Um dos líderes da resistência contra a tentativa de liquidação do PCB no início dos anos 1990, o pernambucano Paulo Cavalcanti foi também o primeiro parlamentar eleito pelo PCB após o “racha” de 1992. Ele, entretanto, já havia exercido a mesma tarefa na década de 40, período que é retratado no livro Elogio da Resistência: Evocação a Paulo Cavalcanti, de Nagib Jorge Neto.
Nascido no Bairro do Arruda, em 15 de maio de 1915, em área que pertencia a Olinda mas depois passou a ser parte de Recife, Paulo Cavalcanti começou sua militância em 1933, na Ação Integralista Brasileira (AIB), convencido de que tinha de lutar contra a fome e a pobreza, o flagelo das secas e a injustiça. Mas ao assistir ao lançamento da Chapa Proletária, onde discursou Cristiano Cordeiro, fundador do PCB, entra em conflito com as teorias e práticas da organização direitista. Dali é expulso sob acusação de ser um “espião” do Partido Comunista e adversário do integralismo.
Já em 1935, mantém contatos com Alcedo Coutinho, da Aliança Nacional Libertadora, e fica entusiasmado com os ideais do movimento. A tentativa de golpe em 1935, a repressão do Governo, detém seu ingresso no PCB.
Em 1946, mantém contatos com parlamentares do Partido, prestando assessoria em assuntos jurídicos. Funda a Associação do Ministério Público de Pernambuco, junto com Solon Araújo e Fernando Mendonça.
Em 1947 já é candidato a deputado estadual pelo PSD, ficando na 1º suplência. Assume o mandato na vaga de Barros Barreto, convocado para integrar o Governo Barbosa Lima. Passa a integrar o corpo de redatores da Folha do Povo. Defende na Assembléia o mandato dos comunistas eleitos na sigla do Partidão e protesta contra a prisão de Gregório Bezerra.
Em 1949 integra a delegação de Pernambuco ao Congresso Brasileiro em Defesa da Paz e da Cultura, realizado na sede da UNE, no Rio. A polícia espanca os participantes e Paulo é ferido junto com o jornalista João Saldanha e Luíza Ramos, filha de Graciliano Ramos. Em abril, pede filiação ao PCB, então na ilegalidade. Participa de ato no Teatro Marrocos, contra o acordo militar Brasil-Estados Unidos.
Reeleito para o período 1951/54, faz oposição aos Governos Agamenon Magalhães e Etelvino Lins e combate os atos de violência do Governo Federal. Exerce o mandato defendendo os direitos de associação, liberdade de opinião e pensamento. Em 1952 é escolhido “Deputado do Ano” pela bancada de Imprensa da Assembléia. Os jornalistas também lhe conferem o título de “Folião do Ano”.
Em 1953 viaja à União Soviética e volta entusiasmado com os avanços conseguidos pelo regime socialista. Reage às perseguições contra jornalistas, comunistas e nacionalistas, e denuncia as tentativas de golpe de Estado. Em 1954 é impedido de disputar um novo mandato, por decisão do TRE, que aceita o pedido de impugnação feito por integralistas.
É sua atuação nesse período que será retratada no livro de nagib, que oferecemos a seguir.
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