O bloqueio dos EUA e o que realmente está acontecendo na Venezuela

Atilio Boron | Tradução: Caio Andrade

 

 

A agressão que Washington realiza contra Cuba, Venezuela, Irã e outros países é uma violação flagrante dos direitos humanos, já que seu objetivo é destruir os fundamentos materiais e espirituais de uma sociedade; ou seja, o bem-estar, a felicidade e a liberdade de seus habitantes. Em outras palavras, é um crime contra a humanidade que, no entanto, não move os organismos internacionais que deveriam exigir que Washington acabe com essas políticas, nem as tantas ONGs, supostamente interessadas em garantir o respeito aos direitos humanos, que desviam o olhar quando se trata de condenar os crimes do império nos países mencionados acima como em tantos outros.

Para aqueles que acreditam que estou exagerando, sugiro visitar a página Human Right Watch dedicada à Venezuela e verão que estou sendo muito gentil em minhas críticas. Lá (https://www.hrw.org/es/americas/venezuela) pode ser lido, literalmente, que:

“A Venezuela vive uma emergência humanitária sem precedentes com grave escassez de medicamentos e alimentos aos quais as autoridades venezuelanas não têm respondido adequadamente. Em 2019, o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, declarou-se chefe de Estado e pediu o apoio do povo e das Forças Armadas. O país continua em um impasse político.”

Esta organização, como tantas outras do gênero que proliferam entre os países submetidos ao imperialismo, nada diz sobre as causas da “emergência humanitária” e da falta de “remédios e alimentos”. O motivo: eles são órgãos ligados ao governo dos Estados Unidos, por isso alocam enormes recursos para espalhar mentiras como as que acabamos de citar. Sempre que a Human Rights Watch (ou qualquer outra ONG do gênero) fizer uma declaração ou emitir uma opinião, saiba que quem realmente fala e condena é o governo dos Estados Unidos. E que mentirá como a Casa Branca invariavelmente faz toda vez que fizer uma declaração sobre os países que são vítimas de sua agressão bárbara. Ele mentiu quando garantiu ao mundo que havia armas de destruição em massa no Iraque, e não havia; e quando ele disse que o governo líbio havia dissolvido uma manifestação de oposição em Benghazi com fogo e sangue, e nada havia acontecido naquela cidade; e o que falou durante 18 anos sobre o Afeganistão, conforme demonstrado pelo Washington Post em sua edição de 9 de dezembro de 2019, com o único propósito de favorecer os negócios do complexo industrial militar-financeiro. Listar as mentiras da Casa Branca e do Congresso dos Estados Unidos (reproduzidas por organizações fraudulentas como a Human Rights Watch) encheria centenas de páginas. Alguém terá que realizar essa tarefa um dia desses.

Final: para entender o que realmente está acontecendo na Venezuela, recomendo a leitura desta breve nota que adiciono a seguir.

 

Venezuela em situação difícil – Juan Manuel Cagigal | Barômetro da América Latina 

Nós, venezuelanos, estamos sofrendo muito com as medidas tomadas pelo governo dos Estados Unidos contra a Venezuela. Por exemplo, os pescadores têm dificuldade em obter gasolina e, portanto, reduzem suas operações de pesca, de modo que menos peixe chega ao mercado; logo, o preço do peixe sobe. Exemplos como esse são encontrados em quase todos os alimentos.

Agora falta diesel porque os Estados Unidos estão impedindo que a Venezuela adquira diesel ou os aditivos necessários para obtê-lo; Consequentemente, o transporte de caminhões que utilizam diesel diminui seus movimentos de transporte de alimentos e remédios e outros itens necessários às fábricas.

A Venezuela não conseguiu pagar $ 300 milhões à OPAS pelas vacinas contra a Covid-19 porque o Banco de Londres se recusa a nos dar o dinheiro pelo nosso ouro que foi sequestrado lá.

As conquistas sociais da Venezuela até 2013 foram abaladas pela agressão dos Estados Unidos. Veja o livro Venezuela em cifras, fevereiro de 2015, que se pode baixar na página do Ministério do Planejamento (www.mppplanificacion.gob.ve), e aprecie ali todos os números, as conquistas que alcançamos, cumprindo as metas do milênio da ONU antes de outros países; na água, na eletricidade, na educação, na saúde, no salário, na força de trabalho ocupada, na habitação, melhoramos o coeficiente de Gini, enfim, de 1999 a 2014; Pagamos a dívida social que a 4ª República deixou com o povo venezuelano.

Mas a partir daí, o ataque dos governos dos Estados Unidos, primeiro Obama, depois Trump, se intensificou. E destruíram nossas conquistas sociais. Hoje temos uma situação muito difícil porque não podemos vender o nosso petróleo por causa do bloqueio dos Estados Unidos, o que significa não produzir. Onde armazenamos o petróleo que não podemos vender? E se alguém tenta comprar petróleo de nós, é chantageado, ameaçado e “sancionado”, compradores, transportadores, bancos, seguradoras, todos da cadeia, o que impossibilita a chegada de divisas à Venezuela. E o petróleo é apenas um exemplo que é a espinha dorsal de nossa receita. Ocorre em todas as áreas, é um bloqueio econômico-financeiro, é feroz, brutal, intenso. Então, o governo faz malabarismos para cobrir programas sociais e a manutenção do estado. A situação na Venezuela hoje é difícil. Devemos recomeçar, agora em condições muito desfavoráveis. Mas isso tem que ser feito e nós o faremos.

Fonte: https://barometrolatinoamericano.blogspot.com/2021/03/venezuela-en-situacion-dificil.html

 

Extraído de atilioboron.com.ar/el-bloqueo-de-estados-unidos-y-lo-que-de-verdad-esta-ocurriendo-en-venezuela