Os movimentos sociais e os processos revolucionários na América Latina: uma crítica aos pós-modernistas

Edmilson Costa*

Os anos 90 do século passado e os primeiros dez anos deste século foram marcados por intenso debate entre as forças de esquerda sobre o papel dos movimentos sociais, das minorias, das lutas de gênero e das vanguardas políticas nos processos de transformação econômica, social e política da sociedade. Colocou-se na ordem do dia a discussão sobre novas palavras de ordem, novos agentes políticos e sociais, novas formas de luta, novas concepções sobre a ação prática política.

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Crise orgânica e revolução passiva: o inimigo toma a iniciativa

A governabilidade do capitalismo periférico e os desafios da esquerda revolucionária

Néstor Kohan (*)

Desde Marx e Engels até Lênin, Trotski e Mao, desde Mariátegui (1), Mella (2), Recabarren (3) e Ponce (4) até o Che Guevara e Fidel, grande parte das reflexões dos marxistas sobre a luta de classes têm girado em torno da necessidade de assumir a iniciativa política por parte dos trabalhadores e do povo.

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ENTREVISTA – IRUN SANTANNA

ENTREVISTA – IRUN SANTANNA

Irun Santanna concedeu essa entrevista ao site da Fudação Dinarco Reis pouco depois de lançar seu livro “O garoto que sonhou mudar a humanidade”. Aos 94 anos, Irun é militante do PCB – e único fundador da UNE ainda vivo.

FDR: Podemos começar pelo livro que você preparou?

I: Eu fui escrevendo a torto e a direito em quinze anos… Isso é produto de quinze anos de escritos em horas as mais estranhas possíveis. Vários capítulos escritos às duas, três horas da manhã. Passava um negócio pela cabeça e escrevia. Não há nenhuma vaidade em dizer, mas foi imitando o Rudyard Kipling…

FDR: Em quinze anos…

I: Você conhece o “If”? É um poema… O poema mais famoso de Kipling, em que ele endeusa o individualismo e termina dizendo isso. A frase final do poema é: “Se tu és assim, meu filho; tu és um homem”.

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O Estado e a Revolução: Lênin, a construção socialista e o papel do Estado

Heitor Cesar Oliveira

O grande organizador teórico, político e ideológico do Movimento Comunista Internacional (MCI), que veio a se tornar hegemônico no século XX, foi Vladimir Lênin, dirigente da seção bolchevique da social democracia russa6. Lênin rompeu com o marxismo oficial de sua época e, em seu lugar, ergueu um novo corpo de ação revolucionária. Para tal, buscou a legitimidade nas próprias obras de Marx e Engels, que, segundo Lênin, foram deturpadas ou manipuladas numa “pescaria de citações” descontextualizadas, a fim de justificar o desvio oportunista e reformista do marxismo.

Uma das questões centrais que nutriram essa polêmica foi o papel do Estado no processo revolucionário como espaço e ator das mudanças. Lênin buscou, nas teses de Marx e Engels, elementos que justificam uma retomada da ação subjetiva no interior do movimento operário para a tomada do Estado, assim como a sua transformação de aparelho de domínio das burguesias num instrumento de dominação da classe operária.

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O papel do Partido como agente de educação: uma concepção Marxista−Leninista

Marcos Cassin

A educação política revolucionária da classe operária é um dos elementos para a tomada de consciência de classe e de que seus interesses são opostos ao da burguesia, que sua emancipação só será possível com a destruição da sociedade capitalista e a construção do socialismo através da revolução. Mas como organizar a classe operária do ponto de vista político? Como superar as reivindicações restritas às condições de trabalho e melhores salários? Como o operariado deve agir taticamente para alcançar seus objetivos estratégicos?

As ideias de Marx, Engels como as de Lênin, são os pilares teóricos no qual se sustentam os Partido Comunistas, sendo o último quem melhor deixou sistematizado o problema do Partido Político da classe operária. Como se devem organizar, quais seus objetivos táticos e estratégicos como se deve conduzir nas alianças políticas e no seu papel conscientizador da classe operária e das massas, ou seja, seu papel educador.

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Boitempo lança “Do marxismo ao pós-marxismo?”

Título: Do marxismo ao pós-marxismo?

Título Original: From marxism to post-marxism?

Autor(a): Göran Therborn

Prefácio: orelha: Ruy Braga

Tradutor(a): Rodrigo Nobile

Páginas: 160

Ano de publicação: 2012

ISBN: 978-85-7559-166-6

Preço: R$ 39,00

Planejado como um mapa e uma bússola, Do marxismo ao pós-marxismo?, do sociólogo sueco Göran Therborn, é uma tentativa de entender as mudanças sociais e intelectuais entre os séculos XX e XXI. Não tem a pretensão de ser uma história das ideias, mas apresenta propósitos bem claros: situar os espaços de pensamento e as práticas da esquerda; analisar a trajetória do marxismo no século XX; antecipar seu legado para o pensamento radical no século XXI.

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Sobre a Declaração de Março de 1958

Anita Leocádia Prestes

A partir da aprovação da “Declaração de Março” de 1958 pela direção do PCB, os comunistas brasileiros adotam uma nova orientação política. O objetivo tático do partido passa a ser a conquista de um governo nacionalista e democrático através do processo eleitoral e da pressão de massas, excluída a via armada prevista anteriormente nos documentos do PCB. No artigo são apresentadas e apreciadas criticamente as vicissitudes do partido na luta pela realização de tais objetivos durante a segunda metade do governo de Juscelino Kubitschek e os sete meses de Jânio Quadros no poder.

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PCB: Dos anos de formação à Declaração de Março

Ricardo Costa (Rico) – Comitê Central do PCB

Na conjuntura dos anos 1950, a proposta de “união nacional” com a burguesia foi retomada para se consolidar, daí por diante, no PCB, como parte fundamental do projeto de revolução democrático-burguesa, associado ao processo de pleno desenvolvimento das forças produtivas no país e a consequente superação dos resquícios “semifeudais” e “semicoloniais”, processo este entendido como condição necessária à passagem para o socialismo. A Declaração de Março de 1958, conforme será visto a seguir, reforçaria a ideia central segundo a qual as contradições básicas existentes na sociedade brasileira, naquele momento específico da história, dar-se-iam entre o conjunto da nação, de um lado, e o imperialismo estadunidenses, de outro; entre as forças produtivas em desenvolvimento, de um lado, e as relações de produção semifeudais e semicoloniais predominantes no campo, de outro. Daí que a contradição entre capital e trabalho, sempre apontada pelos clássicos do marxismo como a contradição fundamental no capitalismo, não fosse vista como a mais premente naquela “etapa”, muito menos a sua solução radical.

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