Nem Fascismo, nem Liberalismo: Sovietismo!

 

 

Por Antonio Gramsci, via marxists.org, traduzido por Vinícius Okada M. M. D’Amico

Na crise política pela liquidação do fascismo, o bloco de oposição parece ser progressivamente um fator de ordem secundária. Sua composição social heterogênea, suas vacilações, e sua aversão a uma luta das massas populares contra o regime fascista, reduz suas ações a uma campanha jornalística e a intrigas parlamentares, as quais combatem impotentemente contra a milícia armada fascista.

 

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O que é marxismo-leninismo?

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Publicado em Lavra Palavra

Por Florestan Fernandes via Overquil

O texto a seguir foi retirado da introdução do volume “Lenin; Política”, que faz parte da importante (e esgotada!) coleção Grandes Cientistas Sociais, organizada por Florestan Fernandes e editada pela Ática no fim dos anos 70.

Desde o inicio de suas atividades intelectuais e políticas, Lênin sempre se considerou um marxista – e, o que é mais importante, sempre procurou ser um marxista ortodoxo. Por isso, não se contentou com a rica produção socialista que encontrou à sua disposição como jovem: foi diretamente aos textos de Marx e Engels, estudou-os sistematicamente e aos poucos tentou dominar também os autores que estavam nas raízes da formação do marxismo. A sua primeira obra de grande envergadura, O Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia, evidencia três coisas: 1) completo domínio crítico das teorias econômicas de Marx e do materialismo histórico; 2) aplicação exclusiva dessas teorias na descrição e interpretação dos fatos (isto é, sem qualquer modalidade erudita de ecletismo); 3) as teorias econômicas de Marx forneciam “hipóteses diretrizes”, estando longe de ser a fonte de um dogmatismo estéril: o que assegurava a marcha criadora da investigação, que se abria para a descoberta tanto do que era geral, quanto para o que era peculiar à manifestação do capitalismo na Rússia.

 

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Quem é a classe trabalhadora brasileira?

A construção da ideia de mercado de trabalho no Brasil ainda se afirma como um instrumento de classe da ordem do capital que tergiversa sobre a exata definição da classe trabalhadora brasileira.

 

 

“Woman Washing Clothes”, de Charles Alston. Imagem extraída da capa do livro A classe trabalhadora, de Marcelo Badaró Mattos (Boitempo, 2019)

 

Por Sofia Manzano.

Um dos maiores problemas para a compreensão da realidade é a propositada confusão entre termos e conceitos presentes, não só nos meios de comunicação, mas também em trabalhos acadêmicos e científicos. Assim, dados que aparecem na mídia sobre emprego, desemprego, classe trabalhadora etc., por mais que correspondam às pesquisas dos institutos como IBGE e DIEESE, carecem de análise cuidadosa para se chegar mais próximo do que realmente ocorre com a população brasileira, principalmente a parcela dessa população que é a responsável pela produção da riqueza, ou seja, a classe trabalhadora.

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Quatro princípios para a formação política revolucionária

 

 

Por Jones Manoel

BLOG DA BOITEMPO

Sabemos bem que sem boa formação política é impossível uma prática política correta e eficiente. Mas o que afinal constitui uma boa formação política?

O objetivo da coluna deste mês é expor de maneira mais ou menos sistemática o que considero ser os maiores erros no processo de formação política da militância da esquerda revolucionária. Sabemos bem que sem boa formação política é impossível uma prática política correta e eficiente (ainda que a boa formação política por si só não garanta isso). Mas o que é uma boa formação política? Buscando ser o mais didático possível, proponho destrinchar a questão sistematicamente em quatro princípios, que passo a abordar detidamente a seguir.

 

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Dois marxismos?

por Greg Godels

O Google sabe que tenho um interesse permanente no marxismo. Consequentemente, recebo links frequentes para artigos que os algoritmos do Google selecionam como populares ou influentes. Sistematicamente, no topo da lista, estão artigos de ou sobre o irreprimível Slavoj Žižek. Žižek dominou os truques de um intelectual público – divertido, pomposo, escandaloso, calculadamente obscuro e amaneirado. A pose desalinhada e a barba desgrenhada somam-se a uma quase caricatura do professor europeu, a presentear o mundo com grandes ideias profundamente embebidas em camadas de obscurantismo – uma maneira infalível de parecer profundo. E uma maneira infalível de promover o valor comercial do entretenimento.

Seguidores próximos do “mestre” até postam vídeos de Žižek a devorar hot dogs – um em cada mão ! Ele está atualmente ganhando dinheiro com um debate público com um congênere de direita que é um saco vazio, o qual supostamente torna obscenos os preços dos ingressos. O marxismo como empreendedorismo.

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Redes sociais e centralismo democrático: oportunidades e desafios

 

Por Ben Becker, via Liberation School, traduzido por Gabriel Landi Fazzio

Este artigo é a versão editada de um documento interno do PSL (EUA – Partido pelo Socialismo e pela Libertação), inicialmente escrito no final de 2015. O documento embasou amplas discussões sobre a questão em todo o partido no início de 2016, examinando as novas possibilidades e dificuldades colocadas pela proliferação das mídias sociais a partir da perspectiva de um partido leninista.

Ben Becker, dirigente do partido, avalia as mudanças qualitativas resultantes destas mudanças para a comunicação de massas; os obstáculos à organização vertical; as tendências individualizantes das mídias sociais e outras tensões entre as mídias sociais e as organizações centralistas-democráticas. Analisa esta última questão comparando as mídias sociais com o “organizador coletivo” original dos leninistas: o jornal do partido. A seção final do artigo articula as novas questões de segurança levantadas pelas mídias sociais.

Como há poucos trabalhos que abordam essa questão de uma maneira sistemática e orientada para a ação, o PSL publicou o presente artigo a fim de que este seja um recurso para auxiliar os novos camaradas partidários e demais lutadores sociais diante da tarefa (muitas vezes frustrantes) de organização no meio virtual. Consideramos, neste sentido, que além da riqueza de seu conteúdo, o artigo parte de um ponto de vista particularmente relevante para a abordagem do problema das redes sociais e da organização da militância revolucionária.

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A democracia realmente existente: o espaço onde o inimigo de classe não está retrocedendo

Jones Manoelimagem

Resumo: O objetivo desse artigo é realizar uma crítica à concepção hegemônica de democracia consolidada na esquerda brasileira e mundial nas últimas décadas: uma perspectiva fundamentada no “consenso conservador” do modelo liberal-parlamentar. Procuraremos mostrar os fundamentos teóricos desse consenso, seus limites e defender como alternativa crítica o resgate da distinção entre democracia burguesa e direitos democráticos; essa distinção é imprescindível nessa conjuntura histórica de regressão democrática.

Palavras-chave: democracia burguesa, luta de classe, direitos democráticos, neoliberalismo.

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