Campanha colaborativa “Ana Montenegro: a luta revolucionária das mulheres”

LIVRO SER OU NÃO SER FEMINISTA E OUTRAS OBRAS ESCOLHIDAS

“ Um reencontro que exige justiça para a realidade da memória histórica das lutas daquelas mulheres.”

A primeira mulher a ser exilada no período da ditadura militar no Brasil devido às importantes tarefas que cumpria na agitação e propaganda e nas relações internacionais do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Ana Montenegro foi uma dessas militantes, como escreveu Brecht, imprescindíveis. Na Bahia, quando as bandeiras com seu nome balançam no ar em manifestações, sempre encontramos alguém para falar de suas histórias e seu vigor para a luta. Como muitos contam, mesmo quando idosa, ela pegava um ônibus e ia para o Subúrbio Ferroviário de Salvador ou para qualquer lugar que a convidasse, prestar assistência jurídica à classe trabalhadora mais pauperizada ou fazer falas públicas sobre as lutas comunistas.

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200 anos de Dostoievski – sobre a possibilidade de um novo mundo

Por Rômulo Caires

O escritor russo Fiodor Doistoievski completaria 200 anos no dia 11 de novembro e depois de tantos anos após suas últimas publicações, que inclui o monumental romance Os Irmãos Karamazov, sua influência e interesse não cessam de aumentar no Brasil. A cada dia que passa, ganhamos traduções melhores e mais completas da sua obra. Tradutores como Boris Schnaiderman e Paulo Bezerra tornaram-se notórios por verterem diretamente do russo o complexo texto do escritor e permitir que os leitores de língua portuguesa acessassem esta obra, que representa não só um vasto panorama da sociedade russa do século XIX como também um grande inventário das ideias circulantes no mundo ocidental. 

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Socialismo: Balanço e Perspectivas (sobre o fim da URSS)

Em 25 de Dezembro de 1991 Gorbachov renuncia à presidência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), depois de um golpe de estado chefiado por Boris Yeltsin, dando fim ao estado soviético.

Transcrevemos abaixo o documento “Socialismo: Balanço e Perspectivas”, aprovado no XIV Congresso Nacional do PCB:

Texto aprovado no XIV CONGRESSO NACIONAL DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB) – com algumas informações atualizadas

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Minervino de Oliveira: um negro comunista disputa a Presidência do Brasil

TraduAgindo

Texto de Petrônio Domingues, doutor em História pela Universidade de São Paulo e professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS)

Originalmente publicado em 2017, na Revista de Cultura e Política Lua Nova.


All Negroes are aware of the mass of lies on which the prejudice is built, of the propaganda which is designed to cover the naked economic exploitation.

C. L. R. James

No segundo semestre de 1929 a sucessão presidencial foi o assunto da agenda nacional que mais despertou a atenção da população brasileira. A imprensa produziu inúmeras matérias, reportagens e artigos para informar, debater e especular sobre as eleições presidenciais, marcadas para 30 de março de 1930. O presidente da República, o representante da oligarquia paulista Washington Luís, declinou do apoio ao seu sucessor “natural”, Antônio Carlos de Andrade, governador de Minas Gerais, preferindo indicar Júlio Prestes, governador de São Paulo. Washington Luís descumpriu a “política dos estados” – na qual as oligarquias dos principais estados, sobretudo de São Paulo e Minas Gerais, definiam o candidato presidencial a cada sucessão e se revezavam no poder da República -, o que parte da historiografia chamou de “política do café com leite”, já que São Paulo e Minas Gerais se tratavam dos maiores produtores de café e leite do país, respectivamente.1 Em julho de 1929, ele declarou que Júlio Prestes catalisaria o arco de alianças dos Partidos Republicanos, e não escondeu que o aparato político do domínio oligárquico de dezessete dos vinte estados do Brasil seria colocado a serviço de seu candidato. O preterido Antônio Carlos, jogando com a insatisfação das demais facções oligárquicas, articulou uma chapa de oposição, cujo cabeça escolhido foi Getúlio Vargas, governador do Rio Grande do Sul. Formou-se então a Aliança Liberal, aglutinando as “máquinas políticas” de três grandes oligarquias dissidentes (Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba), que recebeu ainda o apoio do Partido Democrático de São Paulo. O programa da Aliança Liberal não se diferenciava dos apresentados pelas oposições oligárquicas em disputas anteriores, a não ser por uma ênfase maior em reformas políticas e medidas de regulamentação do trabalho, almejadas pela classe operária há longa data.

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