Com tradução de João Roberto Martins Filho, esta entrevista é uma versão publicada na revista Crítica Marxista elaborada a partir de outra publicada em Monthly Review e que, inicialmente e na íntegra, apareceu em Radical Philosophy.
Teoria & História
Marx, Engels e o sistema de poder mundial no século XIX
Neste artigo, Muniz Ferreira se ocupa da produção de Karl Marx e Friedrich Engels referente às relações diplomáticas entre os Estados nacionais europeus durante as décadas de 50 e 60 do século XIX.
No curso destes anos, os iniciadores da tradição marxista tiveram a oportunidade de exercitar suas aptidões como analistas dos assuntos internacionais em publicações européias e norte-americanas, em particular nas páginas do diário estadunidense New York Daily Tribune, do qual foram correspondentes na Europa entre 1851 e 1862. O New York Daily Tribune foi fundado em 1841 e publicado até 1924.
István Mészáros e o partido como ferramenta de luta ofensiva dos trabalhadores
A proposta da ofensiva socialista, de que fala Mészáros, exige, dos interessados na superação do sistema, esforços para a efetivação progressiva, já no presente, de um tipo de organização diverso do que está posto pela realidade alienante do capital.
Por Demetrio Cherobini, na Agência Carta Maior*
O Estado e a Revolução: Lênin, a construção socialista e o papel do Estado
Heitor Cesar Oliveira
O grande organizador teórico, político e ideológico do Movimento Comunista Internacional (MCI), que veio a se tornar hegemônico no século XX, foi Vladimir Lênin, dirigente da seção bolchevique da social democracia russa6. Lênin rompeu com o marxismo oficial de sua época e, em seu lugar, ergueu um novo corpo de ação revolucionária. Para tal, buscou a legitimidade nas próprias obras de Marx e Engels, que, segundo Lênin, foram deturpadas ou manipuladas numa “pescaria de citações” descontextualizadas, a fim de justificar o desvio oportunista e reformista do marxismo.
Uma das questões centrais que nutriram essa polêmica foi o papel do Estado no processo revolucionário como espaço e ator das mudanças. Lênin buscou, nas teses de Marx e Engels, elementos que justificam uma retomada da ação subjetiva no interior do movimento operário para a tomada do Estado, assim como a sua transformação de aparelho de domínio das burguesias num instrumento de dominação da classe operária.
Que Fazer?: um marco na teoria revolucionária
Afonso Costa
O mundo nunca mais foi o mesmo. A publicação de “Que Fazer?” em março de 1902 “marca uma nova etapa que deixa tudo pra trás. De sua edição em diante, a Rússia não seria o cenário da transmutação pura e simples do marxismo em movimento revolucionário triunfante. Nascia o marxismo-leninismo como teoria revolucionária e como prática revolucionária organizada”, definiu Florestan Fernandes na sua apresentação desta grande obra de Lênin em uma coleção organizada pelo próprio historiador durante a ditadura militar no Brasil, intitulada “Pensamento Socialista”.
ELEMENTOS PARA UMA LEITURA CRÍTICA DO MANIFESTO COMUNISTA
José Paulo Netto
(dedicado a Nelson Werneck Sodré,
pela dignidade intelectual; a Moacyr
Félix, pela poesia; a Carlos Nelson,
pela amizade; e a Leila, por tudo)
Introdução ao método da teoria social
José Paulo Netto
A questão do método é um dos problemas centrais (e mais polêmicos) da teoria social – demonstra-o o esforço dos clássicos das ciências sociais: não foi por acaso que Durkheim (1975) se ateve à construção de um método para a sociologia e que Weber (1992, 2000), além de se ocupar da conceptualização das categorias sociológicas, escreveu largamente sobre metodologia. Por isto mesmo, toda aproximação séria a tais ciências implica um esforço de clarificação metodológica (FERNANDES, 1980). E não é casual que sempre que elas foram objeto de questionamento, o debate metodológico esteve em primeiro plano – assim ocorreu, por exemplo, quando se tornou visível, nos anos 1970, a crise da sociologia acadêmica (GOULDNER, 2000; MORIN, 2005; GIDDENS, 1978), e assim voltou a verificar-se quando, já aprofundada esta crise, as ciências sociais desenvolveram explicitamente a discussão sobre os “paradigmas” (SANTOS, 1989, 2000).
As Revoluções do século XIX e a poesia do futuro[1]
As Revoluções do século XIX e a poesia do futuro1
Mauro Luís Iasi2
“A revolução social do século XIX
não pode tirar sua poesia do passado,
e sim do futuro.
Antes a frase ia além do conteúdo;
agora é o conteúdo que vai além da frase.
Karl Marx (18 Brumário)
O 18 BRUMÁRIO DE LUIS BONAPARTE, UMA LEITURA FUNDAMENTAL
Luiz Felipe Oiticicca
Fevereiro de 1848. Na segunda Revolução Francesa, a aliança entre correntes burguesas republicanas e o proletariado derruba Luis Filipe de Orléans e reintroduz a República. Três anos e meio depois, a 2 de dezembro de 1851, Luis Bonaparte – sobrinho de Napoleão e presidente em final de mandato – apoiado pela burguesia e pelos militares, dissolve a Assembleia Legislativa, manipula um plebiscito que ratifica o Golpe de Estado e afoga em sangue a insurreição popular, em Paris. No ano seguinte, outro plebiscito proclama-o Imperador da França, sob o nome de Napoleão III. Serão seis anos de poder absoluto e mais 13, à base de concessões políticas.
LUKÁCS E A ATUALIDADE DO MARXISMO
Ricardo Costa
Georg Lukács nasceu um Budapeste, Hungria, no dia 13 de abril de 1885. Oriundo de família burguesa, recusou-se a seguir a vida dos negócios para dedicar-se ao estudo das artes e da literatura, revelando grande talento para a crítica. Pela Universidade de Budapeste, torna-se doutor em Leis em 1906 e em Filosofia, em 1909. Desenvolve sólida formação humanista, ao conviver com intelectuais do quilate de Béla Bartók, Eugene Varga, Max Weber, Ernst Bloch, Mannheim e outros, sofrendo forte influência da sociologia e da filosofia neokantiana. Aprofundou suas leituras de Marx, Engels e Rosa Luxemburgo após a Revolução de Outubro de 1917. No ano seguinte, entusiasmado com as possibilidades do processo revolucionário mundial, ingressou no Partido Comunista da Hungria. Em março de 1919, eclode a revolução húngara e é proclamada a República Proletária dos Conselhos, a Comuna Húngara, sob a liderança de Béla Kun. Lukács é designado vice-comissário do Povo para a Cultura e a Educação Pública, realizando profunda reforma educacional, socialização das editoras e abertura dos museus e teatros aos trabalhadores. Em agosto, porém, as tropas fascistas de Horthy massacram a experiência socialista na Hungria (5.000 pessoas executadas, 75.000 presas e 100.000 forçadas ao exílio) e obrigam o PC a atuar na clandestinidade.