Ana Montenegro, sinônimo de mulher e comunismo

Nascida em 13 de abril de 1915, em Quixeramobim (CE), Ana Montenegro estudou Letras e Direito na UFRJ e depois se radicou na Bahia. Participou desde muito jovem de iniciativas promovidas pelo movimento de esquerda. Filiou-se ao Partido Comunista (PCB) em 1944. Grande ativista do Movimento de Mulheres, foi fundadora da União Democrática de Mulheres da Bahia (1945). Também participou da fundação da Federação Brasileira de Mulheres – organização ligada ao PCB, da Liga Feminina da Guanabara, criada em 1959, e do Comitê Feminino Pró-Democracia. Atuou na Frente Nacionalista Feminista desde meados dos anos 1950 até o golpe de 1964.

A grande influência e amizade de Ana Montenegro foi o líder comunista Carlos Marighella. Foi ele quem indicou o exílio dela quando os militares assumiram o comando em 1964. Foi a primeira mulher brasileira a ser exilada após o golpe. Para assegurar sua integridade física, partiu do Brasil para o México. Depois passou por Cuba, onde conheceu os principais líderes da revolução socialista. Da ilha de Fidel, partiu para a Europa e se instalou na Alemanha Oriental, onde passou a maior parte dos 15 anos de exílio.

De 1964 a 1979 fez parte da Comissão da América Latina pela Federação Democrática Internacional das Mulheres. Com a anistia brasileira em 1979, Ana retornou ao Brasil e passou a residir em Salvador, reintegrando-se à luta feminista e, como ativa militante, foi convidada a participar do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (1985-1989). Foi assessora da Ordem dos Advogados do Brasil, na seção baiana, atuando em defesa dos Direitos Humanos e membro do Fórum de Mulheres de Salvador.

Na década de 1980, escreveu “Ser ou não ser feminista”, “Mulheres – participação nas lutas populares”, “Uma história de lutas” e “Tempo de Exílio”. Quarenta e um ano depois do golpe de 1964, foi lembrada e indicada ao Prêmio Nobel da Paz 2005, junto com mais 999 mulheres. Militante comunista, ativista do movimento das mulheres, amante das letras, jornalista e advogada, Ana participou de diversos movimentos sociais.

Durante as seis décadas de militância, Ana Lima Carmo, seu nome verdadeiro, conheceu personalidades políticas importantes da esquerda mundial, como Fidel Castro, Che Guevara e Amílcar Cabral, dirigente do Partido da Independência de Guiné e Cabo Verde assassinado a mando de portugueses colonialistas. O sobrenome Montenegro surgiu da assinatura que passou a usar nos trabalhos jornalísticos realizados principalmente em meios de comunicações ligados ao PCB. Entre os anos de 1944 e 1947, pôde atuar diretamente com as palavras, quando trabalhou nos periódicos “O Momento” e “Seiva”, ambos editados em Salvador. Teve participação na criação do jornal “Momento Feminino”, editado em 1947 pelo movimento de mulheres comunistas e colaborou com jornais cariocas, como “Correio da Manhã” e “Imprensa Popular”.

Mesmo com o fim da antiga União Soviética, Ana não se abalou e manteve a convicção nos princípios do socialismo e do comunismo. Teve importante participação no Movimento Nacional em Defesa do PCB, lutando bravamente contra a tentativa de liquidação do Partido, no qual permaneceu como ativa militante até seu falecimento, em 2006.

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