a elaboração de uma estratégia revolucionária unificada contra o poder capitalista.
O primeiro Congresso Sionista Mundial, realizado em 1897, decidiu criar um Estado judaico sobre a Palestina, país que após a primeira guerra mundial passou da condição de dominado pelo Império Otomano a de Protetorado Inglês. O movimento sionista, que até aqui não tinha a hegemonia sobre a massa de trabalhadores judeus, é adotado e incorporado pela burguesia judaica como o seu grande projeto ideológico e estrutural.
Esse novo caráter de classe do movimento sionista facilitou o passo para conformar uma aliança estratégica com uma nação imperialista, que garantisse politicamente o Projeto, à época a Inglaterra. De 1882 (logo, quinze anos antes do maldito congresso) até o ano de 1914, em torno de 2,5 milhões de judeus fugiram da Europa, mas menos de 40 mil foram para a Palestina, os judeus russos que fugiram dos pogroms.)
A conjuntura não poderia ser melhor: Os países imperialistas estavam em plena disputa e na corrida da expansão colonial. O sionismo estava a calhar para os planos imperialistas da Inglaterra no Oriente Médio. A Inglaterra necessitava garantir a manutenção do território conquistado aos otomanos e liquidar o movimento nacional árabe que resistia sob forte influência da Revolução Russa.
O povo vem compreendendo quem são os mais furiosos e maiores inimigos do Partido Comunista. As tenebrosas campanhas de ontem não podem ter hoje quase nenhuma repercussão porque foram muito desmoralizadas. Os “imundos papeis Cohen” não podem mais se repetir, grande é a consciência do povo ou melhor, grande é a consciência o mundo para que se veja nos comunistas os inimigos da paz, da liberdade da religião e da família.
Os povos sabem a história dos comunistas na sua luta desigual, obstinada e heroica para manter a paz, afim de evitar o horror desta guerra e sabem que essa luta agora será fundamental para eles, porque é fundamental para todos os homens e mulheres. Sabem que durante a guerra em toda a parte onde o fascismo estendeu as suas garras, foram os comunistas, os homens de vanguarda, de maior sacrifício, os mais resolutos, os mais conscientes do perigo fascista e os mais conscientes da necessidade de destruir o fascismo.
O sacrifício de milhões de comunistas no mundo inteiro na luta contra o fascismo e um fato que os povos não esquecem, um ensinamento para a paz e para a liberdade, um orgulho para a civilização. Foram os primeiros a enfrentar o monstro hitlerista, a aceitar a guerra para vencer o fascismo e conservar as conquistas elementares da democracia. E agora, depois da guerra, a vitória se consolidará com a conquista da paz. E os comunistas se apresentam dispostos a tudo fazer ao lado dos povos para manter a paz, aprofundá-la não só em nome do que a democracia já conquistou, mas do que ela terá ainda e muito a conquistar.