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Texto de Petrônio Domingues, doutor em História pela Universidade de São Paulo e professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Originalmente publicado em 2017, na Revista de Cultura e Política Lua Nova.
All Negroes are aware of the mass of lies on which the prejudice is built, of the propaganda which is designed to cover the naked economic exploitation.
C. L. R. James
No segundo semestre de 1929 a sucessão presidencial foi o assunto da agenda nacional que mais despertou a atenção da população brasileira. A imprensa produziu inúmeras matérias, reportagens e artigos para informar, debater e especular sobre as eleições presidenciais, marcadas para 30 de março de 1930. O presidente da República, o representante da oligarquia paulista Washington Luís, declinou do apoio ao seu sucessor “natural”, Antônio Carlos de Andrade, governador de Minas Gerais, preferindo indicar Júlio Prestes, governador de São Paulo. Washington Luís descumpriu a “política dos estados” – na qual as oligarquias dos principais estados, sobretudo de São Paulo e Minas Gerais, definiam o candidato presidencial a cada sucessão e se revezavam no poder da República -, o que parte da historiografia chamou de “política do café com leite”, já que São Paulo e Minas Gerais se tratavam dos maiores produtores de café e leite do país, respectivamente.1 Em julho de 1929, ele declarou que Júlio Prestes catalisaria o arco de alianças dos Partidos Republicanos, e não escondeu que o aparato político do domínio oligárquico de dezessete dos vinte estados do Brasil seria colocado a serviço de seu candidato. O preterido Antônio Carlos, jogando com a insatisfação das demais facções oligárquicas, articulou uma chapa de oposição, cujo cabeça escolhido foi Getúlio Vargas, governador do Rio Grande do Sul. Formou-se então a Aliança Liberal, aglutinando as “máquinas políticas” de três grandes oligarquias dissidentes (Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba), que recebeu ainda o apoio do Partido Democrático de São Paulo. O programa da Aliança Liberal não se diferenciava dos apresentados pelas oposições oligárquicas em disputas anteriores, a não ser por uma ênfase maior em reformas políticas e medidas de regulamentação do trabalho, almejadas pela classe operária há longa data.
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O PCB e a Guerra Civil Espanhola
Bacharel e licenciado em História pela Universidade Federal de Uberlândia, o Professor Luciano Patrice Garcia Lepera, apresentou no XXIV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, em 2007, importante trabalho sobre as Ligas Camponesas na região do Triângulo Mineiro, destacando o trabalho realizado pelos militantes do PCB no breve período de legalidade vivida pelo Partido de 1945 a 1947 e nos anos seguintes. Foram as primeiras Ligas de que se têm notícias no Brasil, precedidas apenas pela de Dumont, região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, fundada em 1945 também sob a liderança dos comunistas. Trata-se de fundamental estudo para se aprofundar o conhecimento acerca das ainda pouco pesquisadas lutas pela terra no Brasil.
Jacinta Passos, nascida no ano da eclosão da Primeira Guerra Mundial, educada em tradicional família do interior da Bahia, segundo princípios rígidos da Igreja Católica, rompeu os limites impostos por sua época e fez da poesia uma arma a serviço de sua militância em favor da justiça, da liberdade e do amor livre. Como jornalista, foi uma das raras mulheres da Bahia a expressar abertamente suas opiniões no início da década de 1940. Feminista, entendia que as mulheres só seriam donas de seus destinos quando toda a sociedade se transformasse, mas compreendia também que elas tinham projetos, necessidades e desejos específicos, relativos às suas relações com os homens. Jacinta ingressou oficialmente no Partido Comunista Brasileiro em 1945, nele permanecendo até morrer, em 1973. Foi militante em tempo integral, renunciando a quaisquer comodidades ou benefícios pessoais em nome das causas que defendia. Organizada por sua filha, Janaína Amado, a presente edição contém a poesia completa de Jacinta e ainda a sua prosa, composta de artigos para jornal, nunca publicados em livro.
Nascido no Rio Grande do Sul em 03 de julho de 1917 – justo no ano da Revolução Bolchevique na Rússia, a Revolução Socialista que mudaria a história da humanidade e influenciaria diretamente a vida deste incrível personagem que foi “João Sem Medo”.
PAULO NUNES BATISTA, nascido em 1924, é poeta e escritor paraibano radicado em Anápolis, Goiás. Editou 11 livros, sendo nove de poesia, um de ensaio e um de contos, além de mais de 150 folhetos como cordelista. É membro da Academia Goiana de Letras e de outras instituições culturais. Paulo Nunes Batista adotou, em seus versos de cordel, vários pseudônimos, como o de “Pau Brasil”, com o fim de livrar-se da perseguição policial que, em todo o Brasil, movia-se contra os comunistas. No poema “Formoso, memórias de uma luta”, homenageia os camponeses que organizaram a guerrilha contra o latifúndio ao norte do Estado de Goiás em meados da década de 1950.
Nascida em 13 de abril de 1915, em Quixeramobim (CE), Ana Montenegro estudou Letras e Direito na UFRJ e depois se radicou na Bahia. Participou desde muito jovem de iniciativas promovidas pelo movimento de esquerda. Filiou-se ao Partido Comunista (PCB) em 1944. Grande ativista do Movimento de Mulheres, foi fundadora da União Democrática de Mulheres da Bahia (1945). Também participou da fundação da Federação Brasileira de Mulheres – organização ligada ao PCB, da Liga Feminina da Guanabara, criada em 1959, e do Comitê Feminino Pró-Democracia. Atuou na Frente Nacionalista Feminista desde meados dos anos 1950 até o golpe de 1964.
Zuleide Faria de Melo, professora de Marxismo
Artigo de Luiz Alves para o Blog A Verdade lembra o massacre sofrido pelos operários da Usiminas na cidade de Ipatinga, em 07 de outubro de 1963, em que a violência utilizada pela polícia do então governador Magalhães Pinto representava um ensaio do que estava para ocorrer no Brasil com a implantação da ditadura militar apoiada pelos grandes empresários e proprietários em abril do ano seguinte. O Jornal NOVOS RUMOS, órgão oficial do PCB, na edição nº 249, na página 07, denunciava, em reportagem intitulada “Usiminas: Escravidão e Violência”, as condições de superexploração a que estavam submetidos os trabalhadores e a repressão policial que se abateu sobre eles, quando decidiram ir à greve.
Artigo publicado em 15 de fevereiro de 1947 no jornal Classe Operária, do PCB, divulgava a luta desenvolvida pelos camponeses da célula comunista Fazenda do Lajeado, em Goiás, em favor da construção de uma estrada. A notícia foi transmitida pelo “Classop” do Comitê Estadual, Sebastião Naves. Classop era a designação dada, no interior da organização comunista, ao responsável pelas tarefas de receber, distribuir e enviar o dinheiro arrecadado com a venda dos jornais, assim como em relação às contribuições extras. Era também o responsável pela correspondência com o jornal.