O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO (Vinícius de Moraes)

O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO

(Vinícius de Moraes)

 

Rio de Janeiro , 1959

E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os

reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:

– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem

quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.

E Jesus, respondendo, disse-lhe:

– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.

Lucas, cap. V, vs. 5-8.

 

Era ele que erguia casas

Onde antes só havia chão.

Como um pássaro sem asas

Ele subia com as casas

Que lhe brotavam da mão.

Mas tudo desconhecia

De sua grande missão:

Não sabia, por exemplo

Que a casa de um homem é um templo

Um templo sem religião

Leia mais

Dossiê sobre a trajetória teórica e política de Octavio Brandão

Prezadxs,

Após a divulgação de relevantes pensadores marxistas – Astrojildo Pereira, Caio Prado Jr., Florestan Fernandes, Jacob Gorender, Nelson Werneck Sodré e outros -, marxismo21 publica em sua página inicial um dossiê sobre a trajetória teórica e política de OCTAVIO BRANDÃO – pioneiro e inovador marxista brasileiro. Brandão foi um dos primeiros autores comunistas no Brasil que levantou a bandeira da reforma agrária.

Ensaios e artigos do autor – alguns digitalizados especialmente para o blog – e textos sobre a obra do autor constam deste dossiê.

http://marxismo21.org/octavio-brandao/

Editoria

Leia mais

TERRA, PODER E LUTAS SOCIAIS NO CAMPO BRASILEIRO: DO GOLPE À APOTEOSE DO AGRONEGÓCIO (1964-2014)

João Márcio Mendes Pereira

Paulo Alentejano

Resumo: O artigo analisa as lutas sociais e políticas que têm configurado as relações de poder no campo brasileiro e discute os principais contornos e termos da questão agrária no país ao longo das últimas cinco décadas. A ênfase recai sobre os processos organizativos, a dinâmica da correlação de forças na sociedade civil e as ações do Estado brasileiro para conservar ou transformar a estrutura agrária e a agricultura.

Palavras-chave: Questão agrária; Estado; Agronegócio; Movimentos Sociais; Reforma agrária.

Não há ameaça mais séria à democracia do que desconhecer os direitos do

povo; não há ameaça mais séria à democracia do que tentar estrangular a voz

do povo e de seus legítimos líderes, fazendo calar as suas mais sentidas

reivindicações. Estaríamos, sim, ameaçando o regime se nos mostrássemos

surdos aos reclamos da Nação, que de norte a sul, de leste a oeste, levanta o

seu grande clamor pelas reformas de estrutura, sobretudo pela reforma

agrária, que será como complemento da abolição do cativeiro para dezenas de

milhões de brasileiros que vegetam no interior, em revoltantes condições de

miséria.

Leia mais

“Operação gringo”: o PCB como inimigo nº 1 da ditadura militar por Milton Pinheiro

Milton Pinheiro[1]

Recentemente uma equipe do ministério público federal descobriu, na casa do tenente-coronel Paulo Malhães, documentos e relatórios de uma operação do Centro de Informações do Exército (CIE) para perseguir militantes políticos nas fronteiras do sul do Brasil.

Esse material, da “Operação gringo”, data de 31 de dezembro de 1979 e traz algo que reitera uma antiga prática dos governos militares: a destruição do PCB como “inimigo” a ser mais uma vez combatido diante da perspectiva da transição política da ditadura para a democracia tutelada e, ao mesmo tempo, a justificativa para manter os aparelhos de repressão.

A historiografia já confirmou, com farta documentação, que o PCB, mesmo não fazendo o enfrentamento armado à ditadura, foi sempre considerado um inimigo a ser massacrado. Logo no começo do regime militar, em 1964, de abril a novembro, foram presos, torturados e assassinados oito militantes do partido. Em 1965 foram assassinados dois militantes comunistas e em 1969, mais um. Já em 1971, os órgãos de repressão do regime consumaram a morte de três comunistas. Em 1972, foram mortos pela repressão dois militantes e logo no começo de 1973, mais um.

Leia mais

CAMARADA NESTOR VERA, PRESENTE!

RELATÓRIO APRESENTADO PELA COMISSÃO DA VERDADE EM MINAS GERAIS SOBRE O DESAPARECIMENTO DO CAMARADA NESTOR VERA.

Pelo direito à Memória, à Verdade e à Justiça! Punição para os responsáveis por torturas, mortes e desaparecimentos durante a ditadura militar!

NESTOR VERA – Nestor Vera era de origem camponesa e nasceu no dia 19/07/1915, em Ribeirão Preto, São Paulo. Filho de Pilar Velasques e Manoel Vera, casou-se em 1938 com Maria Miguel Dias, com quem tinha cinco filhos. Foi secretário-geral da União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil (ULTAB) e tesoureiro da primeira diretoria da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura, entidade sindical fundada em dezembro de 1963 e que tinha como presidente Lindolpho Silva, também integrante do PCB.

Foi um dos organizadores do congresso camponês realizado em Belo Horizonte, em 1961, integrando nesse encontro a comissão sobre reforma agrária, ao lado de Francisco Julião, Armênio Guedes, Dinarco Reis e Alberto Passos Guimarães. Dessa comissão saiu o documento “Declaração do I Congresso Nacional dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas”, sobre o caráter da reforma agrária no Brasil. Trabalhou também como jornalista, sendo responsável pelo jornal Terra Livre, que o PCB lançou em 1949, cujo tema central era o movimento camponês.

Leia mais

O papel do Coletivo Minervino de Oliveira por Muniz Ferreira

Muniz Ferreira, professor de História na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e membro do Comitê Central do PCB, publica artigo esclarecendo o papel do Coletivo Minervino de Oliveira, organização que tem como elemento definidor de sua identidade política a convicção de que a vitória definitiva sobre o racismo e a discriminação racial e a conquista de uma sociedade caracterizada por uma igualdade substancial nas chamadas relações raciais são impossíveis sob as condições do capitalismo e da ordem burguesa.

Leia mais

Contribuição ao debate sobre a participação do PCB nas lutas no campo: Um breve balanço da atuação do PCB junto aos camponeses

Ronílson Barboza de Souza, professor da Universidade de Pernambuco (UPE), mestre em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e militante do PCB, analisa a participação dos comunistas brasileiros nas lutas do campo, ao longo da história do PCB, desde a fundação até o golpe de 1964, esclarecendo, à luz do olhar teórico de clássicos do marxismo, como se deu a relação do Partido com os camponeses no Brasil.

Leia mais

O mal-estar do neodesenvolvimentismo

Giovanni Alves

O neodesenvolvimentismo é considerado por nós como sendo um novo modo de desenvolvimento capitalista no Brasil apoiado numa frente política composta, por um lado, pela grande burguesia interna constituída pelos grandes grupos industriais tais como as empreiteiras OAS, Odebrecht, Camargo Correia, etc, e os grupos industriais da Friboi, Brazil Foods, Vale, Gerdau, Votorantim, etc e o agronegócio exportador – todos beneficiados pelo aumento das exportações focado numa agressiva politica de financiamento através do BNDES, voltados para promover as empresas e os investimentos brasileiros no exterior; por outro lado, pelas camadas organizadas do proletariado brasileiro (velha classe operária) e setores populares – incluindo o subproletariado pobre, beneficiados pelo crescimento da economia, redução do desemprego aberto e formalização do mercado de trabalho, oferta de crédito para dinamizar o mercado interno; aumento do gasto público e políticas de transferência de renda via programas sociais (Bolsa-família, Minha Casa Minha Vida, Luz para Todos, etc).

Leia mais

Entrevista com Leandro Konder para Victor Neves

No dia 03 de junho de 2013, Victor Neves, militante da Célula de Cultura do Partido Comunista Brasileiro e doutorando na Escola de Serviço Social da UFRJ, realizou entrevista com Leandro Konder para sua pesquisa sobre o pensamento de Carlos Nelson Coutinho. A entrevista, devido ao estado já frágil da saúde de Konder, contou com as presenças amigas de Cristina, sua companheira, e de Milton Temer, seu velho camarada. Foram abordados vários assuntos, desde a trajetória política comum de luta pelo socialismo e de resistência à ditadura, passando pelo trabalho de difusão do marxismo no Brasil, até o enfrentamento a temas polêmicos como o eurocomunismo e o conceito de democracia

Leia mais

Programa e os Estatutos da Internacional Comunista (a III Internacional)

A Fundação Dinarco Reis publica o Programa e os Estatutos da Internacional Comunista (a III Internacional), aprovados no seu VI Congresso, realizado entre julho e setembro de 1928, em Moscou. O VI Congresso da IC foi marcado pela inauguração da tática política que denunciava a social-democracia como um “social-fascismo”, rejeitando quaisquer alianças dos comunistas com seus adeptos, o que resultaria, no início dos anos trinta, em uma linha que não vislumbrava diferenças entre a ditadura fascista e a democracia burguesa. Estabelecia-se, também, neste congresso, a “hierarquia das três forças”: à frente da revolução mundial marchava o proletariado da União Soviética, seguido pelo movimento operário dos países capitalistas, sob a direção da Internacional, ambos acompanhados, por fim, de um “exército auxiliar” formado pelas massas trabalhadoras das colônias, em luta contra a exploração imperialista. O anti-imperialismo deveria mobilizar as ações dos comunistas no mundo, no sentido de se oferecer a necessária resistência dos trabalhadores à ameaça representada pela guerra imperialista à pátria do socialismo.

Leia mais