Artigos de José Paulo Netto e de Virgínia Fontes aprofundam a análise sobre o capitalismo contemporâneo e seus mecanismos de construção e reprodução da hegemonia burguesa na fase de afirmação plena do capital monopolista em todo o mundo. A comunicação de José Paulo trabalha a hipótese de que o capitalismo contemporâneo, resultado das transformações societárias ocorridas desde os anos 1970, esgotou as possibilidades civilizatórias que Marx identificou no capitalismo do século XIX. Segundo esta ideia, o estágio atual da produção capitalista é necessariamente destrutivo, incidente sobre a totalidade da vida social e manifestando-se por meio da barbárie que se generaliza nas formações econômico-sociais.
Já Virgínia Fontes analisa o fenômeno do imperialismo tardio, identificado na posição hegemônica do capital monetário (Marx) ou financeiro (Lênin), e utiliza-se ainda de Gramsci para compreender a conjuntura atual como de aprofundamento de mecanismos de exploração do trabalho e de dominação ideológica que existem desde as origens do capitalismo, na fase da “acumulação primitiva”, responsável pela expropriação violenta dos produtores diretos dos meios necessários à reprodução da vida. Como nos momentos anteriores, o capital continua provocando uma verdadeira catástrofe social, ao promover uma devastação sem precedentes, agudizando as contradições próprias a esse modo de existência, sobretudo a que opõe a socialização da força de trabalho à concentração internacional do capital.
Boa leitura a todos.