Pinochet, o triunfo do fascismo de mercado e a admiração mútua com o general Franco


Alejandro Torrús
 – ODIARIO.INFO

Tal como sucede todos os anos em 11 de Setembro, os grandes media recordaram as Torres Gémeas de Nova Iorque e ignoraram o golpe fascista de 1973 no Chile. Há muitas razões de actualidade para não esquecer o fascismo chileno: a sua estreita articulação com a corrente neoliberal do capitalismo; o papel dos EUA no incentivo e preparação do golpe; o facto de este fascismo dos anos 70 se associar ao que ainda vinha da década de 30 (como o franquismo) e ser incensado por forças que integram, um pouco por toda a parte, o actual levantar da cabeça da extrema-direita.

Esta quarta-feira marca os 46 anos do golpe de Estado no Chile que derrubou Salvador Allende. O doutor em História Mario Amorós publica “Pinochet. Biografia militar y política”, uma obra que aspira a converter-se numa referência mundial para estudar a figura do ditador chileno desde o início da sua carreira no Exército até aos seus últimos dias de vida.

Era o 11 de Setembro de 1973. A República do Chile era a democracia mais avançada da América Latina, mas o contexto internacional era complicado. Muito complicado. Três anos antes, o candidato da Unidade Popular Salvador Allende havia-se imposto nas eleições presidenciais com a sua “via pacífica para o socialismo”. Mas os Estados Unidos tinham como muito claro que a Unidade Popular não podia triunfar. Tinha-o deixado muito claro o seu secretário de Estado, Kissinger, durante uma reunião do Conselho de Segurança Nacional realizada em 1970. “O sucesso de um governo marxista eleito pelo povo seria um claro exemplo (e até um precedente) para outras partes do mundo”. Ali mesmo, em 1970, começaram os ataques à economia chilena para a isolar, a enfraquecer e a desestabilizar até fazer do Chile um país ingovernável. Allende, porém, resistia.

A Unidade Popular permanecia no poder e mantinha o apoio social. Foi então, em 11 de Setembro, que se recorreu à violência. Às armas. Ao sangue. Quando o exército chileno conquistou o seu próprio país e Allende perdeu a vida encurralado no Palácio de la Moneda. “A história é nossa e fazem-na os povos”, lançou o socialista na sua última mensagem à nação chilena.

Nesse 11 de Setembro de 1973 consumou-se a infâmia. Um acto de guerra, como o bombardeamento do palácio de La Moneda, acabava com a democracia chilena. Os partidos políticos eram banidos, as liberdades e os direitos dos cidadãos eram suprimidos. Chegavam o exílio e a repressão sistemática. Acabavam também o controlo dos preços, a distribuição de leite nas escolas e a proteção laboral dos trabalhadores. O império do terror era imposto. No topo da ditadura brutal e como seu rosto visível foi-se impondo a figura de Augusto Pinochet, que havia sido o chefe máximo das Forças Armadas durante a presidência de Allende. Esse militar apresentava-se assim perante o mundo como um paradigma de ditador impiedoso e entronizado pela traição. Como escreveu o historiador Josep Fontana, Pinochet simbolizou como ninguém a imagem do fascismo na América Latina.

Agora, quando passam 46 anos sobre esse momento crucial, o Doutor em História da Universidade de Barcelona, Mario Amorós, publica Pinochet. Biografia militar y política (Edições B), a primeira biografia histórica do ditador documentada em arquivos e bibliotecas de quatro países diferentes, centenas de artigos e referências na imprensa, discursos, entrevistas, testemunhos e opiniões de familiares e colaboradores. Em suma, um trabalho de mais de 800 páginas que aspira a converter-se em referência mundial para tratar uma das figuras mais importantes do século XX: Augusto Pinochet.

Este livro chega, além disso, num momento novamente complicado. Líderes como Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, manifestaram-se a favor de Pinochet e do seu golpe de Estado. Também seguidores de Donald Trump, que escolheram o seu nome para uma polémica T-shirt com o lema “Pinochet não fez nada de mal!” e em cujas costas se vê um helicóptero a atirar pessoas pelos ares. E até Vox, em Espanha, estabeleceu contacto com José Antonio Kast, líder da extrema-direita chilena. Assim, a vaga reaccionária que percorre o mundo trata de recuperar para si a figura de Pinochet. O golpe de Estado de 11 de Setembro não seria um acto de guerra, mas sim uma “intervenção” para salvar o Chile do comunismo. Pinochet não seria um ditador, mas um governante autoritário que, através da Constituição de 1980, se auto limitou. Em suma, Pinochet teria lançado as bases para um Chile moderno.

Talvez por isso, o trabalho de Amorós é agora mais imprescindível do que nunca. A História contra o esquecimento, contra a manipulação. “Pinochet simboliza a imagem do fascismo na América Latina. Mas neste caso não falamos do fascismo da Europa entre as guerras. Trata-se de um fascismo de mercado. O golpe no Chile foi o golpe de uma classe social, a burguesia, que se serviu da força do Exército para esmagar organizações de esquerda e implantar um modelo neoliberal de economia da forma mais brutal”, explica Amorós ao Público. O autor, de facto, descreve Pinochet como um “ditador impiedoso que demonstrou uma ambição insaciável de poder”. “E o seu instrumento foi o terror, pois não hesitou em desencadear a única guerra em que participou ao longo de sua vida: a guerra contra um povo desarmado”, escreve Amorós.

Assim, a repressão da ditadura chilena também serviu para converter o Chile no laboratório mundial do neoliberalismo. O ditador cedeu em 1975 o comando económico do país a um grupo de jovens profissionais formados na Universidade de Chicago e que aplicaram as receitas neoliberais de Milton Friedman e Arnold Harberger. Em suma, a ditadura chilena realizou uma contrarrevolução capitalista em toda a regra que desfez o processo de nacionalizações iniciado por Allende, devolveu aos seus proprietários originais as terras ocupadas pelos camponeses, liberalizou os preços, reduziu o gasto público em mais de 25 % e revogou leis que impediam os despedimentos de trabalhadores. Tudo isso foi recomendado pelos Chicago Boys e pelo plano elaborado por Friedman para o Chile. O plano teve como principal apoio a repressão e a violência.

“O ‘milagre chileno’ dos Chicago Boys, tão exaltado por certos sectores, supunha que, após a sua derrota no plebiscito de 1988, em 11 de Março de 1990 Pinochet entregasse um país que tinha 40% da sua população em situação de pobreza. absoluta. E seus efeitos fazem-se sentir até hoje com umas pensões miseráveis, uma assistência médica adequada apenas para aqueles que a podem pagar, o ensino superior mais caro da América Latina e uma fractura social das mais nítidas do mundo “, denuncia Amorós

Uma admiração mútua entre ditadores

O terror de Pinochet chegou a tal ponto que, segundo documento do Ministério dos Assuntos Exteriores, o embaixador espanhol no Chile, Enrique Pérez-Hernández, recomendou ao ditador chileno “moderação e clemência” e indicou que a repressão contra a esquerda estava a ser “muito dura”. Pinochet, segundo esta documentação, garantiu ao funcionário espanhol que tomaria cuidado, principalmente em casos concretos como o de Neruda. Outro documento da diplomacia espanhola fazia um balanço de como era a situação no Chile naqueles dias: “A situação está absolutamente controlada pela Junta de Governo; mas na ponta das baionetas e das metralhadoras”. “A repressão tem sido dura e continua a sê-lo. Alguém viu que nada menos de 200 mortos são levados todas as noites para o necrotério e inclusivamente o nosso embaixador viu-os durante o dia. O número de mortes calcula-se em cerca de 4.000, dos quais metade em combate e a outra metade fuzilados sem julgamento”, informava a diplomacia espanhola.

No entanto, embora a diplomacia tenha informado o regime franquista das graves violações de direitos humanos cometidas no Chile, o ditador espanhol correspondia-se com o chileno. Apenas um dia após o golpe de Estado no Chile, Pinochet enviava uma carta a Francisco Franco para comunicar a substituição do embaixador do Chile em Espanha e transmitir-lhe uma admiração que, segundo Amorós, era mútua: “Peço-lhe que aceite os votos sinceros que formulamos pelo o bem-estar de Vossa Excelência e pela grandeza da Espanha”. De facto, dois anos depois, em 18 de Setembro de 1975, apenas dois meses antes da morte de Franco, o chefe do Estado Maior do Exército Espanhol, tenente-general Emilio Villaescusa, entregava a Pinochet, em nome de Franco, a máxima distinção do Exército espanhol em tempos de paz, a Grande Cruz ao Mérito Militar.

A morte de Franco estava próxima, mas a correspondência entre os dois ainda não havia terminado. Em 27 de Setembro, Franco executaria os últimos cinco fuzilamentos da ditadura. Três membros da ETA e dois do FRAP seriam fuzilados após conselhos de guerra sem as menores garantias processuais. O mundo voltava as costas ao regime de Franco. Mas Pinochet aplaudia: “Estou certo de que desta dura prova emergirá uma Espanha ainda mais forte, unida e respeitada pela força das suas convicções e pelo ressurgimento de suas atitudes e guardo a esperança de que no futuro se valorizará melhor o esforço dos povos de carácter para forjar o seu próprio destino “.

Pinochet foi recebido em Espanha à porta do avião por Juan Carlos I. Abraçaram-se. A carta seria respondida pelo ditador espanhol nos seguintes termos: “Não podemos tolerar que a maquinação urdida por organizações inimigas da nossa pátria comprometa o normal desenvolvimento, em paz e prosperidade, do nosso povo e é dever do governante preservar a paz e segurança do seu país contra aqueles que subvertem a ordem pública comprometendo a estabilidade e o sossego da sociedade ”.

Esta foi a última comunicação estabelecida entre Franco e Pinochet. O espanhol morreria em 20 de Novembro daquele ano e o chileno acorreria a Espanha para o seu funeral. Chegou o dia 21. Sexta-feira. Ao pé do avião, recebia-o Juan Carlos, herdeiro do ditador. Abraçaram-se. “Nestes momentos em que Franco passou à história, é um Caudilho que nos mostrou o caminho a seguir na luta contra o comunismo”, declarou Pinochet depois de se reunir alguns minutos com aquele que pouco depois seria proclamado rei da Espanha.

Paralelismos entre as duas ditaduras

A admiração que Pinochet sentia pelo ditador Franco também ficou à vista naqueles dias em que o autoproclamado “caudilho” da Espanha era enterrado. O assessor do ditador chileno Federico Willoughby-MacDonald leu um comunicado em que estabelecia paralelismos com a ditadura espanhola: “A Espanha sofreu durante muito tempo tal como nós sofrermos a tentativa perversa do marxismo que semeia o ódio e pretende mudar os valores espirituais por um mundo materialista e ateu. A coragem e a fé que engrandeceram a Espanha inspiram também a nossa luta actual … “.

De facto, Pinochet seguiu uma estratégia semelhante à de Franco para justificar, ao longo dos anos, a sua participação no golpe de Estado. “Em Pinochet aprecia-se um providencialismo presente. Tal como Franco fez, justificou praticamente o golpe para salvar o Chile do comunismo. Apenas faltou apenas proclamar-se Caudillo do Chile pela graça de Deus”, diz Amorós.

As semelhanças são importantes. Pinochet, como Franco, não foi o instigador do golpe de Estado, mas juntou-se a ele à última da hora e foi inteligente o suficiente para impor seu poder aos demais militares golpistas. Pinochet, como Franco, justificou o seu golpe de Estado como um “dever patriótico” de salvar o Chile das garras do comunismo e face ao risco de “quebrar a unidade nacional”. Os golpistas chilenos, como os espanhóis, contactaram uma potência estrangeira (Brasil) para dispor de armas de guerra caso o golpe de Estado de 11 de Setembro fracassasse e se chegasse a uma Guerra Civil, como em Espanha. E Pinochet, como Franco, esforçou-se muito para manter uma propaganda que o situasse como uma espécie de enviado de Deus para salvar o seu país.

“Co toda a razão, o fascismo espanhol considerava Pinochet como um dos seus”, escreve Amorós
De facto, o mesmo ditador chileno confessou ao presidente do Cabildo da Gran Canaria, Lorenzo Olarte, em 24 de Novembro de 1975, na sua escala de regresso ao Chile, que gostaria que fosse construído no seu país “um Vale dos Caídos” que o recordasse para a posteridade, como escreveu o jornalista Fernando Olmeda na obra El Valle de los Caídos. Una memoria de España.. E assim, como relata Amorós, o fascismo espanhol considerou Pinochet como “um dos seus”. A admiração comprovou-se nas Cortes durante a cerimônia de juramento e proclamação de Juan Carlos de Borbón como rei da Espanha. O ditador chileno foi aclamado pelo público estacionado na rua tal como quando se sentou no Congresso: “Particularmente, os militantes de Falange vitoriaram-no e lançaram sobre ele as suas boinas vermelhas. Com toda a razão, o fascismo espanhol contava-o como um dos seus.” .

No entanto, o ditador chileno não teve o seu Vale dos Caídos. As suas cinzas permanecem enterradas numa capela de um terreno particular da família Pinochet em Los Boldos, na costa central do Chile, sob uma lápide de mármore. Entretanto, em Espanha, Franco continua no Vale dos Caídos e o Supremo Tribunal tornará público em 24 de Setembro se permite ou não a exumação de Franco.

Fonte:https://www.publico.es/politica/pinochet-triunfo-fascismo-mercado-admiracion-mutua-general-franco.html

Notas sobre conservadorismo e pensamento político de direita

Comissão Nacional de Formação Política do PCB – Partido Comunista Brasileiro

a) Relação do tema com a atualidade da crise do capital

Não é por mera coincidência que a ascensão mundial das direitas tenha ganhado impulso a partir do final da década passada, se tornando cada vez mais forte nos primeiros anos da atual. É no ano de 2008 que vêm à superfície os efeitos devastadores dessa que tem sido classificada como a mais aguda crise do capitalismo desde o Crash da bolsa de 1929, e a subsequente Grande Depressão dos anos 1930. O recurso à memória ajuda a esclarecer a relação entre tais fenômenos –  crise econômica e recrudescimento autoritário – pois a história testemunha a escalada fascista e o conflito imperialista como desfecho do abalo de 90 anos atrás. Se por um lado há uma inegável diferença de estágios de amadurecimento do sistema que entra em crise, por outro permanecem similaridades estruturais que iluminam as bases materiais dessa ofensiva conservadora atual.

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Só no socialismo e no comunismo o ser humano pode atingir a plena dignidade

Por Raúl Antonio Capote no Granma

O socialismo se parece com o homem, assim como o fascismo é a negação do homem. O socialismo é “o caminho” não isento de erros para o comunismo, é um caminho de justiça cheio de obstáculos, marcado por desafios, retrocessos e avanços. “Na construção socialista, planejamos a dor de cabeça que não a torna escassa, mas pelo contrário. O comunismo será, entre outras coisas, uma aspirina do tamanho do Sol”. [1]
O capitalismo procura semear a falta de fé no ser humano, exalta o cinismo, o ego reverenciado, como Ayn Rand definiu o homem ideal do capitalismo: “Enquanto o criador é egoísta e inteligente, o altruísta é um imbecil que não pensa, não sente, não julga, não age”. [2]
Antes da Revolução Francesa, houve uma profunda batalha de ideias na Europa, antes das revoltas revolucionárias, uma nova maneira de ver o mundo abriu o caminho. O Iluminismo plantou a semente que propiciou a Revolução. Um consenso foi criado em toda a Europa, emergiu uma Internacional espiritual burguesa. «”oda revolução foi precedida por um intenso trabalho de crítica, de penetração cultural, de permeação de ideias”.[3]
Se a nossa maneira de ver o mundo é marcada pela axiologia do capitalismo, se o nosso princípio básico ainda é ter, a todo o custo, acima do ser humano, se o egoísmo é o sinal que move nossas vidas, se vemos a miséria como um tipo de fatalismo e a sociedade dividida em classes como algo natural e imutável, se não temos fé no ser humano e em sua capacidade de entrega, em seu altruísmo, do que estamos falando?
Não é com os mísseis, não é com exércitos, não é com forças policiais apenas com o que os poderosos garantem o domínio, as defesas do capital estão no inconsciente dos indivíduos e são mais poderosas do que a arma mais moderna desenvolvida pelo complexo militar industrial. Elas fazem com que os dominados ajam contra seus interesses e defendam os governos que os oprimem. É difícil libertar-se do sonho narcótico do consumo e do individualismo atroz.
O sistema de educação do capitalismo é projetado para treinar o homem do capitalismo. Exalta a competição, a falta de solidariedade, o individualismo. “A classe que tem os meios de produção material tem, ao mesmo tempo, os meios de produção ideológicos”. [4]
Na sociedade capitalista, o homem vive uma ilusão de liberdade, é uma mercadoria e entre mercadorias — pois esse é o homem do capitalismo — não pode haver solidariedade, mas sim competição.

A solidão de um homem esmagado pela maquinaria produtiva e do comércio é o sinal do capitalismo, é o ser humano alienado, submetido à violência da propaganda, sitiado dia e noite, cercado de cantos de sereia, manipulado e incentivado a comprar e comprar coisas às que, muitas vezes, não pode acessar, ou objetos dos que não está precisando. A situação do homem no capitalismo subdesenvolvido, depreciado totalmente seu valor mercantil, é ainda pior.
O medo natural do homem de se aventurar no mundo desconhecido da liberdade é astutamente explorado pelo capitalismo. O homem que descobre esse mundo tem duas opções diante da inquietação gerada por tal descoberta: ou retorna à calma perdida ou se declara livre e corre o risco de mudar o mundo e construir relacionamentos baseados no amor.
Nós, revolucionários, sonhamos, mas não vivemos nas nuvens. Nós sonhamos, mas nós construímos. Nós, revolucionários, devemos ser apaixonados, em movimento, envolvendo todos, revelando essa nova realidade no caminho, ensinando nossa doutrina baseada na possibilidade, na ciência e no amor à vida, aos seres humanos, à natureza. Nós devemos ser transformadores e rebeldes.
Marx descreveu a sociedade comunista como uma associação de indivíduos livres: “A única sociedade em que o livre desenvolvimento dos indivíduos deixa de ser uma mera frase” [5], no comunismo, o livre desenvolvimento de cada um será a condição para o desenvolvimento livre de todos.
A nossa Constituição define no preâmbulo a convicção de que Cuba nunca voltará ao capitalismo e que só no socialismo e no comunismo o ser humano atinge a plena dignidade.
O artigo um da Constituição afirma claramente que Cuba é um Estado socialista de direito e justiça social, democrático, independente e soberano, e o 5º artigo reafirma que é o Partido Comunista de Cuba, único, martiano, fidelista, marxista e leninista, a vanguarda organizada da nação, a principal força política da sociedade e do Estado que organiza e orienta os esforços comuns na construção do socialismo e o avanço rumo à sociedade comunista.
Estamos no caminho que escolhemos e defendemos: o socialismo com seu passado e sua gênese do futuro. O socialismo como caminho para o domínio da plena realização humana, a sociedade do bem-estar, do bem viver, não apenas pelos níveis alcançados de justiça e equidade, mas também pelos altos índices de desenvolvimento, fruto dos avanços das ciências, da tecnologia, dos meios de produção e das forças produtivas, desencadeadas, livres, altamente qualificadas: a sociedade comunista.

Notas:
[1] Roque Dalton: Sobre dolores de cabeza.
[2] Ayn Rand: El manantial. Editora Grito Sagrado, Buenos Aires, Argentina, 1993, pp. 145-146.
[3] Compilação de Gerardo Ramos e Jorge Luis Acanda: Gramsci e a filosofia da praxe. Editora Ciencias Sociales, Havana, 1997, pp.106-107.
[4] N. Ivanov, T. Beliakova, E. Krasavina: Karl Marx, sua vida e sua obra, Godley Books, United, Kingdom, 2011.
[5] Karl Marx, Friedrich Engels: A Ideologia Alemã, In: MECW. Vol. 5, p. 439.

Revolução Africana: uma antologia do pensamento marxista

“Revolução Africana: uma antologia do pensamento marxista”, publicado pela editora Autonomia Literária, é o primeiro volume da “Coleção Quebrando as Correntes”, coordenada por Jones Manoel e Gabriel Landi. Esse primeiro lançamento conta com prefácio de Jones Manoel e posfácio de Douglas Rodrigues Barros. 
A coletânea reúne traduções de artigos de diversos dirigentes revolucionários dedicados à luta anticolonial em África. É o caso do capitão burkinabé Thomas Sankara; Kwame Nkrumah, de Gana; Frantz Fanon, psicólogo e combatente da libertação da Argélia; o professor egípcio Samir Amin; além de revolucionários lusófonos como Amílcar Cabral (Guiné-Bissau e Cabo Verde), Agostinho Neto (Angola) e Eduardo Mondlane e Samora Machel (Moçambique).
Cobrindo mais de duas décadas, os artigos selecionados permitem não apenas um vislumbre dessas próprias experiências revolucionárias, mas também de toda a riqueza de elaboração e variedade do pensamento marxista africano, pelas penas e discursos de seus mais notórios representantes. Atravessando temas como o significado do racismo na sociedade de classes, a luta contra a mentalidade colonial, a idealização do passado africano e a opressão patriarcal no continente, além de temas de tática e organização política, essa obra permitirá ao público brasileiro finalmente obter um amplo panorama do pensamento marxista negro na África.
E esse é só o começo: a “Coleção Quebrando as Correntes” já está preparando novos títulos, possibilitando à militância antirracista brasileira acesso a importantes obras do marxismo negro na África e na América, ainda inéditas em nosso país.

Dois marxismos?

por Greg Godels

O Google sabe que tenho um interesse permanente no marxismo. Consequentemente, recebo links frequentes para artigos que os algoritmos do Google selecionam como populares ou influentes. Sistematicamente, no topo da lista, estão artigos de ou sobre o irreprimível Slavoj Žižek. Žižek dominou os truques de um intelectual público – divertido, pomposo, escandaloso, calculadamente obscuro e amaneirado. A pose desalinhada e a barba desgrenhada somam-se a uma quase caricatura do professor europeu, a presentear o mundo com grandes ideias profundamente embebidas em camadas de obscurantismo – uma maneira infalível de parecer profundo. E uma maneira infalível de promover o valor comercial do entretenimento.

Seguidores próximos do “mestre” até postam vídeos de Žižek a devorar hot dogs – um em cada mão ! Ele está atualmente ganhando dinheiro com um debate público com um congênere de direita que é um saco vazio, o qual supostamente torna obscenos os preços dos ingressos. O marxismo como empreendedorismo.

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65 anos da Revolução no Vietnã: A vitória na Batalha de Dien Bien Phu

por Ahmad Faruqui | CounterPunch – Tradução de Gabriel Deslandes

 

Em todo dia 7 de maio, pessoas de todo o mundo se reúnem em Dien Bien Phu, cidade localizada no Noroeste do Vietnã, para comemorar uma das mais importantes batalhas do século XX. Naquela data, em 1954, o Exército do Povo do Vietnã (Việt Minh) infligiu uma derrota militar decisiva ao Exército francês.

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AI-5: o braço estendido da transição inconclusa

por Milton Pinheiro

“Quem desconhece o passado condena-se a repeti-lo”
Johann Wolfgang von Goethe

 

 

Introdução

Este artigo tem como eixo central de análise o AI-5 como instrumento político e ideológico que conseguiu aprofundar e aperfeiçoar uma “cultura política”, no sentido gramsciano que é dado ao conceito, de caráter conservador e centrada no senso comum, que permaneceu viva na ação política de amplos segmentos da classe dominante, permeando, inclusive, segmentos e extratos populares. Essa razão prática encontrou ampla divulgação na mídia oficial e agigantou-se nas redes de contágio, impedindo que o conjunto dos subalternos conseguisse desvelar que o arcabouço do AI-5 continuava presente na lógica social e na forma política encontrada pelo pacto prussiano (Nova República).

A constituição de 1988 não conseguiu, no essencial, romper com os instrumentos de dominação política, social e econômica para fazer a transição da ditadura burgo-militar para uma democracia formal, que não fosse tutelada pelo arcabouço do “compromisso” do pacto prussiano e, posteriormente, por seu consequente instrumento eleitoral, o presidencialismo de coalizão. A oficina do tempo presente permite-nos analisar, contemplando, nesta perspectiva, o conjunto da longa conjuntura pós-1985, que a transição ficou inconclusa e tem marcado a lógica dos governos, a partir da tutela da sociedade, de uma forma-conteúdo da ação política, mesmo com a presença da reação popular, sindical e dos movimentos identitários, bem como de algumas políticas dos governos de compromisso burgo-petistas.

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Lênin e a imprensa revolucionária

Por Dênis de Moraes.

Blog da Boitempo

Em memória de Luiz Alberto Moniz Bandeira.

A trajetória jornalística e as concepções de Vladimir Ilitch Lênin (1870-1924) sobre a imprensa situam-se no contexto de duas tendências que se delinearam no âmbito europeu desde fins do século XIX até as décadas inaugurais do século XX, num período de ascensão de movimentos de massa, de divulgação junto aos trabalhadores das ideias socialistas e de eclosões revolucionárias, em meio a crises econômicas, disputas geopolíticas e guerras. A primeira tendência refere-se a intelectuais de esquerda que atuaram como jornalistas e ativistas, a partir da percepção da importância da disseminação em periódicos de propostas e intervenções políticas. Entre inúmeros exemplos, podemos citar os de Karl Marx, Friedrich Engels, V. I. Lênin, Antonio Gramsci, Karl Kautsky, Rosa Luxemburgo, Leon Trótski, Nikolai Bukhárin, Máximo Górki, Gueórgui Plekhánov, Clara Zetkin e Alexandra Kollontai. A segunda tendência diz respeito a intelectuais que não apenas exerceram o jornalismo como também teorizaram sobre a imprensa como instrumento voltado às tarefas de informação, conscientização, agitação e propaganda contra-hegemônica, em meio a embates contra as formas de exploração dos trabalhadores pelo capital.

Nas peculiaridades de cada tempo histórico, Lênin retomou reflexões de Marx sobre a influência tendencialmente conservadora dos veículos de massa junto à opinião pública e também quanto ao papel da imprensa revolucionária na difusão política e ideológica, enfatizando as tarefas que cabiam a jornais e revistas de organizações de esquerda e partidos comunistas. Para Lênin, seria impossível conduzir a luta revolucionária sem dispor de um meio de divulgação através do qual o partido pudesse se pronunciar sobre questões e situações concretas da vida social. “A criação do partido, se ele não for representado convenientemente por um órgão determinado, permanecerá em grande medida letra morta”, sentenciou.1

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