David Capistrano da Costa (1913-1974)

imagem“O sangue vermelho dos que nada temem ainda vive em nós!”

PCB na luta contra a Ditadura

O PODER POPULAR Nº 34

Nascido em 16 de novembro de 1913, em Boa Viagem, Ceará, Davi Capistrano, aos 13 anos de idade, partiu para o Rio de Janeiro. Trabalhou em bares e botequins até ir para o Exército, onde conheceu o tenente Ivan Ribeiro, que o recrutou para o PCB. Já como sargento da Aeronáutica, participou da Aliança Nacional Libertadora (ANL) e da revolta de 1935. Foi detido, processado e condenado a sete anos de prisão na Ilha Grande. Em 1936, fugiu a nado da ilha com outros companheiros e exilou-se no Uruguai. Logo em seguida foi para a Espanha participar da Brigada Internacional contra o fascismo.

Em outubro daquele mesmo ano, David Capistrano foi para a França, onde participou da resistência à ocupação nazista. Preso e enviado para um campo de concentração na Alemanha, após oito meses foi libertado, pesando apenas 35 quilos. Recuperado, regressou ao Uruguai em 1941. Três anos depois seguiu para o Brasil, mas foi novamente preso. Tendo sido anistiado e libertado em 1945 e conquistada a legalidade do Partido, em dezembro do ano seguinte passou a integrar a direção nacional do PCB e foi o mais votado dos deputados estaduais de Pernambuco lançados pela legenda do Partido.

Em junho de 1947, casou-se com Maria Augusta de Oliveira, então dirigente estadual do PCB na Paraíba. Juntos tiveram três filhos: David Capistrano da Costa Filho (líder universitário no Rio de Janeiro perseguido pela ditadura, médico, secretário da Saúde e prefeito de Santos/SP), Maria Cristina Capistrano e Maria Carolina Capistrano.

Após a cassação do PCB em 1947, David Capistrano atuou na organização da classe operária em Sorocaba e em Santos (SP) e viveu clandestino Rio até ser enviado para a Escola de Quadros do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), em Moscou. Em novembro de 1954 foi eleito para o Comitê Central no IV Congresso do PCB. De volta ao Brasil, militou no Amazonas, Pará, Ceará e Pernambuco, onde trabalhou no semanário comunista Folha do Povo, posteriormente denominado A Hora. No V Congresso do PCB (1960), foi reeleito para o CC.

Perpetrado o golpe de 1964, teve seus direitos políticos cassados e foi obrigado a se refugiar com os demais dirigentes do PCB de Pernambuco em um sítio, onde editou o jornal clandestino Combater. No ano seguinte, foi para o Rio de Janeiro e, após o VI Congresso do PCB (1967), passou a organizar atividades de solidariedade internacional. Em 1972, viajou para a Checoslováquia como representante do PCB da Revista Problemas da Paz e do Socialismo. Na volta ao Brasil, foi sequestrado com José Roman em 18 de março de 1974.

Segundo declarações de agentes da ditadura, David Capistrano esteve preso no DOI-CODI do Rio de Janeiro e foi levado para a “Casa da Morte” em Petrópolis, juntamente com José Roman, onde foi executado e esquartejado; seus restos mortais teriam sido ensacados e jogados num rio próximo.

Em junho de 2012, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a Fundação Dinarco Reis promoveram, no auditório da OAB-Ceará, em Fortaleza, Ato Solene da entrega da Medalha Dinarco Reis in memorian a David Capistrano. Sua sobrinha, Valeska Capistrano, leu carta de agradecimento ao PCB:

“… no ano de 1974, um regime ditatorial e desumano ceifou uma vida que incontestavelmente tinha muito a oferecer para a humanidade. Um pequeno grande homem que saiu do sertão cearense, estudou, entrou para a Aeronáutica no Rio de Janeiro e tornou-se militante partidário. Nessa missão conheceu e fez conhecer-se no mundo.

(…) Como militante partidário, foi um herói que não tinha temor, que de cabeça erguida, consciente do risco, levantava a bandeira do seu partido.

(…) o sangue vermelho dos que nada temem ainda vive em nós!”

Leia o Poder Popular n° 34 completo em: https://pcb.org.br/portal2/20199/esta-no-ar-o-poder-popular-n-34/

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