Só no socialismo e no comunismo o ser humano pode atingir a plena dignidade

Por Raúl Antonio Capote no Granma

O socialismo se parece com o homem, assim como o fascismo é a negação do homem. O socialismo é “o caminho” não isento de erros para o comunismo, é um caminho de justiça cheio de obstáculos, marcado por desafios, retrocessos e avanços. “Na construção socialista, planejamos a dor de cabeça que não a torna escassa, mas pelo contrário. O comunismo será, entre outras coisas, uma aspirina do tamanho do Sol”. [1]
O capitalismo procura semear a falta de fé no ser humano, exalta o cinismo, o ego reverenciado, como Ayn Rand definiu o homem ideal do capitalismo: “Enquanto o criador é egoísta e inteligente, o altruísta é um imbecil que não pensa, não sente, não julga, não age”. [2]
Antes da Revolução Francesa, houve uma profunda batalha de ideias na Europa, antes das revoltas revolucionárias, uma nova maneira de ver o mundo abriu o caminho. O Iluminismo plantou a semente que propiciou a Revolução. Um consenso foi criado em toda a Europa, emergiu uma Internacional espiritual burguesa. «”oda revolução foi precedida por um intenso trabalho de crítica, de penetração cultural, de permeação de ideias”.[3]
Se a nossa maneira de ver o mundo é marcada pela axiologia do capitalismo, se o nosso princípio básico ainda é ter, a todo o custo, acima do ser humano, se o egoísmo é o sinal que move nossas vidas, se vemos a miséria como um tipo de fatalismo e a sociedade dividida em classes como algo natural e imutável, se não temos fé no ser humano e em sua capacidade de entrega, em seu altruísmo, do que estamos falando?
Não é com os mísseis, não é com exércitos, não é com forças policiais apenas com o que os poderosos garantem o domínio, as defesas do capital estão no inconsciente dos indivíduos e são mais poderosas do que a arma mais moderna desenvolvida pelo complexo militar industrial. Elas fazem com que os dominados ajam contra seus interesses e defendam os governos que os oprimem. É difícil libertar-se do sonho narcótico do consumo e do individualismo atroz.
O sistema de educação do capitalismo é projetado para treinar o homem do capitalismo. Exalta a competição, a falta de solidariedade, o individualismo. “A classe que tem os meios de produção material tem, ao mesmo tempo, os meios de produção ideológicos”. [4]
Na sociedade capitalista, o homem vive uma ilusão de liberdade, é uma mercadoria e entre mercadorias — pois esse é o homem do capitalismo — não pode haver solidariedade, mas sim competição.

A solidão de um homem esmagado pela maquinaria produtiva e do comércio é o sinal do capitalismo, é o ser humano alienado, submetido à violência da propaganda, sitiado dia e noite, cercado de cantos de sereia, manipulado e incentivado a comprar e comprar coisas às que, muitas vezes, não pode acessar, ou objetos dos que não está precisando. A situação do homem no capitalismo subdesenvolvido, depreciado totalmente seu valor mercantil, é ainda pior.
O medo natural do homem de se aventurar no mundo desconhecido da liberdade é astutamente explorado pelo capitalismo. O homem que descobre esse mundo tem duas opções diante da inquietação gerada por tal descoberta: ou retorna à calma perdida ou se declara livre e corre o risco de mudar o mundo e construir relacionamentos baseados no amor.
Nós, revolucionários, sonhamos, mas não vivemos nas nuvens. Nós sonhamos, mas nós construímos. Nós, revolucionários, devemos ser apaixonados, em movimento, envolvendo todos, revelando essa nova realidade no caminho, ensinando nossa doutrina baseada na possibilidade, na ciência e no amor à vida, aos seres humanos, à natureza. Nós devemos ser transformadores e rebeldes.
Marx descreveu a sociedade comunista como uma associação de indivíduos livres: “A única sociedade em que o livre desenvolvimento dos indivíduos deixa de ser uma mera frase” [5], no comunismo, o livre desenvolvimento de cada um será a condição para o desenvolvimento livre de todos.
A nossa Constituição define no preâmbulo a convicção de que Cuba nunca voltará ao capitalismo e que só no socialismo e no comunismo o ser humano atinge a plena dignidade.
O artigo um da Constituição afirma claramente que Cuba é um Estado socialista de direito e justiça social, democrático, independente e soberano, e o 5º artigo reafirma que é o Partido Comunista de Cuba, único, martiano, fidelista, marxista e leninista, a vanguarda organizada da nação, a principal força política da sociedade e do Estado que organiza e orienta os esforços comuns na construção do socialismo e o avanço rumo à sociedade comunista.
Estamos no caminho que escolhemos e defendemos: o socialismo com seu passado e sua gênese do futuro. O socialismo como caminho para o domínio da plena realização humana, a sociedade do bem-estar, do bem viver, não apenas pelos níveis alcançados de justiça e equidade, mas também pelos altos índices de desenvolvimento, fruto dos avanços das ciências, da tecnologia, dos meios de produção e das forças produtivas, desencadeadas, livres, altamente qualificadas: a sociedade comunista.

Notas:
[1] Roque Dalton: Sobre dolores de cabeza.
[2] Ayn Rand: El manantial. Editora Grito Sagrado, Buenos Aires, Argentina, 1993, pp. 145-146.
[3] Compilação de Gerardo Ramos e Jorge Luis Acanda: Gramsci e a filosofia da praxe. Editora Ciencias Sociales, Havana, 1997, pp.106-107.
[4] N. Ivanov, T. Beliakova, E. Krasavina: Karl Marx, sua vida e sua obra, Godley Books, United, Kingdom, 2011.
[5] Karl Marx, Friedrich Engels: A Ideologia Alemã, In: MECW. Vol. 5, p. 439.

Revolução Africana: uma antologia do pensamento marxista

“Revolução Africana: uma antologia do pensamento marxista”, publicado pela editora Autonomia Literária, é o primeiro volume da “Coleção Quebrando as Correntes”, coordenada por Jones Manoel e Gabriel Landi. Esse primeiro lançamento conta com prefácio de Jones Manoel e posfácio de Douglas Rodrigues Barros. 
A coletânea reúne traduções de artigos de diversos dirigentes revolucionários dedicados à luta anticolonial em África. É o caso do capitão burkinabé Thomas Sankara; Kwame Nkrumah, de Gana; Frantz Fanon, psicólogo e combatente da libertação da Argélia; o professor egípcio Samir Amin; além de revolucionários lusófonos como Amílcar Cabral (Guiné-Bissau e Cabo Verde), Agostinho Neto (Angola) e Eduardo Mondlane e Samora Machel (Moçambique).
Cobrindo mais de duas décadas, os artigos selecionados permitem não apenas um vislumbre dessas próprias experiências revolucionárias, mas também de toda a riqueza de elaboração e variedade do pensamento marxista africano, pelas penas e discursos de seus mais notórios representantes. Atravessando temas como o significado do racismo na sociedade de classes, a luta contra a mentalidade colonial, a idealização do passado africano e a opressão patriarcal no continente, além de temas de tática e organização política, essa obra permitirá ao público brasileiro finalmente obter um amplo panorama do pensamento marxista negro na África.
E esse é só o começo: a “Coleção Quebrando as Correntes” já está preparando novos títulos, possibilitando à militância antirracista brasileira acesso a importantes obras do marxismo negro na África e na América, ainda inéditas em nosso país.

Dois marxismos?

por Greg Godels

O Google sabe que tenho um interesse permanente no marxismo. Consequentemente, recebo links frequentes para artigos que os algoritmos do Google selecionam como populares ou influentes. Sistematicamente, no topo da lista, estão artigos de ou sobre o irreprimível Slavoj Žižek. Žižek dominou os truques de um intelectual público – divertido, pomposo, escandaloso, calculadamente obscuro e amaneirado. A pose desalinhada e a barba desgrenhada somam-se a uma quase caricatura do professor europeu, a presentear o mundo com grandes ideias profundamente embebidas em camadas de obscurantismo – uma maneira infalível de parecer profundo. E uma maneira infalível de promover o valor comercial do entretenimento.

Seguidores próximos do “mestre” até postam vídeos de Žižek a devorar hot dogs – um em cada mão ! Ele está atualmente ganhando dinheiro com um debate público com um congênere de direita que é um saco vazio, o qual supostamente torna obscenos os preços dos ingressos. O marxismo como empreendedorismo.

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65 anos da Revolução no Vietnã: A vitória na Batalha de Dien Bien Phu

por Ahmad Faruqui | CounterPunch – Tradução de Gabriel Deslandes

 

Em todo dia 7 de maio, pessoas de todo o mundo se reúnem em Dien Bien Phu, cidade localizada no Noroeste do Vietnã, para comemorar uma das mais importantes batalhas do século XX. Naquela data, em 1954, o Exército do Povo do Vietnã (Việt Minh) infligiu uma derrota militar decisiva ao Exército francês.

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Antonio Gramsci Vive!

imagemEm abril de 1987, por ocasião dos cinquenta anos do falecimento de Antonio Gramsci, enviei este artigo para publicação no jornal Convergência Socialista, semanário da organização da qual eu era militante. O artigo foi vetado e jamais publicado, permaneceu inédito. Do responsável pela redação recebi a seguinte resposta, “Gramsci é um personagem controverso”.
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AI-5: o braço estendido da transição inconclusa

por Milton Pinheiro

“Quem desconhece o passado condena-se a repeti-lo”
Johann Wolfgang von Goethe

 

 

Introdução

Este artigo tem como eixo central de análise o AI-5 como instrumento político e ideológico que conseguiu aprofundar e aperfeiçoar uma “cultura política”, no sentido gramsciano que é dado ao conceito, de caráter conservador e centrada no senso comum, que permaneceu viva na ação política de amplos segmentos da classe dominante, permeando, inclusive, segmentos e extratos populares. Essa razão prática encontrou ampla divulgação na mídia oficial e agigantou-se nas redes de contágio, impedindo que o conjunto dos subalternos conseguisse desvelar que o arcabouço do AI-5 continuava presente na lógica social e na forma política encontrada pelo pacto prussiano (Nova República).

A constituição de 1988 não conseguiu, no essencial, romper com os instrumentos de dominação política, social e econômica para fazer a transição da ditadura burgo-militar para uma democracia formal, que não fosse tutelada pelo arcabouço do “compromisso” do pacto prussiano e, posteriormente, por seu consequente instrumento eleitoral, o presidencialismo de coalizão. A oficina do tempo presente permite-nos analisar, contemplando, nesta perspectiva, o conjunto da longa conjuntura pós-1985, que a transição ficou inconclusa e tem marcado a lógica dos governos, a partir da tutela da sociedade, de uma forma-conteúdo da ação política, mesmo com a presença da reação popular, sindical e dos movimentos identitários, bem como de algumas políticas dos governos de compromisso burgo-petistas.

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Lênin e a imprensa revolucionária

Por Dênis de Moraes.

Blog da Boitempo

Em memória de Luiz Alberto Moniz Bandeira.

A trajetória jornalística e as concepções de Vladimir Ilitch Lênin (1870-1924) sobre a imprensa situam-se no contexto de duas tendências que se delinearam no âmbito europeu desde fins do século XIX até as décadas inaugurais do século XX, num período de ascensão de movimentos de massa, de divulgação junto aos trabalhadores das ideias socialistas e de eclosões revolucionárias, em meio a crises econômicas, disputas geopolíticas e guerras. A primeira tendência refere-se a intelectuais de esquerda que atuaram como jornalistas e ativistas, a partir da percepção da importância da disseminação em periódicos de propostas e intervenções políticas. Entre inúmeros exemplos, podemos citar os de Karl Marx, Friedrich Engels, V. I. Lênin, Antonio Gramsci, Karl Kautsky, Rosa Luxemburgo, Leon Trótski, Nikolai Bukhárin, Máximo Górki, Gueórgui Plekhánov, Clara Zetkin e Alexandra Kollontai. A segunda tendência diz respeito a intelectuais que não apenas exerceram o jornalismo como também teorizaram sobre a imprensa como instrumento voltado às tarefas de informação, conscientização, agitação e propaganda contra-hegemônica, em meio a embates contra as formas de exploração dos trabalhadores pelo capital.

Nas peculiaridades de cada tempo histórico, Lênin retomou reflexões de Marx sobre a influência tendencialmente conservadora dos veículos de massa junto à opinião pública e também quanto ao papel da imprensa revolucionária na difusão política e ideológica, enfatizando as tarefas que cabiam a jornais e revistas de organizações de esquerda e partidos comunistas. Para Lênin, seria impossível conduzir a luta revolucionária sem dispor de um meio de divulgação através do qual o partido pudesse se pronunciar sobre questões e situações concretas da vida social. “A criação do partido, se ele não for representado convenientemente por um órgão determinado, permanecerá em grande medida letra morta”, sentenciou.1

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Quando se fala em saúde, Cuba merece respeito

Os médicos cubanos que retornam à sua pátria carregam em seus corações o infinito afeto do povo brasileiro

«A gente vai embora, mas carregamos em nossos corações o abraço do idoso e o sorriso da criança, o infinito afeto do povo brasileiro; nas humildes casas onde você recebe esse convite para almoçar aquele feijão bem temperado com farofa, mas acima de tudo com amor. Eu também me lembro daqueles idosos em bancos rústicos, sabendo que o médico acabava a consulta às cinco horas da tarde, eles apenas ficaram sentados esperando o médico vir conversar com eles. Eu continuarei acumulando riqueza, sim. Mas não riqueza material. Eu continuarei enriquecendo meu coração».

Mensagens como essa, do médico cubano Yoanner González Infante, inundam a rede de redes nos dias em que os humildes do maior país da América Latina pagam o preço da indolência e do absurdo. Jair Bolsonaro, o recém-eleito presidente do Brasil, destrói com a sabotagem o Programa Más Médicos, não só a colaboração que Cuba ofereceu em questões de saúde para esse povo, mas também a esperança, o direito à vida das centenas de milhares de brasileiros que nunca tiveram cuidados de saúde primários antes.

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Álvaro Cunhal e o legado de Karl Marx

JERÓNIMO DE SOUSA, SECRETÁRIO-GERAL DO PCP

Em nome do Partido Comunista Português queria, antes de mais, agradecer a vossa presença nesta Sessão Pública evocativa do centésimo quinto aniversário do nascimento de Álvaro Cunhal.

Uma evocação que é sempre de homenagem a essa figura ímpar e referência maior da nossa história contemporânea e da luta do nosso povo pela liberdade, a democracia, pelos valores da emancipação social e humana no País e no mundo e de reconhecimento do seu valioso e multifacetado legado de dirigente político experimentado, ideólogo, intelectual, ensaísta, homem da cultura.

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Claudino José da Silva

Luiz Carlos Azedo

Claudino José da Silva

 

No dia da consciência negra, minha homenagem vai para o constituinte de 1945 Claudino José da Silva, líder ferroviário, que conheci em Niterói, em 1976, por intermédio do falecido deputado José Alves de Brito. À época, integrava o Comitê Estadual do cladestino PCB do antigo Estado do Rio. É um pioneiro da luta dos negros por seus direitos.

Filho de lavradores pobres, nasceu em 23 de julho de 1902, em Natividade (MG). Foi aprendiz de carpinteiro em Niterói. De 1929 a 1931, trabalhou como ferroviário na Estrada de Ferro Leopoldina.

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