Itair Veloso, presente!

Nascido em 1930 na pequena cidade mineira de Faria Lemos, bem na divisa tríplice com o Rio de Janeiro e Espírito Santo, Itair José Veloso perdeu seu pai cedo, e desde então trabalhou para ajudar a mãe. Aos 14 anos muda-se para o Rio de Janeiro, onde trabalha como montador de calçados e apontador de obras, profissão em que se torna importante dirigente sindical.

Em 1953 ingressa na União da Juventude Comunista (UJC) e, em 1961, já membro do Partido, é eleito para a direção do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Niterói e Nova Iguaçu, alçando em seguida o posto de secretário-geral da Federação dos Trabalhadores da Construção Civil.

Durante o governo João Goulart, lidera uma delegação sindical brasileira que viajou para um encontro internacional de sindicalistas em Moscou. Após abril de 1964, sofre perseguições e tem sua residência invadida pelo DOPS de Niterói, que, não o encontrando, saqueia o domicílio.

Casado com Ivanilda da Silva Veloso, com quem teve quatro filhas, foi processado pela Justiça Militar por ser militante do Partido e foi obrigado à entrar na militância clandestina. Itair não informara à família sobre suas atividades políticas, para não envolver as filhas. De alguma forma elas já sabiam de sua dedicação ao PCB.

Tido pelo Estado como “desaparecido”, o pouco que se sabe a respeito de seu assassinato, aos 45 anos, pelo aparelho de repressão, é que no dia 25 de maio de 1975, às 7h30min, ele saiu de casa para encontrar camaradas do Partido e disse à sua mulher que voltaria ao meio-dia, para ir ao médico com ela. Nunca mais foi visto pela família.

Em entrevista à revista Veja, em 18/11/1992, o sargento Marival Chaves, testemunhou que pelo menos oito integrantes do PCB tiveram seus corpos atirados nas águas do Rio Novo, em Avaré, São Paulo. Marival disse também que Itair foi preso por agentes do DOI-CODI/SP, no Rio de Janeiro, durante a Operação Radar, que dizimou a parcela do Comitê Central do PCB que estava no Brasil.

Na entrevista a Veja, o sargento Marival também afirma que Itair morreu de choque térmico, sob tortura, imerso em água gelada, numa casa de Itapevi, na Grande São Paulo. Seu corpo sem vida teria sido jogado da ponte, nas imediações de Avaré, a 260 quilômetros de São Paulo. Em Belo Horizonte, existe hoje uma avenida, no Bairro das Indústrias, com o nome de Itair José Veloso.

Jamais esqueceremos seu exemplo de luta e dedicação.

Camarada Itair Veloso, presente!