A Fundação Dinarco Reis publica, em primeira mão, texto do camarada Jayme Miranda, dirigente histórico do PCB que, nascido em Maceió, Alagoas, foi assassinado em 1975 pela ditadura, quando fazia parte do Comitê Central do Partido. Trata-se de um manuscrito que seria o primeiro capítulo de um romance que Jayme estava escrevendo em 1953. Nele, descreve a prisão e a tortura que sofreu em 1953, no Recife, com detalhes sobre as condições da prisão e os agentes da repressão, mas enfatizando o seu próprio estado psicológico. A narrativa lembra o livro Memórias do Cárcere de Graciliano Ramos e outros clássicos do gênero. Um aspecto interessante é a intimidade que ele demonstra com a paisagem e as especificidades de Pernambuco, o que expressa o intenso intercâmbio das seções pernambucana e alagoana do partido, que é uma tradição desde as primeiras décadas do século XX, e que remonta mesmo a um intercâmbio do movimento operário anterior à existência do PCB nos dois estados. O texto foi passado ao membro do atual Comitê Central do PCB, Golbery Lessa, por um dos seus netos, que pretende publicá-lo em breve num volume comemorativo.
Autor: Caio Andrade
VI Seminário internacional da UNESP – Teoria Política do Socialismo – Lenin 90 anos depois: Política, Filosofia e Revolução.
VI Seminário Internacional – Teoria Política do Socialismo. “Lenin 90 anos depois: Política, Filosofia e Revolução.”
Data: de 25 a 27 de novembro de 2014.
Local: Universidade Estadual Paulista – Faculdade de Filosofia e Ciência / Marília.
Coordenação Geral:
Anderson Deo
Antônio Carlos Mazzeo
Marcos Del Roio
Entrevista de Leandro Konder ao Blog Algo a Dizer (2007)
Entrevista de Leandro Konder ao Blog Algo a Dizer (2007)
Por Camila Austregésilo, Kadu Machado, Marcelo Barbosa, Paula Pires
“Os liberais são os gigolôs da moderação”
Autor de 24 livros, pensador influenciado pelas obras de Marx, Lukács, Benjamin e Gramsci, o carioca Leandro Konder, 71 anos, considera a literatura e a filosofia experiências fundamentais e definidoras do ser humano.
Em seu último livro “Sobre o amor” (Ed. Boitempo), lançado em 2007, discorre, através de 23 ensaios, sobre as concepções do amor em Sócrates, Camões, Goethe, Freud, Dostoievski, Balzac, Cervantes, Shakespeare, Drummond, Hegel – entre outros.
Nesta entrevista, o autor de “A derrota da dialética” mostra que continua a ser um lúcido, influente e sobretudo bem humorado combatente da causa do socialismo.
ALGO A DIZER – Militância intelectual e política, no seu caso, se confundem. Como se deu o início dessas suas trajetórias política e intelectual?
LEANDRO KONDER – Meu pai era um velho comunista. Via os amigos dele. Circulavam na casa. Diziam coisas engraçadas. Simpatizava, em princípio com eles, mas os achava meio maluquetes.
Depois do 20º Congresso [do Partido Comunista da União Soviética, quando se deu a denúncia, por Kruschev, dos crimes de Stalin – N.E.], meu pai estava tentando segurar as pontas. Um amigo dele foi lá em casa e pegou um resto de discussão entre mim e meu pai. Aí disse: “Valério, Valério, o Leandro tem razão. Porque, Valério, mandar é melhor do que foder.” Achei o cara extraordinário. Alguém lúcido no meio daquela loucura geral.
Com 15 anos entrei no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e fiquei por mais de trinta anos. Entrei no Partidão, como era chamado, depois de 45 – em 50, já estava fazendo campanha pro papai quando ele se candidatou ao senado. Fiquei até a década de 80. Em 81, a gente [os anistiados do golpe de 64 – N.E.] voltou do exterior com a idéia de que o partido iria seguir o caminho que considerávamos correto. Basicamente, o caminho italiano, simplificando. E o partido não seguiu. Ficamos isolados. Aí seguimos caminhos variados.
Eu, primeiro, fui para o PMDB.
Aqui um parêntesis: minha trajetória política é horrorosa. Eu não posso liderar porra nenhuma, porque vai aparecer alguém com boa memória e pode dizer: “Você não é aquele que convocava para o PMDB?”.
Depois que eu saí, disse uma maldade numa entrevista que dei a uma revista e que deixou um amigo – não vou dizer quem – puto comigo. Eu disse: “Entrei para o PMDB, virei PMDBista. Em seguida, já havia notado como havia me tornado um PMDBesta. Mas antes de virar um PMDBosta, dei um PMDbasta.”.
Leandro Konder, Presente!
Faleceu em sua casa no Rio de Janeiro, aos 78 anos, no dia de ontem, 12 de novembro, um dos maiores pensadores marxistas contemporâneos. Leandro Konder, nascido em Petrópolis (RJ) em 1936 e pertencente a uma família de comunistas, muito jovem abraçou a militância no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Formou-se em Direito, mas dedicou-se prioritariamente ao jornalismo e à filosofia, tendo dado seus primeiros passos como ensaísta, unindo as duas atividades, na revista Estudos Sociais e no jornal Novos Rumos, publicações do PCB nas décadas de 1950 e 1960, até a vigência do golpe empresarial-militar de 1964. Membro do Comitê Cultural do PCB, junto com Carlos Nélson Coutinho, foi pioneiro na divulgação das ideias de György Lukács e Antonio Gramsci no Brasil, ainda nos anos 60. Posteriormente, publicou obras e textos sobre outros pensadores do campo do marxismo, como Walter Benjamin, Theodor Adorno, Hebert Marcuse, Jean-Paul Sartre. “Marxista de profundo espírito crítico”, nas palavras de Coutinho, não aprendeu o marxismo nos manuais da antiga Academia de Ciências da URSS, mas diretamente nos textos clássicos dos teóricos do socialismo. Respeitado por sua vasta produção intelectual, produziu mais de vinte livros e publicou inúmeros textos em jornais e revistas. Depois de 1964, escreveu para Revista Civilização Brasileira, Paz e Terra, Temas de Ciências Humanas, as publicações do PCB Folha da Semana, Voz Operária (esta produzida no exílio, na década de 1970), Voz da Unidade (nos anos oitenta) e, após deixar o partido em 1982, também para a grande imprensa, como Jornal do Brasil e O Globo. A exemplo de vários intelectuais e militantes de esquerda, foi obrigado a exilar-se em 1972, após ter sido preso e torturado pelos algozes da ditadura. Morou na Alemanha e depois na França, tendo regressado ao Brasil em 1978. Leandro doutorou-se em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e foi professor do Departamento de Educação da PUC-RJ e do Departamento de História da UFF. Em 2002, foi eleito o Intelectual do Ano pelo Fórum do Rio de Janeiro, da UERJ. Coordenou, juntamente com Michael Löwy, a coleção Marxismo e literatura, da Editora Boitempo.
O Golpe civil-militar de 64 e a repressão aos camponeses
No ano do cinquentenário do Golpe de 1964, que deu início à Ditadura Empresarial Militar no Brasil, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) realizou um conjunto de cinco entrevistas com a Profª Dra. Leonilde Sérvolo de Medeiros, do Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que destaca as lutas camponesas no Brasil, a relação aprofundada com o PCB nos anos 1940 a 1960 e a resistência ao regime ditatorial, responsável pela morte de 1.196 camponeses, quando o Estado só reconhece 29. As lutas pela terra dinamizadas na década de 1960 e fortemente reprimidas pela ditadura muito contribuíram para a formação dos movimentos contemporâneos em defesa dos direitos dos trabalhadores sem terra e contra a expansão capitalista no campo.
Vito Giannotti lança novo livro sobre COMUNICAÇÃO DOS TRABALHADORES e HEGEMONIA
O escritor Vito Giannotti, coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), está lançando mais um livro sobre a importância da comunicação dos trabalhadores para a transformação da sociedade. Esse tema tem pautado sua atuação e de todo o NPC nos últimos 20 anos, com a promoção de cursos, palestras e seminários pelo Brasil inteiro. A obra apresenta reflexões sobre diversos conceitos, como o de hegemonia, pensado por Marx, Lenin e Gramsci. Também nega veementemente o mito da neutralidade dos meios de comunicação e explica porque considera a mídia o verdadeiro partido da burguesia.
Além de apresentar uma sólida base teórica, Comunicação dos trabalhadores e hegemonia oferece dicas práticas aos sindicatos e movimentos populares que desejam construir e aprimorar seus veículos de informação. Aborda, portanto, os meios impressos, rádios, TVs e internet, pensando em como aperfeiçoar desde a pauta até a linguagem e a diagramação, para que esses veículos sejam atrativos e compreendidos pela maioria da classe trabalhadora.
A Tribuna e o 21 de outubro de 1969
por Antonio Matos
Já vínhamos fazendo números experimentais há uns 10 dias, mas naquela tarde de 20 de outubro de 1969 o redator-chefe Quintino de Carvalho decidira, após uma conversa com o editor de notícias Sérgio Gomes e uma rápida reunião com o empresário e ex-banqueiro Elmano Castro, proprietário do jornal, que a “Tribuna da Bahia” começaria a circular no dia seguinte.
Nada de especial para o jornal sair às ruas naquela data, explicou. Era simplesmente o tempo necessário – com a publicação dos números zeros, para consumo interno – para que houvesse a maturação do produto. Assim como o ovo da galinha, que tem o tempo certo para ser chocado e virar pinto.
Acredito que a excepcional cobertura da “Gincana da Primavera”, promovida pela TV Aratu, do grupo da TB, e pela Rádio Excelsior e que movimentava toda a cidade, feita pelo jornal tenha sido de fundamental importância para aquela tomada de decisão.
Colóquio internacional Os caminhos da investigação marxista na América Latina, que ocorrerá na Universidade de Havana (Cuba)
Data: 14 a 17 de outubro de 2014 Horário: das 9h às 14h Local: Facultad de Filosofía e Historia (Salón frío)
14/10
Mesa de abertura: Perspectivas do marxismo na América Latina: Brasil e Cuba Marcos Del Roio (Unesp) e Isabel Monal (Cuba) Mesa I: O imperialismo e as transformações na América Latina Fernando Leitão (UFVJM), Anderson Deo (Unesp) e Ernesto Molina (Cuba)
Hoje é 8 de Outubro
HOJE É OITO DE OUTUBRO!
CHE
Che se comunicava por ações e suas palavras eram armas na luta. Na Renascença, havia o ‘homem universal’, que era grande em arte, ciência e literatura. No século XX, a Política compreendida como domínio do Homem do seu próprio destino na História – é a verdadeira forma de universalidade. Che era neste sentido, universal. Ele paira sobre o mundo mais que qualquer outro revolucionário, nesta era pós-clássica.
Os 150 anos da Internacional

Artigo do cientista político italiano Marcello Musto, colaborador regular de L’Unità e membro dos conselhos editoriais das revistas La Pensé (França), Crítica Marxista (Itália), Socialismo e Democracia (EUA) e Herramienta (Argentina); responsável pela edição de Grundrisse, de Karl Marx: Fundamentos da Crítica da Economia Política, 150 anos depois.
Em 28 de setembro de 1864, em Londres, nascia o ponto de referência das organizações do movimento operário: a Associação Internacional dos Trabalhadores.
Marcello Musto