Alerta Vermelho: vacina popular

Tricontinental

O que é uma vacina?

As doenças infecciosas podem causar quadros graves e levar à morte. Aqueles que sobrevivem à infecção frequentemente desenvolvem proteção duradoura contra a mesma enfermidade. Cerca de 150 anos atrás, os cientistas descobriram que as infecções são causadas por “germes” microscópicos (o que agora chamamos de agentes patógenos), que podem ser transmitidos de animais para humanos e de pessoa para pessoa. Uma pequena amostra enfraquecida desses patógenos poderia desencadear mudanças no corpo que poderiam proteger as pessoas de infecções graves no futuro? Esse é o princípio por trás das vacinas.

Uma vacina, contendo moléculas microscópicas que imitam partes de um agente patógeno causador de uma infecção, pode ser injetada no corpo para ativar essa proteção preventiva contra a doença. Embora uma vacina proteja apenas um indivíduo contra apenas um patógeno, quando muitas vacinas são conjugadas em programas de vacinação organizados e em grande escala, elas se tornam cruciais para intervenções a nível comunitário.

Nem todas as infecções podem ser evitadas com vacinas. Apesar dos enormes investimentos financeiros, ainda não temos (e talvez nunca tenhamos) vacinas confiáveis para certas doenças infecciosas – como HIV-AIDS e malária – devido à complexidade biológica dessas doenças. Foi possível que as vacinas contra a Covid-19 ficassem prontas para uso rapidamente porque – na maioria das vezes – são baseadas em mecanismos biológicos bem conhecidos relacionadas a doenças menos complexas. As vacinas são uma medida fundamental para conter epidemias infecciosas. No entanto, as alterações genéticas no micróbio infeccioso podem torná-las ineficazes e exigir o desenvolvimento e aplicação de novas vacinas.

 

Por que a vacina contra a Covid-19 não está sendo fornecida a todas as 7,7 bilhões de pessoas no mundo?

Pouco depois do surgimento do SAR-CoV-2, as autoridades chinesas sequenciaram o vírus e compartilharam essa informação em um site público. Cientistas de instituições públicas e privadas correram para baixar as informações e entender melhor o vírus e encontrar uma maneira de tratar seus efeitos no corpo humano e criar uma vacina para imunizar as pessoas contra a doença. Nessa fase, nenhuma patente foi emitida para nenhuma das informações.

Em poucos meses, nove empresas dos setores público e privado anunciaram que tinham vacinas candidatas: Pfizer/BioNTech, Moderna, AstraZeneca, Novavax, Johnson & Johnson, Sanofi/GSK, Sinovac, Sinopharm e Gamaleya. As vacinas da Sinovac e Sinopharm são produzidas pelo setor público chinês e a da Gamaleya pelo setor público russo, (em meados de março, China e Rússia forneceram 800 milhões de doses para 41 países). Os outros são produzidos por empresas privadas que recebem grandes quantias de recursos públicos. A Moderna, por exemplo, recebeu 2,48 bilhões de dólares do governo dos EUA, enquanto a Pfizer recebeu 548 milhões de dólares da União Europeia e do governo alemão. Essas empresas utilizaram dinheiro público na produção de uma vacina e, em seguida, começaram a obter enormes lucros – assegurados pelas patentes – com suas vendas. Esse é um exemplo de especulação pandêmica.

As informações sobre o número de vacinas vendidas e transportadas para diferentes partes do mundo mudam rapidamente. No entanto, agora se sabe que muitas nações mais pobres não terão vacinas para seus cidadãos antes de 2023, enquanto o Norte Global garantiu mais doses que o necessário – o suficiente para vacinar suas populações até três vezes mais. O Canadá, por exemplo, tem vacinas suficientes para vacinar seus cidadãos cinco vezes. O Norte Global, com menos de 14% da população mundial, garantiu mais da metade do total de vacinas previstas. Isso é conhecido como acúmulo de vacina ou nacionalismo vacinal.

Os governos da Índia e da África do Sul abordaram a Organização Mundial do Comércio (OMC) em outubro de 2020 para pedir uma quebra temporária das patentes no âmbito do Tratado sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (Trips). Se a OMC tivesse concordado com essa isenção, esses países poderiam ter produzido versões genéricas da vacina a baixo custo para distribuir e fazer campanhas de vacinação em massa. No entanto, o Norte Global liderou a oposição a esta proposta, argumentando que tal quebra – mesmo em meio a uma pandemia – sufocaria a pesquisa e a inovação (apesar do fato das vacinas terem sido desenvolvidas em grande parte com dinheiro público). O Norte Global freou com sucesso o pedido de quebra na OMC.

Em abril de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS), com outros parceiros, instituiu o Acesso Global a Vacinas da Covid-19 ou Covax. O objetivo da Covax é garantir o acesso equitativo aos imunizantes. O projeto é liderado pelo Unicef; The Vaccine Alliance (Gavi); a Coalizão para Inovações de Preparação para Epidemias (Cepi); e a OMS. Apesar do fato de que a maioria dos países do mundo assinaram a aliança, as vacinas não estão sendo distribuídas ao Sul Global em número suficiente. Um estudo de dezembro de 2020 descobriu que, durante 2021, quase setenta países do Sul Global só serão capazes de imunizar uma em cada dez pessoas.

Em vez de apoiar o pedido de isenção entre Índia e África do Sul, a Covax apoiou uma proposta de pool de patentes chamada Covid-19 Technology Access Pool (C-Tap). Esse processo envolveria dois ou mais detentores de patentes concordando em licenciar suas patentes um para o outro ou para terceiros. A Covax não recebeu contribuições até o momento de empresas farmacêuticas.

Em maio de 2020, a OMS propôs estabelecer uma experiência internacional solidária com a vacina da Covid-19, na qual a OMS coordenaria os locais de ensaio clínico em vários países. Isso teria feito os imunizantes candidatos a entrar em fase de ensaio clínico de forma rápida e transparente; eles teriam sido testados em várias populações e as comparações poderiam ter sido feitas para detectar possíveis pontos positivos e limitações de cada vacina. Tanto as grandes farmacêuticas quanto os países do Norte sufocaram essa proposta.

 

O que seria necessário para produzir vacinas para 7,7 bilhões de pessoas?

A produção de vacinas varia de acordo com a plataforma tecnológica necessária para recriar uma “imitação” da infecção em particular que deve ser usada na vacina em questão. Para imunizantes contra Covid-19, existem muitas plataformas de sucesso. Duas dessas ocorrências foram as vacinas de RNA (caso da Moderna) e as vacinas de adenovírus (caso da AstraZeneca). Essas plataformas são robustas, o que significa que se o know-how (incluindo segredos comerciais para a produção de vacinas) e pessoal qualificado estiverem disponíveis e as linhas de fabricação forem ampliadas e eficientes, a vacina poderá ser produzida para o povo. A palavra “se” está em itálico porque esses são os impedimentos mais importantes que derivam da lógica capitalista dos direitos de propriedade intelectual e do impulso de longo prazo para minar um setor público centrado no bem comum.

Uma abordagem intermediária para a produção de vacinas tenta a fabricação em larga escala de proteínas miméticas em tanques de fermentação (a vacina Novavax, por exemplo, é fabricada dessa forma). Para esta plataforma, a capacidade de absorção e pessoal especializado são mais generalizadas. O controle de qualidade e questões de segurança variam mais de lote para lote nessas plataformas, o que é um obstáculo para a produção descentralizada generalizada.

Existe uma maneira muito mais simples de produzir as vacinas: cultivar o agente infeccioso, inativá-lo (ou seja, torná-lo não perigoso) e injetá-lo no corpo (como a Covaxin, a vacina desenvolvida por Bharat na Índia). Mas há problemas aqui, uma vez que nem sempre é fácil inativar o patógeno prejudicial e, ao mesmo tempo, mantê-lo inteiro para desenvolver os anticorpos.

 

O que seria necessário para administrar vacinas a  7,7 bilhões de pessoas?

Para administrar amplamente os imunizantes contra a Covid-19 em todo o mundo, precisamos considerar três elementos:

  1. Sistemas de Saúde Públicos. Programas de vacinação eficazes requerem sistemas de saúde públicos robustos. Mas estes foram sucateados por políticas de austeridade de longo prazo em muitos países em todo o mundo. Portanto, não há número suficiente de pessoal qualificado e com prática para administrar a vacina; uma vez que se trata de vacinas sensíveis, a preparação e a administração dos imunizantes devem ser feitas por profissionais de saúde pública treinados (tanto para garantir que a vacina seja administrada de forma otimizada quanto para prevenir efeitos colaterais).
  2. Transporte e cadeias do frio. Como as linhas de produção de vacinas regionais e nacionais não estão disponíveis, as vacinas precisam ser transportadas por longas distâncias. Alguns imunizantes requerem uma cadeia de ultra frio que são simplesmente impraticáveis ​​em grande parte do Sul Global.
  3. Sistemas de monitoramento médico. Finalmente, é necessário que haja sistemas bem desenvolvidos para monitorar o impacto da vacina. Isso requer acompanhamento de longo prazo e tanto pessoal como tecnologias que muitas vezes faltam nas nações mais pobres, que há muito tempo estão em desvantagem na ordem econômica global.

 

Extraído de https://thetricontinental.org/pt-pt/alerta-vermelho-10-vacina-popular/

Relembre 7 vezes em que o governo Bolsonaro se espelhou no Brasil da ditadura militar

Uso da Lei de Segurança Nacional para perseguir críticos e ataques à imprensa são exemplos de atitudes antidemocráticas
Catarina Barbosa | Brasil de Fato
Em março deste ano, Bolsonaro se autointitulou “chefe supremo das forças armadas” durante live – Fernando Souza / AFP

 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não esconde o seu saudosismo pela ditadura militar, seja participando de atos pró-ditaduramilitarizando as estruturas ministeriais ou atuando juridicamente para celebrar o período.

Brasil de Fato selecionou sete vezes em que Bolsonaro, ou pessoas ligadas à ele, antes ou durante a gestão presidencial, tiveram atitudes antidemocráticas semelhantes às medidas tomadas no período mais sombrio do país.

A lista inclui perseguição a pessoas contrárias ao governo com base na Lei de Segurança Nacional, celebração do golpe militar, censura à educação e à ciência e apologia à tortura.

Lei de Segurança Nacional

Lei de Segurança Nacional foi criada em 1983 para perseguir opositores ao regime. Com base nessa lei, as divergências políticas eram tratadas como crime à segurança nacional.

Desde a sua posse, em janeiro de 2019, o governo Bolsonaro abriu 76 procedimentos do tipo. As ações foram movidas entre 2019 e 2020 e incluem perseguição a artistas, professores, militantes e influenciadores que se opõem ao governo.

Em Tocantins, o sociólogo Tiago Rodrigues foi investigado pela Polícia Federal por contratar dois outdoors com conteúdo crítico à gestão do presidente da República. Em uma das placas, instaladas em agosto numa avenida de Palmas, a mensagem dizia que o presidente valia menos que um “pequi roído”, que significa algo sem valor ou importância.

Apesar de o caso ter sido arquivado originalmente por recomendação da Corregedoria Regional da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal no Tocantins, o então ministro da Justiça, André Mendonça, decidiu reabrir o inquérito em dezembro do ano passado. Mendonça alega que o sociólogo praticou crime contra a honra do presidente, o que colocaria em risco a própria Segurança Nacional.

No dia 15 de março, o Youtuber Felipe Neto foi intimado a comparecer a um distrito policial para responder a uma queixa-crime com base na Lei de Segurança Nacional por ter chamado Jair Bolsonaro de genocida.

A denúncia foi movida pelo vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, filho do presidente. Ele usou o Twitter para informar que tinha registrado a queixa-crime não apenas contra Felipe Neto, mas também contra a atriz Bruna Marquezine.

Três dias depois de ser intimado, Felipe Neto criou uma frente para defender pessoas vítimas da perseguição com base na Lei de Segurança Nacional.

O “chefe supremo” das forças armadas

O golpe promovido pelas Forças Armadas brasileiras, em 1964, durou 21 anos e ceifou milhares de vidas.

Em março deste ano, depois do pronunciamento do ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Bolsonaro se autointitulou como “o chefe supremo das forças armadas” durante uma live em seu canal no Youtube.

“Eu faço o que o povo quiser. Digo mais: eu sou o chefe supremo das Forças Armadas. As Forças Armadas acompanham o que está acontecendo. As críticas em cima de generais, não é o momento de fazer isso. Se um general errar, paciência. Vai pagar. Se errar, eu pago. Se alguém da Câmara dos Deputados errar, pague. Se alguém do Supremo errar, que pague. Agora, esta crítica de esculhambar todo mundo? Nós vivemos um momento de 1964 a 1985, você decida aí, pense, o que que tu achou daquele período. Não vou entrar em detalhe aqui”, disse.

Recurso jurídico para celebrar o golpe de 1964

O período que compreende a ditadura militar no Brasil durou mais de 20 anos. Foram tempos de autoritarismo, censura, perseguição, exílio, tortura e assassinatos. Ainda assim, Bolsonaro faz questão de comemorar o período mais sombrio da história do Brasil.

Por quatro votos a um, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região aprovou um recurso da Advocacia-Geral da União (AGU) que defendia o direito do governo de fazer atividades em alusão ao golpe militar de 1964.

Além disso, em 1999, quando era deputado federal, Jair Bolsonaro defendeu que a ditadura “matou pouco“.

Apologia à tortura

Um dos métodos utilizados pela ditadura militar era a tortura de opositores. Um dos seus adeptos mais cruéis era o Coronel Brilhante Ustra, que chefiou o Destacamento de Operações de Informação do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi).

O órgão de inteligência e repressão, subordinado ao Exército, foi o responsável pela tortura da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT).

Na votação do impeachment contra Dilma, em 2016, Bolsonaro votou à favor do impeachment em plenário dizendo: “Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff“.

Além desse episódio, Bolsonaro já ironizou as torturas sofridas pela ex-presidente em outros momentos e chegou, inclusive, a duvidar do crime sofrido por ela.

“Dizem que a Dilma foi torturada e fraturaram a mandíbula dela. Traz o raio X para a gente ver o calo ósseo. Olha que eu não sou médico, mas até hoje estou aguardando o raio X”, disse a apoiadores em dezembro de 2020.

“Eu louvo o AI-5”

O Ato Institucional Número Cinco (AI-5) deu início ao período de maior censura e repressão da ditadura no Brasil. O ato é considerado uma radicalização da repressão, sendo chamado, inclusive, de “golpe dentro do golpe”.

Ainda assim, Bolsonaro defendeu abertamente o ato em diversos momentos. Em 2008, ele ocupou a tribuna da Câmara dos Deputados para “louvar” o Ato Institucional.

Já em abril de 2020, participou de uma manifestação pró-intervenção militar, em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília. “Nós não queremos negociar nada” e “estou aqui porque acredito em vocês”, afirmou na ocasião aos manifestantes, em apoio explícito ao pedido de intervenção militar.

Em outubro 2019, foi a vez do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), seu filho, defender “um novo AI-5“.

“Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta. E uma resposta pode ser via um novo AI-5, pode ser via uma legislação aprovada através de um plebiscito como ocorreu na Itália. Alguma resposta vai ter que ser dada”, afirmou o parlamentar em entrevista a Leda Nagle publicada no canal do Youtube da jornalista.

Censura

Uma das forma de repressão do regime militar era impedir que se veiculassem notícias negativas sobre a ditadura. No lugar de uma informação proibida, os jornais publicavam receitas de bolo em forma de protesto.

Desde que tomou posse, o presidente Jair Bolsonaro atacou e ameaçou diversos jornalistas e tentou ainda impedir o acesso da imprensa a informações.

Ataque à educação

No período da ditadura militar, um aparato de vigilância e repressão foi criado dentro das universidades, impedindo a livre circulação de ideias. Na época, cursos de ciências humanas foram afastados dos centros, além disso, professores e alunos foram perseguidos por suas produções acadêmicas.

No governo Bolsonaro, educadores têm sofrido uma série de ataques, seja pelo cortes de recursos para financiar pesquisas como ataques ideológicos às universidades e à produção cientifica.

Além disso, o governo Bolsonaro já nomeou 22 reitores que não foram escolhidos pela comunidade acadêmica e o presidente também incentivou alunos a filmarem professores em sala de aula.

Edição: Poliana Dallabrida

 

Extraído de https://www.brasildefato.com.br/2021/03/31/relembre-7-vezes-em-que-o-governo-bolsonaro-se-espelhou-no-brasil-da-ditadura-militar

O bloqueio dos EUA e o que realmente está acontecendo na Venezuela

Atilio Boron | Tradução: Caio Andrade

 

 

A agressão que Washington realiza contra Cuba, Venezuela, Irã e outros países é uma violação flagrante dos direitos humanos, já que seu objetivo é destruir os fundamentos materiais e espirituais de uma sociedade; ou seja, o bem-estar, a felicidade e a liberdade de seus habitantes. Em outras palavras, é um crime contra a humanidade que, no entanto, não move os organismos internacionais que deveriam exigir que Washington acabe com essas políticas, nem as tantas ONGs, supostamente interessadas em garantir o respeito aos direitos humanos, que desviam o olhar quando se trata de condenar os crimes do império nos países mencionados acima como em tantos outros.

Para aqueles que acreditam que estou exagerando, sugiro visitar a página Human Right Watch dedicada à Venezuela e verão que estou sendo muito gentil em minhas críticas. Lá (https://www.hrw.org/es/americas/venezuela) pode ser lido, literalmente, que:

“A Venezuela vive uma emergência humanitária sem precedentes com grave escassez de medicamentos e alimentos aos quais as autoridades venezuelanas não têm respondido adequadamente. Em 2019, o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, declarou-se chefe de Estado e pediu o apoio do povo e das Forças Armadas. O país continua em um impasse político.”

Esta organização, como tantas outras do gênero que proliferam entre os países submetidos ao imperialismo, nada diz sobre as causas da “emergência humanitária” e da falta de “remédios e alimentos”. O motivo: eles são órgãos ligados ao governo dos Estados Unidos, por isso alocam enormes recursos para espalhar mentiras como as que acabamos de citar. Sempre que a Human Rights Watch (ou qualquer outra ONG do gênero) fizer uma declaração ou emitir uma opinião, saiba que quem realmente fala e condena é o governo dos Estados Unidos. E que mentirá como a Casa Branca invariavelmente faz toda vez que fizer uma declaração sobre os países que são vítimas de sua agressão bárbara. Ele mentiu quando garantiu ao mundo que havia armas de destruição em massa no Iraque, e não havia; e quando ele disse que o governo líbio havia dissolvido uma manifestação de oposição em Benghazi com fogo e sangue, e nada havia acontecido naquela cidade; e o que falou durante 18 anos sobre o Afeganistão, conforme demonstrado pelo Washington Post em sua edição de 9 de dezembro de 2019, com o único propósito de favorecer os negócios do complexo industrial militar-financeiro. Listar as mentiras da Casa Branca e do Congresso dos Estados Unidos (reproduzidas por organizações fraudulentas como a Human Rights Watch) encheria centenas de páginas. Alguém terá que realizar essa tarefa um dia desses.

Final: para entender o que realmente está acontecendo na Venezuela, recomendo a leitura desta breve nota que adiciono a seguir.

 

Venezuela em situação difícil – Juan Manuel Cagigal | Barômetro da América Latina 

Nós, venezuelanos, estamos sofrendo muito com as medidas tomadas pelo governo dos Estados Unidos contra a Venezuela. Por exemplo, os pescadores têm dificuldade em obter gasolina e, portanto, reduzem suas operações de pesca, de modo que menos peixe chega ao mercado; logo, o preço do peixe sobe. Exemplos como esse são encontrados em quase todos os alimentos.

Agora falta diesel porque os Estados Unidos estão impedindo que a Venezuela adquira diesel ou os aditivos necessários para obtê-lo; Consequentemente, o transporte de caminhões que utilizam diesel diminui seus movimentos de transporte de alimentos e remédios e outros itens necessários às fábricas.

A Venezuela não conseguiu pagar $ 300 milhões à OPAS pelas vacinas contra a Covid-19 porque o Banco de Londres se recusa a nos dar o dinheiro pelo nosso ouro que foi sequestrado lá.

As conquistas sociais da Venezuela até 2013 foram abaladas pela agressão dos Estados Unidos. Veja o livro Venezuela em cifras, fevereiro de 2015, que se pode baixar na página do Ministério do Planejamento (www.mppplanificacion.gob.ve), e aprecie ali todos os números, as conquistas que alcançamos, cumprindo as metas do milênio da ONU antes de outros países; na água, na eletricidade, na educação, na saúde, no salário, na força de trabalho ocupada, na habitação, melhoramos o coeficiente de Gini, enfim, de 1999 a 2014; Pagamos a dívida social que a 4ª República deixou com o povo venezuelano.

Mas a partir daí, o ataque dos governos dos Estados Unidos, primeiro Obama, depois Trump, se intensificou. E destruíram nossas conquistas sociais. Hoje temos uma situação muito difícil porque não podemos vender o nosso petróleo por causa do bloqueio dos Estados Unidos, o que significa não produzir. Onde armazenamos o petróleo que não podemos vender? E se alguém tenta comprar petróleo de nós, é chantageado, ameaçado e “sancionado”, compradores, transportadores, bancos, seguradoras, todos da cadeia, o que impossibilita a chegada de divisas à Venezuela. E o petróleo é apenas um exemplo que é a espinha dorsal de nossa receita. Ocorre em todas as áreas, é um bloqueio econômico-financeiro, é feroz, brutal, intenso. Então, o governo faz malabarismos para cobrir programas sociais e a manutenção do estado. A situação na Venezuela hoje é difícil. Devemos recomeçar, agora em condições muito desfavoráveis. Mas isso tem que ser feito e nós o faremos.

Fonte: https://barometrolatinoamericano.blogspot.com/2021/03/venezuela-en-situacion-dificil.html

 

Extraído de atilioboron.com.ar/el-bloqueo-de-estados-unidos-y-lo-que-de-verdad-esta-ocurriendo-en-venezuela

Conversa com Zé Paulo Netto

Foto: Guito Moreto / Agência O Globo

 

A FDR tem a honra de informar que no próximo dia 21 ocorrerá uma entrevista com José Paulo Netto, professor emérito da UFRJ e autor de “Karl Marx: uma biografia”. A conversa será transmitida ao vivo em nossas redes sociais e no canal do Jornal O Poder Popular. Divulguem ao máximo para que mais gente tenha a oportunidade de ouvir esse grande pensador e militante do Partido Comunista Brasileiro.

Nosso Padrim está no ar!

 

A Fundação Dinarco Reis é uma instituição de cooperação do Partido Comunista Brasileiro, tendo como objetivos realizar estudos marxistas e contribuir para a formação de quadros e militantes da classe trabalhadora.

Os cursos de formação política, seminários e publicações da FDR estão a serviço da luta pelo poder popular e pelo socialismo.

Seja padrinho ou madrinha e contribua com a produção e divulgação de conteúdo revolucionário. Precisamos do seu apoio para que 2021 seja um de ano estudo, formação, lutas e conquistas.

Acesse https://www.padrim.com.br/fdinarcoreis

Primeira Reunião Putin-Trump: Resultados Quase Nulos

imagempor The Saker

Em primeiro lugar, temos o modo como os americanos prepararam a cimeira G20. Como é bem sabido, em diplomacia as acções contam tanto quanto as palavras, ou mesmo mais. Eis algumas das acções recentemente tomadas pelos americanos na preparação da cimeira do G20 e da primeira reunião de Trump com Putin (sem qualquer ordem específica):

– Os EUA rejeitaram o plano conjunto russo-chinês para neutralizar a crise na Península Coreana , muito embora aquele plano fosse simples, de senso comum, objectivo e, francamente, a única opção para evitar a guerra.

– Os EUA acusaram o governo sírio de preparar um ataque químico e advertiram de um “preço pesado a pagar”.

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O Jovem Marx chega aos cinemas

imagemO filme “O jovem Karl Marx” está com a sua estréia confirmada para o próximo dia 15 de junho. O filme retrata uma pequena e intensa parte da vida do grande pensador revolucionário, às vésperas dos levantes operários de 1848 na Europa e do lançamento do “Manifesto Comunista”. Além de mostrar o desenvolvimento filosófico e teórico do maior gênio da história da humanidade, o filme apresenta para o grande público Marx e Engels como militantes revolucionários e muito vinculados ao ascendente movimento operário.

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Meirelles era o presidente do JBS e não sabia de nada?

imagemPor Mauro Lopes

Henrique Meirelles, a grande unanimidade das elites do país, que insistem em colocá-lo acima de qualquer suspeita, tem um “detalhe” em sua biografia que a imprensa golpista deixou passar: ele era o presidente do grupo durante os anos em que o JBS repassou ao redor de meio bilhão de reais aos políticos, com carta branca dos donos. Uma de suas responsabilidades era exatamente o contato com o mundo político. Não é incrível? E não sabia de nada? Não viu nada? Não “trocava figurinhas” com o agora megadelator e seu ex-patrão Joesley Batista?

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