Lênin e a imprensa revolucionária

Por Dênis de Moraes.

Blog da Boitempo

Em memória de Luiz Alberto Moniz Bandeira.

A trajetória jornalística e as concepções de Vladimir Ilitch Lênin (1870-1924) sobre a imprensa situam-se no contexto de duas tendências que se delinearam no âmbito europeu desde fins do século XIX até as décadas inaugurais do século XX, num período de ascensão de movimentos de massa, de divulgação junto aos trabalhadores das ideias socialistas e de eclosões revolucionárias, em meio a crises econômicas, disputas geopolíticas e guerras. A primeira tendência refere-se a intelectuais de esquerda que atuaram como jornalistas e ativistas, a partir da percepção da importância da disseminação em periódicos de propostas e intervenções políticas. Entre inúmeros exemplos, podemos citar os de Karl Marx, Friedrich Engels, V. I. Lênin, Antonio Gramsci, Karl Kautsky, Rosa Luxemburgo, Leon Trótski, Nikolai Bukhárin, Máximo Górki, Gueórgui Plekhánov, Clara Zetkin e Alexandra Kollontai. A segunda tendência diz respeito a intelectuais que não apenas exerceram o jornalismo como também teorizaram sobre a imprensa como instrumento voltado às tarefas de informação, conscientização, agitação e propaganda contra-hegemônica, em meio a embates contra as formas de exploração dos trabalhadores pelo capital.

Nas peculiaridades de cada tempo histórico, Lênin retomou reflexões de Marx sobre a influência tendencialmente conservadora dos veículos de massa junto à opinião pública e também quanto ao papel da imprensa revolucionária na difusão política e ideológica, enfatizando as tarefas que cabiam a jornais e revistas de organizações de esquerda e partidos comunistas. Para Lênin, seria impossível conduzir a luta revolucionária sem dispor de um meio de divulgação através do qual o partido pudesse se pronunciar sobre questões e situações concretas da vida social. “A criação do partido, se ele não for representado convenientemente por um órgão determinado, permanecerá em grande medida letra morta”, sentenciou.1

Leia mais

Quando se fala em saúde, Cuba merece respeito

Os médicos cubanos que retornam à sua pátria carregam em seus corações o infinito afeto do povo brasileiro

«A gente vai embora, mas carregamos em nossos corações o abraço do idoso e o sorriso da criança, o infinito afeto do povo brasileiro; nas humildes casas onde você recebe esse convite para almoçar aquele feijão bem temperado com farofa, mas acima de tudo com amor. Eu também me lembro daqueles idosos em bancos rústicos, sabendo que o médico acabava a consulta às cinco horas da tarde, eles apenas ficaram sentados esperando o médico vir conversar com eles. Eu continuarei acumulando riqueza, sim. Mas não riqueza material. Eu continuarei enriquecendo meu coração».

Mensagens como essa, do médico cubano Yoanner González Infante, inundam a rede de redes nos dias em que os humildes do maior país da América Latina pagam o preço da indolência e do absurdo. Jair Bolsonaro, o recém-eleito presidente do Brasil, destrói com a sabotagem o Programa Más Médicos, não só a colaboração que Cuba ofereceu em questões de saúde para esse povo, mas também a esperança, o direito à vida das centenas de milhares de brasileiros que nunca tiveram cuidados de saúde primários antes.

Leia mais

Álvaro Cunhal e o legado de Karl Marx

JERÓNIMO DE SOUSA, SECRETÁRIO-GERAL DO PCP

Em nome do Partido Comunista Português queria, antes de mais, agradecer a vossa presença nesta Sessão Pública evocativa do centésimo quinto aniversário do nascimento de Álvaro Cunhal.

Uma evocação que é sempre de homenagem a essa figura ímpar e referência maior da nossa história contemporânea e da luta do nosso povo pela liberdade, a democracia, pelos valores da emancipação social e humana no País e no mundo e de reconhecimento do seu valioso e multifacetado legado de dirigente político experimentado, ideólogo, intelectual, ensaísta, homem da cultura.

Leia mais

Claudino José da Silva

Luiz Carlos Azedo

Claudino José da Silva

 

No dia da consciência negra, minha homenagem vai para o constituinte de 1945 Claudino José da Silva, líder ferroviário, que conheci em Niterói, em 1976, por intermédio do falecido deputado José Alves de Brito. À época, integrava o Comitê Estadual do cladestino PCB do antigo Estado do Rio. É um pioneiro da luta dos negros por seus direitos.

Filho de lavradores pobres, nasceu em 23 de julho de 1902, em Natividade (MG). Foi aprendiz de carpinteiro em Niterói. De 1929 a 1931, trabalhou como ferroviário na Estrada de Ferro Leopoldina.

Leia mais

Redes sociais e centralismo democrático: oportunidades e desafios

 

Por Ben Becker, via Liberation School, traduzido por Gabriel Landi Fazzio

Este artigo é a versão editada de um documento interno do PSL (EUA – Partido pelo Socialismo e pela Libertação), inicialmente escrito no final de 2015. O documento embasou amplas discussões sobre a questão em todo o partido no início de 2016, examinando as novas possibilidades e dificuldades colocadas pela proliferação das mídias sociais a partir da perspectiva de um partido leninista.

Ben Becker, dirigente do partido, avalia as mudanças qualitativas resultantes destas mudanças para a comunicação de massas; os obstáculos à organização vertical; as tendências individualizantes das mídias sociais e outras tensões entre as mídias sociais e as organizações centralistas-democráticas. Analisa esta última questão comparando as mídias sociais com o “organizador coletivo” original dos leninistas: o jornal do partido. A seção final do artigo articula as novas questões de segurança levantadas pelas mídias sociais.

Como há poucos trabalhos que abordam essa questão de uma maneira sistemática e orientada para a ação, o PSL publicou o presente artigo a fim de que este seja um recurso para auxiliar os novos camaradas partidários e demais lutadores sociais diante da tarefa (muitas vezes frustrantes) de organização no meio virtual. Consideramos, neste sentido, que além da riqueza de seu conteúdo, o artigo parte de um ponto de vista particularmente relevante para a abordagem do problema das redes sociais e da organização da militância revolucionária.

Leia mais

Lançamento do livro agenda FDR/PCB 2019: 60 anos da Revolução Cubana

 

Criada no ano 2000, carregando o nome do “Tenente Vermelho” Dinarco Reis, a Fundação de Estudos Políticos, Econômicos e Sociais Dinarco Reis auxilia o Partido Comunista Brasileiro (PCB) na realização de pesquisas científicas, estudos econômicos, políticos e sociais. Localizada no Rio de Janeiro, é presidida por Dinarco Reis Filho, membro do Comitê Central do PCB.

Leia mais

O ponto de vista comunista sobre o segundo turno

Por Gabriel Landi Fazzio

 

 

O “mal menor” é a palavra de ordem permanente da esquerda liberal. Essa é a própria essência daquilo que se chama “oportunismo” na esquerda. Mas se os comunistas realmente acreditam que haja o perigo do fascismo e estão sinceramente combatendo-o; neste caso irão votar até mesmo em um liberal, sem qualquer barganha, a fim de evitar que os reacionários fortaleçam suas posições na luta contra a classe trabalhadora e as camadas oprimidas do povo!


Leia mais

David Capistrano da Costa (1913-1974)

imagem“O sangue vermelho dos que nada temem ainda vive em nós!”

PCB na luta contra a Ditadura

O PODER POPULAR Nº 34

Nascido em 16 de novembro de 1913, em Boa Viagem, Ceará, Davi Capistrano, aos 13 anos de idade, partiu para o Rio de Janeiro. Trabalhou em bares e botequins até ir para o Exército, onde conheceu o tenente Ivan Ribeiro, que o recrutou para o PCB. Já como sargento da Aeronáutica, participou da Aliança Nacional Libertadora (ANL) e da revolta de 1935. Foi detido, processado e condenado a sete anos de prisão na Ilha Grande. Em 1936, fugiu a nado da ilha com outros companheiros e exilou-se no Uruguai. Logo em seguida foi para a Espanha participar da Brigada Internacional contra o fascismo.

Leia mais