Vianinha, um guerreiro da cultura!

Oduvaldo Viana Filho, o Vianinha, nasceu no Rio de Janeiro, em 1936, e foi um dos principais nomes da dramaturgia brasileira, apesar de ter morrido muito jovem, em 1974, aos 38 anos, de câncer. Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi autor teatral, ator, roteirista de TV, animador cultural, fundador do Centro Popular de Cultura, o histórico CPC da UNE, e do Teatro de Arena e do Grupo Opinião e do Teatro Jovem. Filho do teatrólogo, radialista e cineasta Oduvaldo Viana, também militante histórico do PCB, Vianinha marcou sua trajetória por incansável luta pelas transformações sociais e pelo compromisso com a arte popular, revolucionária e contra o imperialismo cultural que até hoje domina as principais programações culturais brasileiras.

Vianinha estudou arquitetura até o terceiro ano e depois abandonou o curso para se dedicar ao teatro. Começou em 1955, no Teatro Paulista do Estudante, atuando em vários espetáculos, entre os quais Rua da Igreja, de Lnnon Robinson, Escola de Maridos, de Molière.. Depois participou do Teatro de Arena, em 1956, e atuou em várias peças teatrais, entre as quais Homens e Ratos, de Steinbeck e À Margem da Vida de Tenessee Willians. Preocupado em criar uma dramaturgia vinculada aos problemas nacionais, promove o Seminário de Dramaturgia, visando a descoberta de novos talentos e a criação de textos vinculados à realidade brasileira.

Vianinha era um autor, ao mesmo tempo criativo e compromissado com as transformações sociais. Visando levar a arte diretamente à população criou um elenco para percorrer com sua peça A Mais Valia Vai Acabar Seu Edgar escolas, favelas, sindicatos da cidade e do campo e organizações de bairro. Dessa experiência nasce a ideia do Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE, que marcou uma trajetória histórica com seu “teatro revolucionário” objetivando conscientizar a população. A experiência do CPC foi tão exitosa que depois suas atividades se estenderam por outras áreas da cultura, como música, teatro, cinema, etc.

Em sua trajetória de artista do povo ganhou vários prêmios nacionais e internacionais, como Quartos Quadras de Terra, que recebeu o primeiro prêmio latino-americano da Casa das Américas, em Havana. Ganhou dois Miliéres, com as peças Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come e A Longa Noite de Cristal, além outros prêmios em São Paulo e do Serviço Nacional de Dramaturgia. Além de fundador do Grupo Opinião e do Teatro Jovem, Vianinha também atuou no cinema, em Cinco Vezes Favela, de Cacá Diegues, e fez tele-dramas de agitação e tele-teatro para uma comunicação rápida e direta com o público. Em 1973 vai para TV Glogo, onde escreve, junto com Armando Costa, o premiadíssimo seriado A Grande Família, até hoje ainda apresentado na TV Globo.

Vianinha, como autor identificado com os interesses do povo brasileiro, foi duramente censurado pelo regime militar. A maior parte de suas obras não puderam ser exibidas a partir de 1964 porque estavam proibidas pela censura. Vianinha morreu aos 38 anos sem ver encenadas suas duas obras primas, Papa Highirte, escrita em 1968 e só montada onze anos depois, e a clássica Rasga Coração, cujos últimos diálogos foram ditados no leito da morte, e também só encenada muitos anos depois.

Princpiais obras de Vininha

1959 – Chapetude Futebol Clube

1957 – Bilbao, Via Copacabana

1961 – A Mais Valia vai Cabar, seu Edgar

1963 – Quatro Quadras da Terra

1963 – Brasil Versão Brasileira

1964 – Roteiro Show Opinião

1965 – Se Correr o Bicho Pega, Se Ficaro Bicho Come

1965 – Moço em Estado de Sítio

1966 – A Mão na Luva

1967 – Os Aeredos Mais os Benevides

1967 –Meia Volta Volver

1968 – Papa Highirte

1968 – Dura Lex, Sed Lex, No Cabelo Só Gumex

1971 – Corpo a Corpo

1971 – A Longa Noite dos Punhais

1971 – Nossa Vida em Família

1973 – Allegro Desbum

1974 – Rasga Coração

Roteiros de Shows

1964 – Roteiro Show Opinião

1966 – Telecoteco Opus No. 1

Participação Como Ator

Teatro

1955 – Rua da Igreja

1956 – Escola dos dos Maridos

1956 – À Margem da Vida

1956 – Homens e Ratos

1956 – Só o Faraó Tem Alma

1958 – Eles não usam Black-Tie

1965 – Liberdade Liberdade

1969 – As Duas Faces da Moeda

1971 – Um homem sem Importância

Cinema

1962 – Duas Vezes Favela

Adaptações de Peças para TV, Teleteatro e seriado televisivo

1972 – Medéia, Noites Brancas, A Dama das Camélias, Mirandolina, Ano Novo, Vida Nova.

1973 – A Grande Família