A inauguração do Estádio Proletário foi revestida de grande importância no Rio de Janeiro. Como descreve o falecido camarada Aristélio de Andrade na apresentação do livro Eternamente Bangu, “Guilherme da Silveira, o “Silveirinha”, o dono da fábrica e de tudo que a cercava, convidou para inaugurar as novas instalações do campo, batizando-as oficialmente como Estádio Proletário, não foi outro senão o líder do PCB, Partido Comunista Brasileiro, o Partidão, na época na ilegalidade: Luiz Carlos Prestes, o “Cavaleiro da Esperança”. A placa comemorativa ao ato existiu até 1964.” Com o golpe militar, foi retirada de lá.
No artigo Momentos marcantes da história do Bangu, José Rezende descreve essa e outras histórias do clube da Zona Oeste carioca. Confira:
“O primeiro campo
A história do Bangu está ligada intimamente a fábrica de tecidos. Os ingleses Andrew, Procter, Thomas Donohoe, Thomas Hellowell e William French eram torcedores do Southampton, cujas cores eram o branco e o vermelho. Daí o uniforme do Bangu ser alvi-rubro.
Vindos da Inglaterra, berço do futebol, os altos funcionários ingleses mandaram construir no terreno da fábrica o campo de futebol.
A estréia no campeonato carioca
Os alvi-rubros estrearam no primeiro campeonato carioca, em 1906, contra o Football Athletic e venceram por 3 a 1. A equipe banguense era um misto de ingleses e brasileiros. Esses últimos operários da fábrica entre os quais se encontrava Francisco Carregal, o primeiro negro a integrar uma equipe de futebol no Brasil.
Vemos diretores e jogadores que formavam o time base no primeiro campeonato carioca: de cima para baixo e a partir da esquerda, na 1ª fila, José Villas Boas (diretor e fundador), Frederick Jacques (goleiro e fundador) e José Ferrer (presidente); 2ª fila, Bochialini, Francisco, Starck, Dante e Fortes; 3ª fila, Maffeu, Hellowell, Carregal, Procter e Hartley. O primeiro gol da história do Bangu foi marcado por William Procter.
Fausto e os Da Guia
Surgiram no Bangu na década de 20 dois craques que escreveram seus nomes na história do futebol brasileiro: Fausto dos Santos e Domingos da Guia. O primeiro ficou conhecido como a “Maravilha Negra” quando encantou os torcedores e a imprensa uruguaia na Copa do Mundo de 1930. Domingos até hoje é considerado o maior zagueiro de todos os tempos e se consagrou como o “Divino Mestre”.
Os Da Guia era quatro irmãos: Domingos, Luiz Antônio, Médio e Ladislau. Todos bons de bola. Antes de Domingos surgiu Luiz Antônio, o mais velho de todos, que era considerado um cracaço. Médio e Ladislau ficaram mais tempo no Bangu e chegaram a ser campeões em 1933.
No dia 12 de maio de 1929, os irmãos Da Guia jogaram juntos numa partida amistosa contra o São Cristóvão. O Bangu venceu por 2 a 1. Em pé, Médio, Luiz Antônio, Domingos e sentado Ladislau antes de um treino.
Primeiro campeão profissional
Em 1933, ano em que o futebol carioca se profissionalizou, o Bangu conquistou o campeonato. Os banguenses asseguraram o título ao vencerem o Fluminense por 4 a 0, nas Laranjeiras, no dia de novembro. Os gols foram marcados por Tião (2), Ivan (contra) e Plácido. O atacante Tião liderou a artilharia do campeonato com 13 gols.
Elenco do Bangu campeão carioca de 1933: em pé, Luís Vinhais (técnico), Sobral, Paulista, Ladislau, Tião, Plácido, Gentil, Dininho, Orlandinho, Tenente Barbosa (preparador físico); agachados, Paiva, Ferro, Santana e Médio; sentados, Mário, Euro, Euclides, Nilton, Sá Pinto e Camarão e, ainda, Buza e Vivi.
Surge o Estádio Proletário
O grande Ari Barroso referia-se ao campo do Bangu como o “alçapão da Rua Ferrer” e afirmava: “Ganhar lá é muito difícil, porque os “mulatinhos rosados! Botam a gente prá correr.”
Em meados de junho de 1945, os primeiros passos para a concretização de uma idéia antiga foram dados. A direção da Fábrica de Tecidos, encabeçada por Manoel Guilherme da Silveira e seu filho Silveirinha, queria presentear os funcionários com uma moderna área social-esportiva-recreativa.
Escolhido o local para a construção do novo estádio, as obras foram iniciadas. O Estádio Proletário, nome escolhido em homenagem a significativa parcela dos trabalhadores da região integrada ao dia-a-dia da Cia. Progresso Industrial do Brasil, foi inaugurado no dia 27 de março de 1948.
A inauguração do Estádio Proletário teve grande importância como escreveu o jornalista e querido amigo Aristélio de Andrade na apresentação do nosso livro “Eternamente Bangu”:
“O Estádio Proletário foi palco de um desses momentos que deveriam ser reverenciados. A sua inauguração celebrou uma paz social que deveria presidir as ações de empregados e patrões. Pouca gente sabe, por exemplo, que Guilherme da Silveira, o “Silveirinha”, o dono da fábrica e de tudo que a cercava, convidou para inaugurar as novas instalações do campo, batizando-as oficialmente como Estádio Proletário, não foi outro senão o líder do PCB, Partido Comunista Brasileiro, o Partidão, na época na ilegalidade: Luiz Carlos Prestes, o “Cavaleiro da Esperança”. A placa comemorativa ao ato existiu até 1964.”
No dia da inauguração os veteranos banguenses se despediram do campo da Rua Ferrer. Jogaram o primeiro tempo, cortaram as balizas para, simbolicamente, colocá-las no novo estádio, transportando-as por um enorme cortejo pelas ruas do bairro. Em seguida, jogaram o segundo tempo do jogo iniciado na Rua Ferrer.
Na partida principal o Bangu venceu o Flamengo por 4 a 2 gols de Joel, Moacir Bueno, Menezes e Moacir. Os artilheiros do Flamengo foram Zizinho e Gringo.
Grupo de veteranos na despedida do campo da Rua Ferrer: em pé, Luiz Antônio da Guia, Américo Pastor, José Matos, Angenor, Archises, Quininho, Áureo, Filinho, Chiquinho Pereira (pai de Luís Pereira, o Lula); agachados, Eduardo, Dininho, Guilherme Pastor, Euro e Jurandir.
Pioneirismo do markenting no uniforme
As camisas brancas com o losango escrito Bangu, no centro do peito, logomarca da fábrica de tecidos, passaram a serem usadas nas excursões para divulgar a marca Bangu.
A partir de 1948 quando obteve o 5º lugar no campeonato carioca e iniciou um período de importantes contratações, o Bangu passou a ocupar as primeiras colocações.
Equipe do Bangu antes de um jogo no Nordeste, onde estreou o novo uniforme, com alguns dos recém contratados: em pé, Gualter, Domingos da Guia, Princesa, Nogueira, Irani, Pinguela e o técnico Airton Moreira; agachados, Zezinho, Menezes, Joel, De Paula e Amaral.