Muniz Ferreira, professor de História na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e membro do Comitê Central do PCB, publica artigo esclarecendo o papel do Coletivo Minervino de Oliveira, organização que tem como elemento definidor de sua identidade política a convicção de que a vitória definitiva sobre o racismo e a discriminação racial e a conquista de uma sociedade caracterizada por uma igualdade substancial nas chamadas relações raciais são impossíveis sob as condições do capitalismo e da ordem burguesa.
Autor: Nathália Mozer
Contribuição ao debate sobre a participação do PCB nas lutas no campo: Um breve balanço da atuação do PCB junto aos camponeses
Ronílson Barboza de Souza, professor da Universidade de Pernambuco (UPE), mestre em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e militante do PCB, analisa a participação dos comunistas brasileiros nas lutas do campo, ao longo da história do PCB, desde a fundação até o golpe de 1964, esclarecendo, à luz do olhar teórico de clássicos do marxismo, como se deu a relação do Partido com os camponeses no Brasil.
O mal-estar do neodesenvolvimentismo
Giovanni Alves
O neodesenvolvimentismo é considerado por nós como sendo um novo modo de desenvolvimento capitalista no Brasil apoiado numa frente política composta, por um lado, pela grande burguesia interna constituída pelos grandes grupos industriais tais como as empreiteiras OAS, Odebrecht, Camargo Correia, etc, e os grupos industriais da Friboi, Brazil Foods, Vale, Gerdau, Votorantim, etc e o agronegócio exportador – todos beneficiados pelo aumento das exportações focado numa agressiva politica de financiamento através do BNDES, voltados para promover as empresas e os investimentos brasileiros no exterior; por outro lado, pelas camadas organizadas do proletariado brasileiro (velha classe operária) e setores populares – incluindo o subproletariado pobre, beneficiados pelo crescimento da economia, redução do desemprego aberto e formalização do mercado de trabalho, oferta de crédito para dinamizar o mercado interno; aumento do gasto público e políticas de transferência de renda via programas sociais (Bolsa-família, Minha Casa Minha Vida, Luz para Todos, etc).
Entrevista com Leandro Konder para Victor Neves
No dia 03 de junho de 2013, Victor Neves, militante da Célula de Cultura do Partido Comunista Brasileiro e doutorando na Escola de Serviço Social da UFRJ, realizou entrevista com Leandro Konder para sua pesquisa sobre o pensamento de Carlos Nelson Coutinho. A entrevista, devido ao estado já frágil da saúde de Konder, contou com as presenças amigas de Cristina, sua companheira, e de Milton Temer, seu velho camarada. Foram abordados vários assuntos, desde a trajetória política comum de luta pelo socialismo e de resistência à ditadura, passando pelo trabalho de difusão do marxismo no Brasil, até o enfrentamento a temas polêmicos como o eurocomunismo e o conceito de democracia
Programa e os Estatutos da Internacional Comunista (a III Internacional)
A Fundação Dinarco Reis publica o Programa e os Estatutos da Internacional Comunista (a III Internacional), aprovados no seu VI Congresso, realizado entre julho e setembro de 1928, em Moscou. O VI Congresso da IC foi marcado pela inauguração da tática política que denunciava a social-democracia como um “social-fascismo”, rejeitando quaisquer alianças dos comunistas com seus adeptos, o que resultaria, no início dos anos trinta, em uma linha que não vislumbrava diferenças entre a ditadura fascista e a democracia burguesa. Estabelecia-se, também, neste congresso, a “hierarquia das três forças”: à frente da revolução mundial marchava o proletariado da União Soviética, seguido pelo movimento operário dos países capitalistas, sob a direção da Internacional, ambos acompanhados, por fim, de um “exército auxiliar” formado pelas massas trabalhadoras das colônias, em luta contra a exploração imperialista. O anti-imperialismo deveria mobilizar as ações dos comunistas no mundo, no sentido de se oferecer a necessária resistência dos trabalhadores à ameaça representada pela guerra imperialista à pátria do socialismo.
Numa trincheira da luta ou A queda – Jaime Miranda (Ano de 1953.)
A Fundação Dinarco Reis publica, em primeira mão, texto do camarada Jayme Miranda, dirigente histórico do PCB que, nascido em Maceió, Alagoas, foi assassinado em 1975 pela ditadura, quando fazia parte do Comitê Central do Partido. Trata-se de um manuscrito que seria o primeiro capítulo de um romance que Jayme estava escrevendo em 1953. Nele, descreve a prisão e a tortura que sofreu em 1953, no Recife, com detalhes sobre as condições da prisão e os agentes da repressão, mas enfatizando o seu próprio estado psicológico. A narrativa lembra o livro Memórias do Cárcere de Graciliano Ramos e outros clássicos do gênero. Um aspecto interessante é a intimidade que ele demonstra com a paisagem e as especificidades de Pernambuco, o que expressa o intenso intercâmbio das seções pernambucana e alagoana do partido, que é uma tradição desde as primeiras décadas do século XX, e que remonta mesmo a um intercâmbio do movimento operário anterior à existência do PCB nos dois estados. O texto foi passado ao membro do atual Comitê Central do PCB, Golbery Lessa, por um dos seus netos, que pretende publicá-lo em breve num volume comemorativo.
VI Seminário internacional da UNESP – Teoria Política do Socialismo – Lenin 90 anos depois: Política, Filosofia e Revolução.
VI Seminário Internacional – Teoria Política do Socialismo. “Lenin 90 anos depois: Política, Filosofia e Revolução.”
Data: de 25 a 27 de novembro de 2014.
Local: Universidade Estadual Paulista – Faculdade de Filosofia e Ciência / Marília.
Coordenação Geral:
Anderson Deo
Antônio Carlos Mazzeo
Marcos Del Roio
Entrevista de Leandro Konder ao Blog Algo a Dizer (2007)
Entrevista de Leandro Konder ao Blog Algo a Dizer (2007)
Por Camila Austregésilo, Kadu Machado, Marcelo Barbosa, Paula Pires
“Os liberais são os gigolôs da moderação”
Autor de 24 livros, pensador influenciado pelas obras de Marx, Lukács, Benjamin e Gramsci, o carioca Leandro Konder, 71 anos, considera a literatura e a filosofia experiências fundamentais e definidoras do ser humano.
Em seu último livro “Sobre o amor” (Ed. Boitempo), lançado em 2007, discorre, através de 23 ensaios, sobre as concepções do amor em Sócrates, Camões, Goethe, Freud, Dostoievski, Balzac, Cervantes, Shakespeare, Drummond, Hegel – entre outros.
Nesta entrevista, o autor de “A derrota da dialética” mostra que continua a ser um lúcido, influente e sobretudo bem humorado combatente da causa do socialismo.
ALGO A DIZER – Militância intelectual e política, no seu caso, se confundem. Como se deu o início dessas suas trajetórias política e intelectual?
LEANDRO KONDER – Meu pai era um velho comunista. Via os amigos dele. Circulavam na casa. Diziam coisas engraçadas. Simpatizava, em princípio com eles, mas os achava meio maluquetes.
Depois do 20º Congresso [do Partido Comunista da União Soviética, quando se deu a denúncia, por Kruschev, dos crimes de Stalin – N.E.], meu pai estava tentando segurar as pontas. Um amigo dele foi lá em casa e pegou um resto de discussão entre mim e meu pai. Aí disse: “Valério, Valério, o Leandro tem razão. Porque, Valério, mandar é melhor do que foder.” Achei o cara extraordinário. Alguém lúcido no meio daquela loucura geral.
Com 15 anos entrei no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e fiquei por mais de trinta anos. Entrei no Partidão, como era chamado, depois de 45 – em 50, já estava fazendo campanha pro papai quando ele se candidatou ao senado. Fiquei até a década de 80. Em 81, a gente [os anistiados do golpe de 64 – N.E.] voltou do exterior com a idéia de que o partido iria seguir o caminho que considerávamos correto. Basicamente, o caminho italiano, simplificando. E o partido não seguiu. Ficamos isolados. Aí seguimos caminhos variados.
Eu, primeiro, fui para o PMDB.
Aqui um parêntesis: minha trajetória política é horrorosa. Eu não posso liderar porra nenhuma, porque vai aparecer alguém com boa memória e pode dizer: “Você não é aquele que convocava para o PMDB?”.
Depois que eu saí, disse uma maldade numa entrevista que dei a uma revista e que deixou um amigo – não vou dizer quem – puto comigo. Eu disse: “Entrei para o PMDB, virei PMDBista. Em seguida, já havia notado como havia me tornado um PMDBesta. Mas antes de virar um PMDBosta, dei um PMDbasta.”.
Leandro Konder, Presente!
Faleceu em sua casa no Rio de Janeiro, aos 78 anos, no dia de ontem, 12 de novembro, um dos maiores pensadores marxistas contemporâneos. Leandro Konder, nascido em Petrópolis (RJ) em 1936 e pertencente a uma família de comunistas, muito jovem abraçou a militância no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Formou-se em Direito, mas dedicou-se prioritariamente ao jornalismo e à filosofia, tendo dado seus primeiros passos como ensaísta, unindo as duas atividades, na revista Estudos Sociais e no jornal Novos Rumos, publicações do PCB nas décadas de 1950 e 1960, até a vigência do golpe empresarial-militar de 1964. Membro do Comitê Cultural do PCB, junto com Carlos Nélson Coutinho, foi pioneiro na divulgação das ideias de György Lukács e Antonio Gramsci no Brasil, ainda nos anos 60. Posteriormente, publicou obras e textos sobre outros pensadores do campo do marxismo, como Walter Benjamin, Theodor Adorno, Hebert Marcuse, Jean-Paul Sartre. “Marxista de profundo espírito crítico”, nas palavras de Coutinho, não aprendeu o marxismo nos manuais da antiga Academia de Ciências da URSS, mas diretamente nos textos clássicos dos teóricos do socialismo. Respeitado por sua vasta produção intelectual, produziu mais de vinte livros e publicou inúmeros textos em jornais e revistas. Depois de 1964, escreveu para Revista Civilização Brasileira, Paz e Terra, Temas de Ciências Humanas, as publicações do PCB Folha da Semana, Voz Operária (esta produzida no exílio, na década de 1970), Voz da Unidade (nos anos oitenta) e, após deixar o partido em 1982, também para a grande imprensa, como Jornal do Brasil e O Globo. A exemplo de vários intelectuais e militantes de esquerda, foi obrigado a exilar-se em 1972, após ter sido preso e torturado pelos algozes da ditadura. Morou na Alemanha e depois na França, tendo regressado ao Brasil em 1978. Leandro doutorou-se em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e foi professor do Departamento de Educação da PUC-RJ e do Departamento de História da UFF. Em 2002, foi eleito o Intelectual do Ano pelo Fórum do Rio de Janeiro, da UERJ. Coordenou, juntamente com Michael Löwy, a coleção Marxismo e literatura, da Editora Boitempo.
O Golpe civil-militar de 64 e a repressão aos camponeses
No ano do cinquentenário do Golpe de 1964, que deu início à Ditadura Empresarial Militar no Brasil, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) realizou um conjunto de cinco entrevistas com a Profª Dra. Leonilde Sérvolo de Medeiros, do Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que destaca as lutas camponesas no Brasil, a relação aprofundada com o PCB nos anos 1940 a 1960 e a resistência ao regime ditatorial, responsável pela morte de 1.196 camponeses, quando o Estado só reconhece 29. As lutas pela terra dinamizadas na década de 1960 e fortemente reprimidas pela ditadura muito contribuíram para a formação dos movimentos contemporâneos em defesa dos direitos dos trabalhadores sem terra e contra a expansão capitalista no campo.